Mudar de vida

A morte vence os nascimentos no Alentejo mas a desertificação desacelerou por via da migração. Retratos de gente que chega, à procura de qualidade de vida na paisagem larga do Sul.

24 de abril de 2005 às 00:00
Mudar de vida Foto: José da Costa Ramos
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Sandra e Joris tinham pouco mais de vinte anos quando decidiram mudar-se para o campo, em 1995. Esse ano, o Inverno foi longo e chuvoso. A casa do monte em que viviam, com alguma energia solar apenas e uma lareira em cada um dos dois andares, era demasiado grande e fria para um casal. O palco onde o quotidiano decorria, seis em cada sete dias da semana, à luz da vela, era a cozinha, com uma lareira. Agora, a Sandra já ri ao lembrar-se da noite em que queimou o cabelo enquanto lia. Além das dificuldades práticas, não conheciam ninguém e tiveram de se habituar um ao outro. “Foi a nossa prova de fogo”, diz ela.

E hoje, quem são os que chegam ao Alentejo? Gente de Leste, largada por autocarros no Redondo ou em Montemor-o-Novo, entregues à sorte, ou pior, à máfia, a quem já está penhorada grande parte do que hão-de ganhar. Chegam também muitos alemães, ingleses e holandeses em busca do lugar ao sol e um pedaço de terra limpa de contaminações químicas que o bem-estar económico lhes permite comprar. Agora, porém, há cada vez mais portugueses em busca de qualidade de vida na largueza da paisagem ou a desbravar áreas de negócio numa terra com potencial, mas que faz amargar quem busca oportunidades.

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Compensa? Compensa. Apesar da falta de competências na prestação de alguns serviços, das dificuldades no acesso a bens básicos como a saúde e a educação, da deficiência das infra-estruturas e de não haver incentivos à descentralização. Por isso, vive-se até mais tarde mas há poucas crianças. No Alentejo nasce-se ainda menos que no resto do país. O avanço da desertificação desacelerou, porém. Entre 1991 e 2001, data do último recenseamento, a região, com pouco mais de meio milhão de habitantes, ganhou 14 mil habitantes por via da migração.

MUDANÇA RADICAL

Com 23 anos e recém-licenciada em design, Sandra Botelho estava saturada das noitadas estudantis e da agitação da cidade enquanto Joris Dalle deixou para trás o curso de pintura em Bruxelas para começar uma vida com a namorada portuguesa. Queria ficar em Portugal mas não em Lisboa, num apartamento, e, em férias sucessivas no nosso país, tinha gostado de estar na quinta junto à Aldeia da Serra de Ossa que o tio da Sandra comprara no início dos anos 80. A casa fora recuperada e estava servida por energia solar à justa para a família alargada passar os fins-de-semana. Quando pensaram em instalar-se lá não foram contrariados.

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“Não estou arrependida mas acho que viemos cedo demais”, diz a Sandra. “Foi uma mudança muito radical. Há coisas que se tivéssemos sabido antes não tínhamos feito”. “A verdade é que parecia-me que já tinha visto tudo na cidade. Sabia bem que era difícil arranjar trabalho, mas a minha ideia era vir pintar”, explica o Joris.

A Sandra também queria fazer cerâmica mas foi desistindo quando foi contratada como professora de desenho pelo Ministério da Educação, e passou a dar aulas no Redondo e Vila Viçosa sucessivamente. Entrou finalmente para o quadro e, como a região do Alentejo é enorme, passou a ser colocada cada vez mais longe de casa. À razão de uma escola por ano, tem leccionado em Portel e Alcácer do Sal e está agora em Vendas Novas.

“As coisas boas são mais do que as más”, assume a Sandra e quando a Irma nasceu, em 1998, o casal sentiu que a vida no campo ganhava ainda mais sentido. Já tinham casa própria, nas Fontainhas da serra, comprada a preço módico mas muito precisada de obras, feitas ao ritmo dos seus ganhos. Depois, em 2003, nasceu o Luís – também em Almada como a irmã porque a mãe não confia nos serviços do Hospital de Évora. O direito à saúde é, nesta região, quase sempre letra morta a não ser que se possa pagar. A Irma e o Luís são, por isso, acompanhados por um pediatra particular. “O médico de família só dá consultas na aldeia à sexta-feira. Não podemos ficar doentes ao sábado. E não há pediatria no centro de saúde, só clínica geral”.

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Sandra conhece bem as escolas do II e III ciclo mais próximas, no Redondo, e diz que têm condições razoáveis mas não acha o mesmo da escola primária que a Irma frequenta, onde há apenas uma casa de banho turca (aquelas com um buraco no chão) para meninas e outra para meninos. “O professor da Irma é bastante bom mas a escola não é vedada. Isso não é seguro para as crianças. Qualquer pessoa pode lá entrar. E não pode responsabilizar-se uma criança a não sair de lá.”

Mas viver aqui é compensador. Há muito espaço para as crianças. E há tempo, nota Joris. Sandra gosta do contacto com a natureza. “No dia-a-dia, em termos de educação e aprendizagem das crianças, é melhor. Vêem as plantas a crescer na horta e ajudam a tratar dos animais. Depois temos a faculdade de ir à cidade, ver espectáculos.” Os pais sabem, porém, que vai chegar o momento em que terão de transportar a Irma e o Luís para estarem com os amigos da sua idade. Mas aqui, ao tempo dá-se tempo.

SONHOS

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Electricidade? Telefone? Água canalizada? Aqui tem de conquistar-se tudo e muitas vezes pagar para ter. Depois há que continuar a reclamar para melhorar o serviço. Se o vento é forte, e há chuva ou trovoada, é certo que o telefone vai avariar. Internet de banda larga? Muitos querem, mas não podem ter. E como se explica ao marketing da Telepac, a ligar de Lisboa, que se está a mais de quatro quilómetros de uma central da Portugal Telecom (PT) e já se devolveu o equipamento comprado credulamente da primeira vez que o serviço foi oferecido?

Os que chegam têm em comum a força de vontade com que arrostam com os “nãos” e a burocracia nas câmaras – as grandes empregadoras locais – onde alguns funcionários gerem pequenos poderes e não compreendem a urgência de quem chegou e é mantido à espera de licença para viver.“Quando nós começámos a fazer casas modernas vieram vocês a querer fazer casas à antiga”. Foi com este queixume que um empreiteiro desistiu de reerguer o casario da herdade de Água d’Alte.

Alexandra e Victor Fernandes chegaram à Serra de Ossa em 1999, após a demanda, por uma década, de casa no Alentejo. A paixão começou em 1990 quando ela deu aulas em Montemor-o-Novo e viveu lá com o marido, comandante da transportadora aérea portuguesa, e filhos. Depois, quando o ensino a levou para outras paragens, andaram nove anos naquela coisa do “vejam lá se nos arranjam qualquer coisa” aos amigos até que decidiram tratar do assunto com agências imobiliárias.

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Fizeram 1800 km entre Beja e Estremoz em busca da casa dos seus sonhos. No banco de trás do carro, com muita vontade mas algo incrédulos na mudança, iam a Joana e o Victor, com 11 e 15 anos respectivamente.

Foi, porém, a jantar no ‘Barro’, do Redondo, propriedade de outro piloto da TAP, que souberam que Água d’Alte estava à venda. Gostaram muito do casario, em ruínas, onde nasceram muitos dos habitantes mais velhos da Aldeia da Serra.

“Já não dormi bem enquanto não garanti a compra”, diz o piloto. “ Tínhamos vontade de fazer qualquer coisa ligada ao turismo. Na altura julgava que com 30 mil contos fazia isso”. Pensavam eles que era picar paredes, rebocar, telhar e fazer umas casas de banho… Desenganaram-se quando caiu a primeira parede.

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Informaram-se então sobre os apoios para recuperar casas para o turismo rural mas o sonho ganhou contornos sombrios. “À medida que íamos levando pontapés no estômago pusemos em causa a continuidade do projecto com apoios.” Além dos obstáculos que têm tido de superar por ter escolhido esta via, peripécias sucessivas com empreiteiros decidiram-nos a criar uma empresa de construção civil própria. Nessa altura já tinham vendido a casa em Lisboa e estavam alojados tão precariamente num monte alugado que decidiram mudar-se para o estaleiro das obras.

“A maior parte dos males de que o nosso país enferma é porque os políticos não vivem no país real. Esquecem-se que a vida é feita da microeconomia e não da macroeconomia. Não há incentivos à descentralização.”

Em cinco anos o Victor fez 250 mil km, entre Lisboa, de onde descola, e a casa onde vive. Mas se tem queixas da burocracia e das abstracções dos políticos, empenha-se em cumprir um papel na definição do que será o Alentejo do futuro, terra de encontro de culturas que tem assimilado gentes muito diferentes. “Compreendo que os locais pensem que não somos normais mas quero que percebam que vim para aqui porque gosto muito disto”, diz o açoriano. Alexandra gosta da paz e do sossego que aqui encontrou. “Gosto muito da paisagem, aberta, e da gente de cá. São muito curiosos mas mostram logo as dúvidas todas.”

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A viver, finalmente, na casa restaurada que agora é espaço de receber em turismo rural, confrontam-se com o facto de os filhos estarem a iniciar a sua independência. “Faltou-lhes atenção. Foi sangue, suor e lágrimas durante este tempo”, explica a mãe.

A Joana, agora com 16 anos, foi estudar para Évora, a cerca de 50 km. Vai e vem diariamente, no autocarro que parte bem cedo do Redondo e só regressa pelo cair da tarde.

Quanto ao Victor, aos 20 anos já partilha uma casa com um amigo, em Évora, apesar de ter amigos e namorada no Redondo. “Aqui estamos resumidos em termos de pessoas da nossa idade e não temos internet de banda larga. O Redondo é terra pequena e as pessoas habituam-se e não saem de lá. E Évora é um Redondo grande.” Um dia, o Victor quer fazer o caminho inverso ao dos pais. Mas não quer ir para Lisboa. Vai para Londres e talvez fazer a sua sorte como músico.

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À MARGEM

Ana Nobre de Gusmão e Michael Biberstein decidiram viver no Alentejo há cinco anos, mas já têm tanta experiência de vida em zonas rurais como em cidades grandes. Lisboa e Nova Iorque primeiro, Penedo em Colares e a herdade da Fonte Santa, junto ao Redondo, depois. Foram despejados do “paraíso” na aldeia do Penedo pela classificação de Sintra como Património Mundial, quando a auto-estrada Lisboa-Cascais tornou insuportável a pressão humana na zona. Foi o fim de dez anos de idílio, integrados numa pequena comunidade em que a tolerância e aceitação da diferença pontuavam as relações humanas, dado haver muitos estrangeiros e pessoas de diferentes opções sexuais que a constituíam. Robert Wilson, vizinho antigo que se tornou um amigo constante, mudara já para a Serra de Ossa e foi por indicação de uma amiga dele que compraram a herdade.

Planeavam então distribuir o tempo entre Lisboa e a casa, mais próxima do Redondo mas em caminho para o Alandroal. Três dias num sítio e quatro no outro, é vida de andarilho e ruína financeira quando levantar paredes custa tanto dinheiro. É que o sítio é lindo mas nos dois hectares, atravessados pela ribeira de Lucefecit, as ruínas dominavam a paisagem.

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A verdade é que a escritora vende poucos livros e o pintor, não obstante o reconhecimento internacional da sua obra, tão pouco vende muitos quadros. O Penedo foi sacrificado e a planície é que ficou a ganhar.

Ana não tem pejo em assumir-se como uma urbana que vive no campo e não passa sem ir uma vez por semana a Lisboa. Confessa, porém, que quando fica aí alguns dias já não consegue trabalhar. “Tudo me distrai. Perco o dia sem fazer nenhum e por isso, quando vou lá acima, vou de folga.”

E quanto à escrita no Alentejo? “Não escrevo melhor e continuo a escrever sobre temas urbanos. Mas é mais fácil concentrar-me”. É que aqui consegue manter-se “longe da onda do ir beber um café”.

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Já Michael passa bem longas semanas afastado da agitação das cidades, entre o atelier, perto do Alandroal, e a casa na herdade. Ao pintor basta a frequência com que sai para ir inaugurar exposições em vários países da Europa.

“É óptimo sair e voltar”, diz a escritora, para confessar logo a seguir que um dos seus maiores prazeres nos últimos anos é “deixar a estrada de Lisboa para o Algarve e virar para o Alentejo”. Sem qualquer ligação à região para além da filiação – o pai era de Mourão – diz que a adaptação não tem sido pacífica.

A electrificação até à sua casa e às de familiares e amigos que entretanto ali se juntaram custou nove mil contos, mas a conta foi partida por quatro. O problema da falta de água canalizada resolveu-se de forma banal, com um furo mas o telefone é que não há maneira de funcionar bem quando começa o Inverno. Tiveram uma linha RDIS mas desistiram porque as variações de tensão inutilizavam frequentemente a caixa. Agora têm duas linhas analógicas mas riem-se sempre que o marketing da Telepac teima em dizer-lhes que podem ter banda larga quando os técnicos da PT nem conseguem evitar que a ligação “caia” tão frequentemente que grande parte das contas telefónicas é para pagar comunicações interrompidas.

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Quanto à relação com as gentes locais assume: “Estamos à margem da população. Não temos que passar por nenhuma aldeia para vir para casa e por isso ninguém controla os nossos movimentos. Acho que fui bem aceite. Não tenho atitude de citadina. Mas até as senhoras da caixa no supermercado sorrirem para mim demorou um ano”.

CRITICAR O QUE SE AMA

Luís Martins e Anabela Teixeira chegaram a Évora em Maio de 2000. Na bagagem traziam a esperança, animada por conversas com amigos ligados à universidade, no sucesso da criação de uma livraria. O casal queria deixar para trás o bulício de Lisboa e da paixão comum pelos livros despontou a perspectiva de vir colmatar uma suposta lacuna de oferta nessa área na cidade norte-alentejana.

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Quase cinco anos depois, com a Som das Letras mesmo ao pé da Praça do Giraldo, a mudança de vida é uma conquista ganha a custo mas saboreada com muito gosto. Hoje, riem-se das reacções extremas que despertam as suas andanças – entre o encantamento deslumbrado sobre a existência na capital da planície dourada e a estranheza de quem julga que não há vida fora da cidade branca. As contrariedades estão, porém, longe de estarem vencidas.

Com trinta mil habitantes, dos quais dez mil são estudantes ou professores, em que a classificação como Património da Humanidade teve o efeito perverso de fazer disparar os preços do sector imobiliário, Évora é uma das cidades do país em que o custo de vida é mais elevado. “É uma cidade pequena, com um centro económico reduzido. Por um lado, é bom que tenha resistido aos centros culturais mas é uma cidade cara e essa é uma das dificuldades que tivemos”, afirma o ex-publicitário que passou pela Saatchi e esteve um ano no Brasil a trabalhar nessa área antes de se mudar para o Alentejo.

O seu projecto conquistou um público e foi bem recebido pela universidade e câmara municipal locais mas a verdade é que, apesar do potencial, a cidade não é tão desenvolvida culturalmente quanto esperavam. “As dificuldades são as inerentes a estarmos no interior alentejano. Évora tem um centro, a Praça do Giraldo e ruas envolventes. Nós estivemos anos fora desse centro. Instalámo-nos junto a dois pólos da universidade – o de línguas e o de teatro. Mas era uma zona habitacional, com a agravante de não estar em desenvolvimento”.

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Luís Martins acredita que o projecto que o trouxe com a Anabela até aqui tem um potencial muito grande. Évora tem, no entanto, concorrência neste ramo que, somada à crise económica actual, têm obstado ao êxito da livraria.

“Não foi fácil. Não é fácil. Não quero parecer um grande crítico. “Só podemos criticar o que amamos”, dizia o Miguel Esteves Cardoso. Lisboa e Évora, são meios muito diferentes. Só quem vem pontualmente como turista é que não reconhece as diferenças. A interioridade melhora muito a qualidade de vida, mas tudo o que tenha a ver com desenvolvimento é mais difícil”, diz o Luís.

DO ALENTEJO PARA O MUNDO

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É na serra alentejana que Robert Wilson escreve as intrigas que o tornaram um dos mais apreciados escritores policiais da actualidade. ‘O Último Acto em Lisboa’ revelou-nos o britânico que escolheu Portugal para viver com a sua mulher, Jane, há uma década e meia e lhe trouxe a ele o prestigiado Golden Dagger Award.

A história da vinda para o Alentejo escreve-se por linhas tortas, ao sabor da aventura, mas também de um conceito de bem-estar preciso. Começa em Londres, quando os recém-casados decidem viajar por África, numa carrinha e com muito pouco dinheiro. De regresso, “e após um ano a dormir no campo, era impossível manter a vida que tinha”.

Anos antes, Wilson atravessara a Península Ibérica de bicicleta, e Sintra deixara-lhe boa memória. Reincidiu, com Jane, que gostou dos portugueses.

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Arrendaram o apartamento em Londres e mudaram-se para Portugal, à experiência, em 1989. Já tinha em mente que o que queria era escrever mas para ganhar a vida, empreendeu negócios de exportação e importação. O idílio na zona durou até que Sintra se encheu de gente, em 1992.

Rumaram então ao sul, onde tinham sabido de um monte à venda na Serra de Ossa. “Era isolado e não estávamos preparados para esse tipo de vida” mas arriscaram e não se arrependeram.

Não que fosse fácil. A venda do apartamento em Londres financiou os dois anos em que Robert pôde escrever sem constrangimentos. O reconhecimento tardou um pouco mas o escritor, agora consagrado, tem a consciência de que viver em Londres não teria acelerado o processo. A qualidade de vida no Alentejo ganhou-o. “Quando não tinha quase nenhum dinheiro pude sempre comer e beber vinho”, lembra-se. O mais difícil para o casal foi viver sem notícias, num sítio isolado.

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O seu êxito actual permitiu-lhe dotar o monte de energia solar suficiente para as necessidades e conseguiu progressos com o telefone, quando a PT instalou um equipamento sem fios (de tecnologia israelita algo antiga e que por isso não lhe permite ter mais largura de banda em termos de internet) que pelo menos não o deixa à mercê das intempéries.

Apesar das muitas viagens que o reconhecimento como escritor lhe trouxe, este é o seu lar e o seu prazer maior é o “desta vista sem casas. Só paisagem…”

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