JOÃO GARCIA: UM CUME NA ANTÁRTIDA

João Garcia, conhecido alpinista que se tornou no primeiro e até agora único, português a atingir o cume do Evereste, está de partida para uma nova aventura. Desta feita, o objectivo será escalar o Monte Vison, a montanha mais alta da Antártida, com uma altitude de 4897 metros (algumas referências apontam para que seja mais alta, ficando a 5140 metros).

30 de novembro de 2003 às 00:00
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Caso seja bem sucedido, o escalador de Lisboa dará mais um passo rumo à conquista dos sete cumes mais altos do planeta, um marco pelo qual lutam quase todos os grandes homens da montanha. “Alcançar essa meta mítica para um alpinista é um sonho que espero ver concretizado, embora ainda vá levar algum tempo para tal. Se tudo correr bem, acredito que dentro de pouco mais de um ano isso possa tornar-se numa realidade”, revela João Garcia, adiantando que a odisseia que se avizinha será um passo definitivo rumo a esse objectivo pois “o Monte Vison tem a particularidade de obrigar a um forte apoio financeiro que, se não fosse a Wurth, estava completamente fora de alcance”.

Por enquanto, quatro dos principais picos já estão escalados: Evereste, Aconcágua, Mckinley e Elbrus. Dessa lista ficarão a faltar apenas o Kilimanjaro – considerado mítico mais pela beleza e pelo facto de se situar em África do que pela dificuldade – e o Cartensz. “O da Papua/Nova Guiné é complicado não em termos técnica, aquilo parece a Serra da Estrela, mas pelo facto de existirem uma série de problemas políticos e sociais, com lutas no terreno e a existência de terroristas, algo que pode atrapalhar a expedição”, ressalva o escalador, a quem a experiência ensinou que todos os cuidados são poucos nas expedições e que o mínimo erro pode custar muito caro.

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Apesar de na alta montanha ser impossível prever o sucesso de uma escalada, devido a uma série de factores inconstantes, como as condições climatéricas no momento do ataque final ao cume, certo é que João Garcia tem mostrado estar num grande momento de forma. Há pouco menos de um mês (2 de Novembro), escalou na companhia de três belgas o Himlung-Himal, uma montanha de 7126 metros localizada no Nepal, perto do Vale de Naar Phu. Não sendo conhecida do público menos afecto ao alpinismo, é muito respeitada por todos os que acompanham a modalidade, dado apresentar como principal dificuldade a travessia de uma aresta com vários quilómetros acima dos 7000 metros. E não é só por isso que João Garcia parece estar imparável. Este ano subiu ao Aconcágua pela quarta vez na vida (a primeira aconteceu em 1996) e fez o Elbrus, tendo sido ainda chefe de cordada da primeira expedição totalmente portuguesa aos Himalaias, que atingiu com sucesso o cume do Pumori. “Tenho andado numa roda viva e por isso não tenho feito treino específico. O treino em si tem sido escalar montanhas. Por exemplo, a passagem por Lisboa foi mesmo só para lavar a roupa e trocar algum material, tudo numa semana”, conta cheio de motivação, referindo desde logo que para o continente gelado vai levar equipamento de primeira qualidade, preparado para temperaturas constantes de 10 graus negativos, entre o qual destaca umas botas iguais às utilizadas na escalada do Evereste.

Situado numa terra inóspita, o Monte Vison não tira o sono a João Garcia, que lembra ir acompanhado de Alain Hubert, um conhecido de longa data, com o qual já partilhou algumas aventuras, e que é especialista em expedições pelas terras geladas. Se tudo correr bem e o tempo ajudar, talvez a 10 de Dezembro Portugal tenha uma nova bandeira no cume mais alto de outro continente.

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