RAQUEL ROSA: NO TOPO DO MUNDO
Ainda não acabou o curso de Gestão mas já sonha em trabalhar numa multinacional no estrangeiro. A estudante da Católica está certa que só os melhores resistem no mercado de trabalho mas trunfos não lhe faltam.
Se os dias tivessem mais de 24 horas, o mais provável era Raquel Rosa, 22 anos, finalista do curso de Gestão de Empresas na Universidade Católica, ter conseguido conciliar os estudos com as braçadas na piscina. “Tinha quatro anos de idade quando comecei a praticar natação. Aos nove, já entrava em competições.” Há dois anos deixou o desporto para se dedicar à carreira académica. “Estava a tornar-se impossível ter tempo para tudo”. Talvez se tenha perdido uma atleta mas o tecido empresarial português ficou mais ‘rico’ porque ganhou uma jovem ansiosa por ‘mergulhar’ no competitivo mercado de trabalho.
Apesar da taxa de desemprego entre os recém-licenciados continuar a crescer, a futura empresária não desanima: “Nesta área, há ainda muita oferta. Mas como não quero correr riscos, já ando à procura de emprego”. Raquel sabe que a média de 16 não basta. No currículo leva ainda a experiência do programa Erasmus, que lhe permitiu concluir o 4.º ano na Dinamarca, onde esteve seis meses. Uma experiência que a finalista quer repetir mas, desta vez, para trabalhar. “O meu sonho era conseguir um lugar numa multinacional no estrangeiro durante dois ou três anos.” A um passo de concluir os estudos, mostra--se confiante no seu futuro. E no do País: “Fala-se muito que os portugueses estão deprimidos, mas apesar de sermos o país do fado, melhores dias virão”.
NEM TUDO SÃO ROSAS
Não liga muito à política mas lê todas as semanas o ‘Expresso’ para se manter informada. E raramente vê televisão. Mesmo assim, acompanhou de perto a invasão do Iraque e, ainda hoje, não acredita nos motivos dos americanos. “Desrespeitaram tudo e todos só para fazerem valer os seus interesses”. Quando a conversa desliza para o tema ‘política à portuguesa’, não hesita e coloca-se ao lado do PS mas ressalva: “Nem tudo são rosas e há muitos espinhos no PS”.
Assume-se como liberal e apressa-se a dizer que o casamento tem vindo a perder importância: “Para se viver com a pessoa que se ama não é preciso ter um papel passado. Se bem que mais tarde ou mais cedo seja útil, nem que seja por motivos fiscais.”
Com os conhecimentos de Gestão adquiridos, a aluna tem conseguido dar a volta à crise económica – “Um fenómeno que já teve dias piores”. Cerca de 200 euros por mês é quanto Raquel recebe dos pais e com esse montante paga as refeições na faculdade, fotocópias e saídas à noite com os amigos ou o namorado (estudante de Arquitectura). Durante o fim-de-semana, é no Bairro Alto que se sente mais à-vontade para conversar porque não gosta de discotecas: “Nem sequer gasto muito dinheiro em bebida porque só bebo cerveja ou sangria. É por isso que nunca apanhei grandes bebedeiras”, garante.
Ultimamente teve de cortar em alguns luxos, como jantares ou idas ao cinema, para fazer ‘render’ a mesada. Depois de feitas as contas, também optou por deixar o carro (um Renault Clio) parado à porta de casa, em Almada, preferindo os transportes públicos para se deslocar até à faculdade – “mais uma forma de poupar alguns euros ao fim do mês”.
B.I.
Nome: Raquel Rosa
Universidade: 5.º ano do curso de Gestão de Empresas, da Universidade Católica Portuguesa
Idade: 22 anos
Residência: Almada
Família: Pai, José Lopes Rosa (trabalha numa empresa de transportes ) e mãe, Maria da Graça Teixeira (empregada de escritório). Um irmão, de 24 anos
Curiosidades: Teve algumas dificuldades em convencer os pais para começar a sair à noite. Com o irmão foi tudo mais fácil. A família é religiosa mas a estudante, que frequenta a Católica, há muito que não vai à Igreja
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