O que é preciso é abertura de espírito

A abertura de espírito não está nos seus melhores dias.

28 de janeiro de 2018 às 11:28
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E é pena, porque além de ser uma maneira civilizada de viver com os outros, ela tem benefícios interessantes, e imediatos, para o próprio: põe-nos a viver noutro mundo, literalmente.

A disponibilidade para novas experiências, a capacidade de ouvir os outros e de nos interessarmos por eles são traços comportamentais, aspectos da personalidade importantes numa pessoa. A abertura a novas experiências, a receptividade à mudança, é um dos traços de personalidade mais importantes. Ele está ligado à criatividade, à curiosidade e ao gosto pela arte e pela cultura. No entanto, tem vindo a perceber-se que esta característica vai além das consequências que tem na nossa personalidade. Ficou recentemente a saber-se que a abertura de espírito a novas experiências nos põe a viver num mundo diferente, perceptual e cognitivamente mais rico e estimulante.

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A abertura a experiências está associada a uma maior inteligência, a uma maior capacidade cognitiva. Isto é importante porque a ciência tem vindo a confirmar que a inteligência, analítica, espacial, relacional, musical, etc., não é estática; treinada e estimulada pode melhorar ao longo da vida. É um aspecto de relevo, por exemplo, na protecção contra a demência e outros danos cerebrais que podem surgir em idades avançadas.

Numa investigação publicada no ‘Journal of Research in Personality’ mostra-se que as pessoas de mente mais aberta têm uma percepção visual mais apurada do mundo. Numa experiência realizada entre 134 universitários, na sequência de um questionário para apurar a abertura a novas experiências, identificando assim um dos aspectos da personalidade dos estudantes em causa, apresentaram-se duas imagens: uma, um padrão de riscas encarnadas; outra, um padrão de riscas verdes. Os participantes cujos testes de personalidade indicavam serem mais abertos a novas experiências mostraram uma percepção mais fina. Além de verem os dois padrões, como todos os outros participantes, eles viam também um terceiro. Quando os outros dois padrões se sobrepunham, o das riscas encarnadas e o das riscas verdes, os voluntários com maior abertura de espírito viam ainda um padrão de riscas castanhas.

Além disso descobriu-se que se se criasse um ambiente mais positivo, por exemplo, com uma música alegre, mais voluntários viam aquele terceiro padrão. Quanto maior é a abertura a experiências e à boa-disposição, mais a percepção tende a tornar-se apurada e o mundo mais estimulante.

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