JOGADOR DE TRINTA ANOS

O drama de todos os atletas de alta competição é que chegam a velhos quando os seus contemporâneos atingem a idade adulta. Figo faz amanhã 30 anos.

01 de novembro de 2002 às 19:56
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Como qualquer futebolista, muito mais do que mulher que se cuida, Figo é já um balzaquiano. O seu futebol tem o requinte que a experiência dá, o encanto que o saber burila, quilates de génio, mas vai-lhe faltando frescura. Figo disfarça as rugas com mais bolas jogadas de primeira, busca de zonas centrais, poupança em esforços defensivos.

Melhor do que ninguém, Figo sabe ser já passado o ritmo dos cinquenta-jogos-temporada em que era sempre decisivo, durante as cinco épocas de ouro que deixou em Barcelona. Agora, aos 30 anos, Figo é o número-dez na constelação do Real Madrid. Na sua espremida carreira, falta-lhe apenas um grande título conquistado pela selecção portuguesa.

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Numa era de renovação de valores, Figo continua a marcar presença na equipa nacional. O Euro-2004 é a sua última oportunidade. E Figo sabe-o. É por isso ainda mais simbólico o facto de, antes dos grandes momentos, Figo chegar às convocatórias da selecção nacional ao volante de um velhinho Honda Civic – comprado com o aumento do seu primeiro contrato como sénior. Um Honda Civic, simplesmente. Como se Figo pretendesse prolongar os símbolos de uma ambição primordial. A vontade que lhe impediu o deslumbre. A força que o levou ao topo.

Uma lição para jovens promessas que, sendo ainda nada, estão já burgueses instalados, com tiques de vedeta e bólide à porta.

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