Mestre de Hollywood quer instalar-se em Portugal

Scott Ross, que esteve ligado à produção de ‘Titanic’, quer que Portugal seja a capital europeia dos efeitos especiais

12 de fevereiro de 2017 às 11:59
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Scott Ross, produtor responsável pelos   efeitos   visuais   de   filmes como ‘O Dia Depois de Amanhã’, ‘X-Men’, ‘Apollo 13’ ou ‘Titanic’, quer montar um estúdio de animação em Portugal. Veio pela primeira vez há cinco anos, para participar na primeira edição do festival de artes digitais   de   Troia,   o   Trojan   Horse was a Unicorn (THU), e ficou encantado. Agora, anda à procura de parceiros de negócio.

"Fiquei logo fascinado. Pelo sol, as pessoas, o vinho, a atmosfera e a paisagem. E atenção que eu até nem fui a muitos sítios... só conheci Troia e Sintra,   mas   fiquei   apaixonado", conta à ‘Domingo’. Não passou a ser propriamente presença habitual, até porque a sua vida, aos 65 anos, é ainda muito atarefada em Hollywood. Mas fez amigos por cá. Um deles é André   Lourenço,   o   fundador   do THU. Scott foi o seu padrinho de casamento e André é agora o embaixador   do   projeto.   Se   vir   a   luz   do   dia, dará pelo nome de Playground e nele serão criados animação e grafismos para   cinema,   televisão,   jogos   de computador e realidade virtual,   à   semelhança   do   que   Scott Ross faz já há   décadas,   e   com   muito   sucesso, na sua Digital Domain, a empresa   de   efeitos   visuais   que   fundou   em Hollywood.

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"Neste momento, estas áreas representam   quase  90   por   cento   do trabalho   no   setor   cinematográfico", frisa. E   esta seria a sua primeira   empresa   na   Europa.   Uma   casa que conseguisse criar de raiz a sua própria   propriedade   intelectual, pela mão de artistas altamente criativos   e   autores   especialistas   em contar boas histórias.

Mas porquê em Portugal? "Porque além   de   todas   aquelas   qualidades que me encantaram, tem uma enorme mais-valia nos tempos que correm: é um sítio onde ainda se pode viver e trabalhar em segurança, pois não está constantemente debaixo da ameaça terrorista. E isto é também muito importante em termos financeiros", explica Scott Ross, numa entrevista   via   telefone,   a   partir   de Los Angeles.

Portugal poderia até atrair grandes êxitos de bilheteira como ‘Avatar’ ou ‘Minions’   -   este   último   feito   em França, por exemplo, em plena crise dos atentados. E se calhasse a Portugal ser o berço de um blockbuster, fosse cinema ou jogos de computador,   "todos   sairiam   a   ganhar", garante.  

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A equipa fixa de Scott Ross neste projeto teria inicialmente entre 15 e 20 pessoas, mas, em fases de produção intensiva, "poderia gerar centenas de empregos locais".

"E isto em termos de empregos diretos. Porque se tivermos em conta o efeito dominó, até mesmo a nível de   publicidade,   comunicação, transportes, serviços, etc., este número seria muito significativo e importante para Portugal", faz questão de acrescentar.

Por isso, reuniu-se com o secretário de Estado da Inovação, João Vasconcelos, para lhe pedir apoio e também com a Câmara Municipal do Porto, cidade que preferencialmente   poderá   acolher   o   Playground. "Lisboa está muito congestionada e precisamos   de   um   aeroporto   por perto", explica.

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O   consagrado   produtor   norte-                   -americano procura ainda investidores   privados,   determinados   em apostar numa marca lusa no cinema mundial. Aliás, agora tudo depende disso. Para o projeto arrancar são precisos pelo menos 9,25 milhões de euros   para   "montar   os   estúdios, contratar e adquirir os licenciamentos para as adaptações". E   um ano mais   tarde,   quando   já   estivesse   a funcionar em pleno, seriam precisos mais 84 milhões de euros (90 milhões de dólares). Scott Ross reconhece, porém, que "são valores que estão muito distantes da realidade portuguesa". Mas a esperança é a última a morrer.

Uma questão de vontade

Por isso mesmo, o reconhecido produtor norte-americano, de 65 anos, também apresentou o projeto na Irlanda e em Itália, os outros dois candidatos. "A comunidade ainda tem alguma dificuldade em compreender a importância e a mais-valia em termos de lucros das indústrias criativas e deste tipo de investimento. Isto pode ter uma dimensão enorme mas nem todos se apercebem disso", lamenta.

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Em Itália e na Irlanda, esse ‘funding’ já está garantido, acrescenta, por   seu  turno,   André   Lourenço: "Mas em Portugal ainda não e se calhar   vai   ser   difícil   por   causa   das mentalidades",   diz   o   diretor   do THU, lamentando.

Entretanto, dá dois exemplos de como as coisas podem ser feitas: "Houve o caso da Nova Zelândia, onde   foi   feito   o   ‘Avatar’,   que   em parte foi pago com o dinheiro dos contribuintes neozelandeses porque usufruiu de enormes benefícios fiscais. Mas depois o filme rendeu dois mil milhões de dólares e os neozelandeses   não   ganharam   nada. Mas há casos completamente diferentes como o da Finlândia, onde nasceu o ‘Angry Birds’ e onde parte das receitas beneficiou muitos outros projetos do país, inclusivamente ao nível da educação. E essa é precisamente   a   visão   empresarial   do Scott", esclarece.

Scott Ross é um dos gigantes de Hollywood.   Nascido   no   Bronx, Nova Iorque, em 1951, era desde pequenino um apaixonado por banda desenhada e histórias fantásticas.

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Começou   a   trabalhar   nesta   área em 1985, quando dirigiu uma série televisiva   (‘Buddy   Rich   and   His Band’). Haveria de chegar rapidamente a Hollywood e à sétima arte, onde   é   hoje   considerado   um   dos mestres dos efeitos especiais.

Foi CEO da Lucas Film, de George Lucas, que ajudou a fundar e também criou a sua própria companhia de produção e efeitos visuais, a Digital Domain, que assegurou algumas das   mais   conhecidas   e   rentáveis grandes produções do cinema americano:   ‘Regresso   ao   Futuro   II’ (1989), ‘Titanic’ (1997), ‘Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento’   (1991),   ‘O   5º   Elemento’ (1997), ‘Star Trek: Nemesis’ (2002) e ‘O   Dia   Depois   de   Amanhã’   (2004) foram alguns dos filmes em que assinou os efeitos especiais e com os quais conquistou alguns prémios. Até os Óscares da Academia.

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