O que é que a zumba tem?

Modalidade ao som dos ritmos latinos tem cada vez mais procura nos ginásios de todo o mundo

03 de fevereiro de 2013 às 15:00
O que é que a zumba tem? Foto: Bruno Colaço
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O que leva 14 milhões de pessoas no Mundo a suar ao ritmo da zumba? Para alguns é "a magia dos sons latinos", para outros a possibilidade de "queimar até 800 calorias numa hora", para todos a imensa "alegria de fazer exercício sem grande pressão".

A verdade é que a febre da zumba se instalou nos ginásios portugueses, de norte a sul do País. Que o diga Paula Martinho, instrutora de 31 anos, que dá cerca de quatro aulas por dia desta modalidade. "Há muita procura. São mais as mulheres, mas cada vez começam a surgir mais homens. Zumba tem um bocadinho de fitness, alongamentos, é uma modalidade de alta intensidade, mas o esforço adapta-se a cada aluno."

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AULA PARA TODOS

A aula das 18h30 no ginásio Holmes Place das Amoreiras, em Lisboa, é uma das mais animadas e concorridas. Cerca de 20 pessoas – 18 mulheres e dois homens – juntam-se ao fim do dia numa sala para seguir as instruções de Paula Martinho. Há gente de todas as idades, com mais ou menos experiência, e todos elogiam "a garra da professora".

Raquel Tavares, 23 anos, estudante de Medicina Dentária, exibe no corpo as horas de treino. "Venho ao ginásio quatro dias por semana e faço outras modalidades, mas a zumba ajuda-me a manter o equilíbrio. Tem semelhanças com a aeróbica, com mais movimento, é diversificada e liberta a tensão. Para mim, isso é muito importante", confessa a futura dentista, que admite até vir a ser também instrutora: "Já esteve mais longe."

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Estreante nestas andanças, David Martins, 22 anos, empregado num call center, não se faz rogado em seguir a coreografia, apesar da falta de treino: "Não é difícil, tem a vantagem da música latina, o que ajuda bastante, mesmo a quem não costuma fazer exercício." David entrou no ritmo a convite de Paulo Libório, 48 anos, empresário, e Teresa Lopes, 51 anos, gestora. E só de olhar para as roupas de treino, nota-se quem é mais batido no ginásio.

Teresa e Paulo vestem a rigor, tops coloridos e calções justos, bem adequados ao calor do Caribe. "A zumba é o exercício ideal. Só nesta aula queimei 854 calorias", frisa Paulo, ao olhar para o monitor de pulso. Com um sorriso aberto e o corpo cheio de energia, Teresa – que também faz RPM, máquinas, body contact e full contact – garante que esta modalidade tem "a dose certa. A base da zumba é a alegria é é isso que procuro no ginásio. Faz bem ao corpo e à mente".

Maria Jorge, 52 anos, médica, adianta que "uma das grandes vantagens da zumba é poder adequar-se ao que cada pessoa pretende. A aula depende da paixão do instrutor e da sua capacidade para transmitir esse sentimento mas, acima de tudo, há muita liberdade para cada um dos praticantes adaptar-se ao seu ritmo. Inicialmente, estive hesitante em fazer danças latinas, porque gosto muito, no entanto optei pela zumba por entender que obriga a mais exercícios e é mais completa".

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O COLOMBIANO INVENTOR

Apesar dos movimentos parecerem intuitivos, a zumba tem um trabalho rigoroso por trás. Paula Martinho fez um curso especializado nesta modalidade, criada na década de 1990 pelo colombiano Beto Perez, e hoje dá aulas em vários locais: Lisboa, Odivelas, São Marcos e outros que tenham espaço na sua apertada agenda.

Reza a lenda que a zumba nasceu de um improviso, quando Beto Perez esqueceu as gravações com música para a aula de aeróbica e usou a sua gravação pessoal com temas latinos. O sucesso da aula levou o coreógrafo a trabalhar com exatidão os passos adequados a um treino físico. Depois de um trabalho intenso no país de origem, mudou-se para os Estados Unidos, onde criou a Fitness Quest, lançou uma linha de ‘home videos’ e formou novos instrutores que espalharam a zumba por 150 países. Além de França e Espanha, Portugal é um dos países europeus onde a modalidade tem mais sucesso, como se verificou no passado fim de semana no centro do País, na cidade de Viseu.

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TODOS ‘ZUMBAM’

A música latina, flamenga, tango, salsa e merengue começou a tocar e os ritmos quentes depressa contagiaram as cerca de 150 pessoas que se juntaram no Pavilhão do Inatel, em Viseu, para conhecer e praticar, durante cerca de 60 minutos, a modalidade zumba gold. A aula aberta e gratuita era direcionada à população sénior, mas a verdade é que homens e mulheres (em maior número), de todas as faixas etárias, responderam ao desafio lançado pelo ginásio FFitness – Health Club Viseu.

"Adorei a experiência. Nunca tinha praticado, mas a alegria apoderou-se de mim e senti--me outra vez uma jovem a dançar e a mexer como já não fazia há muito tempo", disse Laura Vasconcelos, 89 anos.

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Zumba gold é uma modalidade que visa a atingir pessoas com mais de 65 anos de idade. Utiliza a fórmula da zumba e modifica os movimentos e ritmos para se adequar às necessidades dos idosos ativos, mesmo os que têm mobilidade reduzida, bem como aqueles que estão a iniciar uma jornada em direção a um estilo de vida mais saudável. Desta vez, a aula tinha uma atração especial: o instrutor colombiano, radicado em Paris, Hermann Melo, considerado um dos melhores do Mundo devido ao conhecimento técnico e energia que transmite a cada passo.

"Ele é diferente. Um fora de série, porque a interação que cria com o público sente-se e toda a gente se mexe com um sorriso nos lábios", explicou Elisa Tavares, 32 anos, praticante de zumba há cerca de dois anos.

Hermann Melo teve o primeiro contacto com a modalidade em 2009, "ficou encantado e nunca mais a largou", por ser "fácil, divertida, eficaz e diferente". Para o profissional de 30 anos, é uma satisfação ouvir os idosos dizer: "Eu também posso!" e destaca "a saúde, a componente psicológica e o espírito de grupo" como as mais-valias da modalidade.

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A cidade de Viriato foi a primeira no País a receber uma formação de zumba gold. Formadores e estagiários oriundos maioritariamente da Península Ibérica deslocaram-se ali e durante dois dias aprenderam e apreenderam sob a batuta do mestre Hermann Melo.

A experiência em Viseu "superou largamente as expectativas. A nossa sociedade está envelhecida e temos de ocupar e divertir os nossos idosos que tanto trabalharam, é nossa obrigação retribuir", referiu Sónia Nascimento.

Para a diretora técnica do FFitness viseense, a zumba gold "é benéfica para as articulações, sistema cardiorrespiratório e circulação, mas é sobretudo um excelente antidepressivo".

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