PERIGO IMEDIATO

Por entre frios neonazis, terroristas sem rosto e políticos com pouca palavra, o agente da CIA, Jack Ryan, volta a salvar o mundo em A Soma de Todos os Medos

20 de setembro de 2002 às 15:31
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Um míssil nuclear perdido no deserto durante o conflito entre Israel e o Egipto, em 1973. Um grupo de neonazis saudosos que querem acabar com o mundo. Um novo Presidente na cúpula do Kremlin. A iminência de uma terceira guerra mundial entre as duas tradicionais superpotências. Um ambicioso agente da CIA que descobre que a verdade raramente está a tona de água. O enredo só poderia ter sido criado por Tom Clancy, o escritor norte-americano que mais linhas discorreu sobre virtuais jogos de guerra.

A Soma de Todos os Medos é o quarto episódio da saga de Jack Ryan, o espião ao serviço do Presidente dos Estados Unidos, que saltou dos techno-thrillers de Clancy para o grande ecrã.

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O filme realizado por Phil Alden Robinson – o mesmo de Campo de Sonhos – sucede a Caça Ao Outubro Vermelho (1990), a Perigo Imediato (1994) e Patriot Games (1994).

Ben Affleck é o agente que se segue depois de anteriores interpretações de Alec Baldwin e Harrison Ford. O actor de trinta anos, com uma carreira irregular em Hollywood, já investiu em projectos megalómanos e flops de bilheteira como Pearl Harbor, mas também em verdadeiras jóias do cinema moderno. Quem pode esquecer O Bom Rebelde, escrito a meias com Matt Damon e que lhes valeu um Óscar de Melhor Argumento Original?

O restante elenco é de um luxo quase asiático. Morgan Freeman, como director da CIA, James Cromwell e Alan Bates dão a estaleca suficiente às suas personagens, que se movem num enredo bombardeado por terroristas sem rosto ou políticos de palavras dúbias. Como acontece habitu-almente nas novelas de Clancy, ninguém tem autorização para respirar pausadamente e a ficção habilmente misturada com eventos contemporâneos como a guerra da Tchetchénia, o conflito em Grozny ou as tensas relações entre a Europa e a América.

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Infelizmente, A Soma de Todos os Medos padece do mesmo mal que afecta dezenas de filmes pós-11 de Setembro: um certo patriotismo exacerbado.

A mensagem que USA do it better começa a cansar. Já perdemos a conta das vezes que assistimos ao Presidente norte-americano a decidir o futuro da humanidade. Não estará na altura de mudar de argumento?

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