Recordações do grunge no Pavilhão Atlântico

Camisas de flanela, calças de ganga que não viam a máquina de lavar roupa há pelo menos três meses, t-shirt’s amarrotadas, cabelo desgadelhado a tocar nos ombros. Fúria, muita fúria contra uma sociedade onde as oportunidades para os jovens eram cada vez mais escassas. E onde os jovens andavam perdidos, desesperadamente à procura de rumo para a vida incerta e pobre, sem objectivos.

03 de setembro de 2006 às 00:00
Recordações do grunge no Pavilhão Atlântico Foto: d.r.
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No início da década de 90 um grupo de rebeldes pegou nas guitarras e no microfone e começou a trautear com a máxima força os males da época. Destino ou pontaria, eram todos de Seattle, cidade do Estado de Washington, bastião nacional da política que eles tanto desprezavam.

Começaram de mansinho, como fenómeno local, numa roda de amigos e conhecidos. Treinavam em garagens, soltavam-se em meia dúzia de bares para audiências diminutas, que foram crescendo à medida que a fama galgava as fronteiras da região, chegando aos ouvidos dos caçadores de talentos das multinacionais, sempre atentos às novas tendências sonoras. Quase 20 anos depois do punk, o rock ganhava novo folgo com um estilo a que chamaram grunge.

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Na linha da frente do movimento estavam os Nirvana de um rapaz com infância problemática baptizado Kurt Cobain, seguidos pelos Pearl Jam, nascidos das cinzas de uma banda com curta existência, os Mother Love Bone. Havia ainda os Alice in Chains, os Soundgarden, os Mudhoney, os Screaming Trees, os Tad e os My Sister’s Machine, entre outros mais obscuros.

Corria o ano de 1991 quando ‘Nevermind’ deixou o mundo louco com a electricidade saída da guitarra de um Kurt Cobain em estado visceral. ‘Ten’ vincaria ainda mais essa raiva, com Eddie Vedder no centro das atenções.

SEXO, DROGAS E ROCK'N'ROLL

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Durante uns bons anos girou tudo à volta de ‘sexo, drogas e rock’n’roll’. Em dose exagerada. Tão exagerada que o grunge morreria ao mesmo tempo que alguns dos seus maiores mentores eram enterrados. “Um bom rocker é um rocker morto”, disse uma vez Iggy Pop. Kurt Cobain e Layne Staley, dos Alice in Chains, cumpriram tal máxima à risca, transformando-se em mitos, enquanto Eddie Vedder pegava nos Pearl Jam e mudava a atitude e o rumo das canções. O grunge finara como aparecera: à velocidade de um relâmpago.

Uma década depois, numa Seattle mais triste. O rebuliço à volta da cena musical que tanto deu que falar já não existe. Reina a tranquilidade e certa dose de melancolia misturada com saudosismo. Só uma banda conseguiu hastear a bandeira da resistência quando todas caíram: os Pearl Jam.

Eddie Vedder é o único exemplar de um dos mais fulgurantes períodos da música norte-americana. Mas quem olhar para ele terá dificuldades em encontrar traços do ‘grungeiros’.

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Sobreviver implicou abandonar os tiques e que construíram, mais do que um estilo musical, um meio de vida. “Continuamos, continuamos todos vivos”, canta no refrão alterado de ‘Alive’, uma das músicas mais emblemáticas dos Pearl Jam. A plateia do Van Andel Arena, em Grand Rapids, no Michigan, entra em êxtase. O homem que se agarrou a ‘cantautores’ consagrados como Neil Young e Tom Petty para mostrar que o futuro estava no passado, nas origens do rock ‘made in USA’, solta o ar feliz de quem sabe que o seu funeral ainda está muito longe de acontecer. “Deixem-me contar-lhes, não foi fácil”, diz com toda a gente aos pulos.

Um cenário a repetir amanhã e depois no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Porque os Pearl Jam do grunge estão mortos e enterrados. Mas ficaram os do rock. Muito longe de terem os dias contados ou de serem relíquias dos anos noventa, eles continuam ainda bem vivos.

Pavilhão Atlântico, Lisboa

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Bilhetes:

- Plateia em pé: 33 euros

- Balcão 1: 40 euros

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- Balcão 2: 28 euros

- Rampa: 28 euros

Início do espectáculo: 20h30

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'MY MORNING JACKET' PARA AQUECER A AUDIÊNCIA

Lunáticos, aventureiros, calorosos, desmedidos, eloquentes, exuberantes, irreverentes e, acima de tudo, incatalogáveis. Os norte-americanos My Morning Jacket são assim mesmo, uma mistura muito estranha, às vezes até bizarra, de géneros musicais e atitudes que atravessam fronteiras de estilos e contagiam o público.

Liderada por Jim James, cabe à banda de Louisville abrir as hostilidades no Pavilhão Atlântico, onde se espera que toda a gente esteja estarrecida por altura de os Pearl Jam subirem ao palco para presentearem a audiência lusitana com uma viagem entre o passado e o presente – por certo com direito a forte introdução ao álbum homónimo lançado este ano. Antes de Eddie Vedder cantar ‘World Wide Suicide’, ‘Better Man’, ‘Even Flow’, ‘Life Wasted’ ou ‘Alive’, vai com certeza ecoar pela sala a voz inconfundível de James a trautear todo contente ‘Wordless Chorus’.

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1 - ‘Floribella’, Flor

2 - ‘Mickael’, Mickael Carreira

3 - ‘Mi Sangre’, Juanes

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4 - ‘Acústico’, André Sardet

5 - ‘Ao Vivo no Coliseu’, Toni Carreira

6 - ‘Baladas da Minha Vida’, José Cid

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7 - ‘Original’, D’ZRT

8 - ‘Eu Aqui’, FF

9 - ‘Paulo Gonzo’, Paulo Gonzo

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10 - ‘Their Greatest Hits – The Record’ , Bee Gees

MARISA MONTE

‘Universo ao Meu Redor’ e ‘Infinito Particular’. Dois álbuns recentes para escutar no regresso da brasileira aos palcos portugueses. Samba e muito mais nos coliseus.

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Porto e Lisboa, dias 5 e 6, desde 20 euros

SIMPLY RED

A banda liderada por Mick ‘Red’ Hucknall apresenta ‘Simplified’, um ‘best of’que promete não deixar de fora temas e arranjos novos no Pavilhão Rosa Mota e no Atlântico.

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Porto e Lisboa, dia 7, de 25 a 35 euros

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