Leonel Telo mantém viva a arte da cerâmica na terra onde nasceu
Há 17 anos, o trabalho de Leonel Telo era um exemplo na manutenção das tradições da olaria e da cerâmica nacionais. Natural de Monchique, mas a trabalhar à época como responsável pelo atelier de olaria do Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha, tinha feito uma exposição na sua terra natal.
"Arranca-se o barro à terra como quem rouba o filho pequeno a uma mãe. Sentimos-lhe a forma e, sobretudo, o cheiro da cor. Quando por fim o devolvemos à terra, ao fogo e à água, completa-se um dos mais belos ciclos da natureza", explicava assim Leonel Telo aos jornalistas, em 1995, os encantos da sua arte.
Volveram quase duas décadas e a paixão de Leonel não esmoreceu. Bem pelo contrário. À terra de onde tinha saído muito jovem para vir estudar para a escola de artes António Arroio, voltou, para ali construir o seu atelier de cerâmica – a Casa da Nogueira – que é um dos mais belos segredos do Algarve.
ENSINAMENTOS
Hoje com 50 anos, Leonel Telo recorda com nostalgia os tempos em que se aventurou para seguir o seu sonho. "Precisei de uma bolsa de estudo para ir estudar para Lisboa, mas lá consegui. Tarde, já tinha mais de 20 anos. Foi, apesar de tudo, fácil adaptar-me. Sempre tive queda para as artes manuais. Antes trabalhava em madeiras, mas o barro permite-me fazer mais coisas", recorda.
Essa mesma paixão levou-o depois a prosseguir estudos nas Caldas da Rainha, onde acabaria por ficar responsável pelo atelier para crianças do museu local. "Gosto de fazer peças com e para os miúdos, de ensinar qualquer coisa deste ofício", justifica.
Um ofício que assina com orgulho, em "peças de autor e com cunho pessoal" que, apesar da crise, floresce e dá outro interesse à rota do turismo algarvio.
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