O patinador que representou um País sem gelo
A dois dias do início dos Jogos Olímpicos de Inverno, disputados na cidade japonesa de Nagano, o Correio da Manhã dava a conhecer Fausto Marreiros. Aos 31 anos, o patinador nascido na Holanda preparava-se para representar Portugal na competição e dizia-se preparado para obter um bom resultado.
Em 1997, Fausto Marreiros sabia que os Jogos Olímpicos do ano seguinte, em Nagano, seriam a sua última oportunidade de estar no maior evento dos desportos de Inverno. Especialista em corridas de maratona no gelo, o patinador lesionou-se com gravidade. Percebeu que não conseguiria recuperar a tempo de discutir uma vaga na selecção da Holanda e o passaporte português foi a sua tábua de salvação.
"Sou filho de pai português e mãe holandesa, tenho dupla nacionalidade. A Holanda só tinha três vagas para os Jogos, pelo que a única forma de estar em Nagano era a representar Portugal. Mas fi-lo com orgulho", explicou à Domingo ao telefone, a partir de Amesterdão.
ODISSEIA
Fausto penou durante longos meses até se conseguir inscrever como atleta de um País que nem sequer tinha federação. "Tive de ser eu a tratar de todo o processo, foi muito demorado." E só em Janeiro de 1998, um mês antes dos Jogos, conseguiu apurar-se para a prova de 5 mil metros de patinagem, prova na qual tinha pouca experiência.
O resultado não foi brilhante – ficou em 31º entre 32 concorrentes, mas valeu a experiência. "A concorrência era demasiado forte. Mas foi uma emoção representar Portugal com a esquiadora Mafalda Queirós Pereira."
Fausto tem hoje 42 anos. Vive na Holanda, onde trabalha como consultor e treinador de patinagem. Mas não passa sem férias de Verão em Lagos. "Tenho dois filhos adolescentes e eles são loucos por Portugal", conta.
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