Meditação não paga as contas

A Professora Rosângela e Castro foi a convidada especial no 1ª Encontro SwáSthya na Neve. Fundadora e directora há 14 anos da Unidade de Saquarema, capital brasileira do surf, é a mais antiga discípula do Mestre DeRose. Na Serra da Estrela, partilhou com meia centena de praticantes o valor da sua experiência.

06 de fevereiro de 2005 às 00:00
Meditação não paga as contas Foto: Paulo Marcelino
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Pessoa de serenidade assinalável e sorriso generoso, a Professora Rosângela de Castro está com o Mestre DeRose desde as primeiras viagens à Índia, quando as portas ainda se fechavam por causa dos tigres e as traquinices da adolescência desafiavam o fascínio pelo novo Mundo de conhecimento que se lhe oferecia. Cresceu com o Yôga e o Yôga cresceu com ela. Ministra cursos nas principais cidades do Brasil, Portugal e Argentina e organiza em Saquarema o tradicional Festival Internacional de Yôga.

Passadas três décadas de prática, relembra as primeiras viagens a Portugal e os poucos praticantes que então encontrou, para concluir que, “desde o final dos anos 90, o Yôga está crescendo muito”.

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O que a levou ao SwáSthya Yôga?

- Pratico desde os 17 anos. Eu já tinha interesse em desenvolver algo mais interno, algo mais virado para a meditação. Lia muito sobre o tema. O que me levou ao SwáSthya foi, justamente, porque eu não queria um Yôga de academia (ginásio), um Yôga voltado para a terapia, porque ele era assim divulgado no Brasil. Procurei um Yôga cujo objectivo fosse a meditação e acabei caindo no SwáSthya Yôga. Me apaixonei muito pela filosofia e pela prática. Acabei por me identificar completamente. Foi muito bom, porque nessa idade de adolescente tem vários caminhos e eu fui por um caminho bem saudável.

Editou dois livros com sucesso sobre alimentação vegetariana (“Alimentação Light” e “Gourmet Vegetariano”). Porquê?

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- Pesquisei muito sobre comida vegetariana, mesmo antes de começar o Yôga. Eu precisava de investigar para saber se uma pessoa podia sobreviver assim. Hoje ainda há medo sobre isso. Na época era pior. Consultei alguns médicos e eles me desaconselharam. Resolvi fazer pesquisa por conta própria, experimentando alimentação vegetariana. Senti que era excelente para o meu organismo, para a minha saúde... e adorei o sabor. Como as pessoas precisam de uma orientação e nesse aspecto não tem, mesmo as nutricionistas não têm muita informação, então eu acabei orientando os alunos que chegavam com o mesmo interesse. Desenvolvi cursos e resultou nos livros, que são a compilação do que eu pesquisei e considero mais importante para praticar.

Quais os efeitos do Yôga?

- O Yôga tem uma filosofia muito humana. Ele parte da proposta do auto-conhecimento e do auto-melhoramento. Por isso, acaba por tornar as pessoas mais conscientes e favorece muito as relações. Traz (ao Mundo) uma ideia menos egoísta, menos individualista, mais comunitária, mais pacífica. O Yôga procura tornar o ser humano melhor.

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É também uma profissão...

- Meditação não paga as contas, então a gente cuida do lado profissional. O SwáSthya é uma opção de vida. A pessoa precisa de gostar e de se identificar. A gente procura fazer o Yôga de uma forma tradicional, apesar de ter uma aparência moderna. Se você quer crescer dentro do Yôga precisa de se dedicar muito. Acaba fazendo parte da vida e sendo também a profissão da pessoa. A gente enfatiza muito essa parte profissional, de se poder tornar instrutor.

O Yôga parece estar a atravessar um momento particular de grande expansão. Como explica isso?

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- O Yôga dá o que falta na actual qualidade de vida. O stress não permite que as pessoas dediquem muito tempo a si mesmas e isso acaba até prejudicando a produtividade no trabalho. O Yôga estrutura a pessoa para viver melhor no ritmo de vida dos nossos dias.

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