Nuno da Câmara Pereira: “Passeei vestido de árabe”
Fiz uma viagem de carro com toda a família pelas quatro cidades imperiais de Marrocos
A viagem que mais me marcou foi a Marrocos, com a família, no início dos anos 2000. Fomos de carro, eu a minha mulher e os três filhos, e partimos de Lisboa com a intenção de conhecer as quatro cidades imperiais: Fez, Marraquexe, Rabat e Meknès.
Fiquei fascinado com aquele país, de enormes contrastes, onde o luxo e a pobreza convivem e onde ainda se sente a presença portuguesa.
AS IMPERIAIS
A cidade de Fez, fundada pelo sultão Idris I em 789, foi um ponto marcante nesse percurso. Tem uma localização privilegiada, no centro norte de Marrocos, em terra desértica e agressiva. Em Marraquexe, a cidade vermelha, encantei-me com os souks, onde passeei vestido de árabe, e a Medina antiga, com a imensa confusão das ruas cheias de gente.
O que me entusiasmou em Marrocos foi ver como os marroquinos se sentem próximos de nós e, apesar de falarem connosco em francês, mantêm uma enorme afinidade nos gostos, na música, nos hábitos. Vi isso em El Jadida, cidade geminada com Sintra, de frente para o Atlântico, para onde fomos de camelo, num percurso de trinta quilómetros.
Claro que, nesta viagem, nos perdemos de amores também pela gastronomia – uma verdadeira obra de arte, colorida e sensorial – pelas cores do deserto e pelo artesanato local, com o qual enchemos o nosso carro de recordações.
FICHA
PAÍS: Marrocos
CAPITAL: Rabat
MOEDA: Dirham
HABITANTES: 33 757 175 (estimativa de 2007)
VAI GOSTAR SE…
aprecia a cultura e a arquitetura árabes, gastronomia e paisagens áridas
SUGESTÕES
VIAGEM
Para ir de carro a Marrocos deve seguir para o sul de Espanha e apanhar o ferryboat em Algeciras para Ceuta ou Tarifa-Tânger e continuar a viagem. Ver preços em www.frs.es.
ESTADIA
Em Marraquexe há hotéis para todos os preços. No site booking.pt duas noites no La Maison Arabe (*****) custam 476 euros; no riad L’Heure d’Été 94 euros.
GUIA DA VIAGEM
O QUE MAIS GOSTEI:
Encontrar um país de contrastes. Em Marraquexe passei alguns dias num hotel luxuoso, um dos melhores do Mundo, e passeei nos souks, mercados a céu aberto, onde o passado espreita a cada esquina.
O QUE MENOS GOSTEI:
A pobreza, que é visivelmente marcante nas zonas da fronteira.
NÃO SE ESQUEÇA DE:
Visitar os monumentos, parar nas cidades imperiais, visitar com particular atenção Tânger, Fez e El Jadida, onde a presença portuguesa tem mais força. Aprecie a gastronomia típica e não fuja ao prazer de, como os locais, comer com as mãos.
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