Paula Brito e Costa: Quem a viu e quem a vê

Em poucos dias a fundadora da Raríssimas deixou de ser considerada mãe-coragem e ficou no epicentro de um escândalo.

17 de dezembro de 2017 às 15:00
Paula Brito e Costa, presidente, associação, Raríssimas Foto: Marisa Cardoso
Paula Brito e Costa, presidente, associação, Raríssimas Foto: Jorge Paula
Paula Brito e Costa e o ministro Vieira da Silva num evento a posar para uma selfie Foto: Direitos Reservados
Paula Brito e Costa, presidente, associação, Raríssimas Foto: Marisa Cardoso

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Há quem garanta que o ponto de viragem foi a inauguração da Casa dos Marcos, agora ameaçada por falta de fundos, pois a obra em prol de crianças com doenças raras foi manchada por uma polémica que afasta mecenas. Quem nisto acredita recorda Paula Brito e Costa ("da Costa"nos documentos oficiais), de 51 anos, como a mãe-coragem que nunca desistiu ao longo dos 17 anos de vida de Marco, seu primogénito, morto antes da inauguração das instalações que custaram quase 4,8 milhões de euros a construir na Moita, juntando lar residencial, unidade clínica e espaço de cuidados continuados.

Quem a conheceu nas modestas instalações da Ajuda, antes de exigir ser "tratada como merece" pelos intimados a levantarem-se à sua passagem e a chamarem "doutora" a quem deixou a licenciatura em Filosofia a meio, recorda uma "força da natureza" que começou por procurar soluções para o filho, nascido com a sina de padecer de Cornelia de Lange, doença que afeta o desenvolvimento orgânico e cognitivo, e que a 12 de abril de 2002 mobilizou mais 14 pessoas para criar a Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras.

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Outro fundador foi o marido, Nelson Costa, um dos vértices do abraço com que Paula selou a inauguração da Casa dos Marcos, a 25 de novembro de 2013, sendo o outro o filho mais novo, César, a quem chamou "herdeiro da parada" numa reunião com funcionários, revelada numa reportagem da TVI. Tal como a mãe, pai e filho foram bem pagos pela Raríssimas - Paula recebe três mil euros mensais, duplicados por despesas de representação, contornando as regras das instituições particulares de solidariedade social como diretora-geral, Nelson aufere 3200 euros e César, ainda a estudar, leva 1200 euros para casa.

MITOS E REALIDADES

Nas muitas entrevistas que deu antes das notícias que levaram à sua demissão de presidente - mas não de diretora-geral - da Raríssimas -, e também à demissão do secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que contratou como consultor e com quem demonstrou, numa viagem ao Brasil, aquilo que em eufemismês se chama cumplicidade, Paula revelou fragmentos do seu percurso, por vezes referindo-se a si própria na terceira pessoa, nem sempre facilmente confirmáveis.

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Diz ter sido manequim profissional durante nove anos, mas quem está na moda portuguesa desde os anos 80 nunca dela ouviu falar, e garante ter sido a "coqueluche da ginástica do Sporting", ao ponto de representar a secção no funeral do ciclista Joaquim Agostinho. Terá sido na viagem para Torres Vedras, em maio de 1984, que a então adolescente encantou o futuro marido, um dos primeiros cinturões negros de taekwondo em Portugal, já divorciado e quase 12 anos mais velho. Tiveram um quiosque de jornais no cruzamento das avenidas Defensores de Chaves e Visconde de Valmor, em Lisboa, antes de surgirem nas páginas por boas e más razões.

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