Ser médico à checa

Uma centena de portugueses estão a estudar Medicina numa faculdade checa. Fizeram as malas quando a média lhes barrou o sonho.

30 de outubro de 2005 às 00:00
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O Porto-Benfica começou há meia hora. Miguel Labareda atravessa a noite escura, muito fria, de bar em bar, cruza-se com outros que também querem ver a bola: "Eh pá, onde é que está a dar o jogo?" Entremeia a prosa ocasional na rua com o telemóvel, de chamada em chamada procura em desespero uma televisão que apanhe o sinal de satélite da Sport TV. Desiste, quase à boca do intervalo, zero a zero no marcador. Na praça Namesti Republiky, de cachecol encarnado na mão, Labareda desalentado por não ver jogar o seu Benfica, lá conta como regressou há dias para o segundo ano do curso de Medicina.

Ele e mais sete colegas do segundo ano fizeram a viagem em dois carros; Lisboa em direcção a Espanha, para Barcelona, depois a fronteira francesa, Avignon, Nice e Arle, em direcção a Itália, Milão, Génova e Veneza e a recta final, a 70 quilómetros de Praga, em Pilsen, onde chegaram uma semana depois, na madrugada silenciosa de um domingo. Três mil e trezentos quilómetros para recomeçar o ano lectivo, para ser médico, numa cidade da República Checa.

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A primeira vez que Miguel Labareda disse ao pai que ia estudar para uma universidade checa recebeu uma resposta embrulhada em sinceridade cortante: "És maluco, não vais!" Tinha média de 17,7, não suficiente para os cursos portugueses.

Por isso, tentou Espanha, país mais perto e mais parecido com o nosso mas encalhou na fronteira ao chumbar no exame de castelhano. O pai acabou por se dobrar às evidências – Miguel ia aprender a ser médico em inglês, num país no centro da Europa, silencioso e de língua estranha, que viveu as duas grandes guerras e duas décadas de domínio soviético.

Miguel Labareda não pertence sequer à primeira fornada de alunos portugueses em Pilsen. O curso de Medicina em inglês para estudantes estrangeiros abriu lá, como noutras faculdades checas, em 1992, três anos depois da Revolução de Veludo, a retirada pacífica dos soviéticos da antiga Checoslováquia.

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A invasão portuguesa da cidade começou no ano lectivo de 1998/1999, com alguns estudantes provenientes de famílias de médicos do Algarve, diz Pavel Fiala, vice-reitor da Faculdade. E não mais parou.

Neste ano lectivo em que as médias de entrada em Medicina se situaram nos 18,6 na Universidade do Porto, 18,5 no Minho e 18,3 em Lisboa, começaram em Pilsen 50 caloiros.

Seis anos e 12940 euros anuais, entre propinas e restantes gastos – contas da própria Faculdade – são precisos para ser médico na cidade da cerveja e da fábrica de automóveis Skoda. Cento e oito portugueses estão lá, a isso dispostos.

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O passa palavra começou a Sul de Portugal, entre os pais. Carolina Maria Bjoecke dos Santos chegou em 2001, a família dela conhecia a de Gina Pereira Guerreiro, a pioneira que foi para Pilsen no final de 1998.

Carolina e mais cinco algarvios chegaram à cidade capital da Boémia Oeste carregados de malas e expectativas. Ficaram todos uma semana no Hotel Central voltado para a Namesti Republiky, com vista para a catedral de São Bartolomeu. "Os portugueses que já cá estavam ajudaram-nos mas, na altura, eram poucos e os checos, muito frios, não sabiam falar inglês." Ainda hoje, um ano depois da adesão à UE, fora da capital, Praga, poucos falam.

O desconforto com a cidade estranha e escura teve de ir para trás das costas. Carolina não tinha outro remédio, a sua média para cumprir o sonho em Portugal era de 13 valores.

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Número do azar que não podia ser sinónimo do valor da vocação que ela diz ter desde pequena. Fez o exame escrito de admissão à faculdade de Medicina checa, no Instituto Português da Juventude de Faro. Entrou.

Finda a primeira semana, os pais dos caloiros voltaram as costas aos filhos e regressaram - Pilsen, Praga, Lisboa, Faro. A despedida foi dura. Carolina Bjoecke dos Santos e os outros foram para a Bolevecká, a residencial dos estudantes estrangeiros.

Ali partilhou quarto com Rita Cebola, a quem um valor tinha barrado a entrada numa universidade de Medicina portuguesa. Ela tinha uma média de 17,5, a fasquia estava um ponto mais alta, em 18,5. "Entrei em Espanha mas entre ir para um sítio a 12 horas de carro da minha terra, onde não conhecia ninguém, e vir para Pilsen onde conhecia a Carolina, acabei por escolher a última opção."

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Amizade atada em nó firme nos anos que se seguiram, Carolina Santos e Rita Cebola mudaram-se da Bolevcká para umas águas-furtadas, a um quarteirão do hotel onde os pais delas dormiram naquela primeira semana em Pilsen. É um prédio antigo, imponente, onde no cimo da porta de entrada está um improvável barril de cerveja em ferro forjado. Lá em cima, numa casa montada com o inestimável contributo da recente loja da cadeia IKEA, elas seguem por satélite a série norte-americana CSI, onde os heróis resolvem crimes com recurso à medicina forense.

Ali mora outra algarvia, Inês Domingos Chaves. "Mesmo com 17,5 de média tive de me vir embora. Tinha 17 anos. Vou terminar um curso aos 23, se calhar não consigo fazer uma especialidade no meu País e, portanto, farei no estrangeiro mais quatro ou seis anos. Há uma grande probabilidade de nunca mais regressar."

Com o engulho na boca, ela diz que nem sonha com o que os pais possam sentir. Em Faro, tão longe da sua filha, António José Modesto Chaves esclarece: "Sinto o que qualquer pai sente, um vazio perante o desconhecido mas tenho de ter confiança e acreditar nela."

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Bolevcká é a primeira palavra em checo que os portugueses aprendem. No prédio austero e escuro, os apartamentos são todos iguais: uma casa de banho no centro com duas portas de entrada para o corredor em 'u', onde se distribuem pequenos fogões de dois bicos e donde se entra para os quartos, outrora ocupados por famílias. Ali está instalada a residência estudantil.

Inês Domingos Chaves passou pela Bolevcká, antes de ir morar com a Carolina e a Rita nas águas-furtadas. Três épocas lectivas depois de ter chegado a Pilsen, ainda hoje faz filmes com uma realidade até então nunca sonhada. "Os panelak são túneis abertos nos prédios durante a II Guerra Mundial", explica e nos seus enormes olhos azuis passa um argumento de guerra, quando se lembra da impressão que lhe causou a primeira vez que viu o hospital antigo, enorme e cinzento, com uma mercearia de poucas coisas, e os médicos de batas brancas a passar na rua.

Esteve sempre à espera que aparecessem os soldados com metralhadoras recuperados da II Guerra Mundial pela sua imaginação. "Quando vim, nem sabia bem o que era a República Checa e então comecei a ler. Há uns prédios de habitação com estendais comuns. É da época comunista. Cada pessoa tinha uma roupa para o trabalho e outra para a ginástica. Sempre imaginei o que seria ver os estendais cheios de roupa a secar."

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Na sala de Anatomia da Faculdade de Pilsen, duas alunas de bata branca estão às voltas com um braço, estudam os músculos. Com as mãos protegidas por luvas de silicone, puxam um músculo, um tendão, tomam notas. Parecem alheias ao facto do membro já ter pertencido a alguém.

"Nas primeiras aulas de Anatomia começamos logo com os ossos e não são de plástico! Depois temos a dissecação, com um morto relativamente recente. Pode parecer mórbido mas é muito importante. Se não se gostar mesmo de Medicina, não se consegue cá estar", diz Catarina Silvestre Madeira que arregala os olhos perante o que julga ser uma evidência.

Ela teve 16 valores e pensa que a partir dos 14 e com vocação medida na prática de um programa lectivo como o de Pilsen, basta para se saber se do aluno pode sair um bom médico. "Às vezes escolhe-se Medicina porque se acha que dá status e se a média chega, não se discute. O sistema português não foi feito para vocações."

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Quatro anos depois de ter chegado a Pilsen, Catarina ainda sabe de cor a admoestação paterna, de que um bom negócio é bem melhor que a vida de um médico – "ganha-se mais e têm-se menos chatices".

De nada valeu o conselho. Ela prepara-se para ser médica num país com quase tantos habitantes como Portugal mas tão diferente em tudo o resto.

A Checatuna sem ele não existiria. Tomás Guerreiro Maurício é um dos fundadores da tuna académica que junta dezena e meia de alunos. "A embaixada e o ICEP já nos foram buscar várias vezes e deu para pagar uma viola, bombos, ferrinhos e adufes. Na próxima semana vamos tocar na inauguração de um café português em Praga e com esse dinheiro vamos comprar um bandolim", explica o também fundador da associação de estudantes.

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Aos 20 anos, Tomás fala com a inquietação de quem está à espera do mundo. Gesticula como se a ausência da viola que toca lhe fizesse falta para lhe conter as mãos. Veio dos Estados Unidos, onde fez o 12º ano através de um programa de intercâmbio de estudantes, para a República Checa, com uma paragem pela Moita, onde vive a família e onde estudou.

Ficou à beira dos 16 valores, longe da porta de qualquer faculdade portuguesa. Não importa: "Os meus amigos de lá estão perdidos em cursos chatos que não escolheram em primeira opção ou estudam coisas sem futuro nenhum."

Tomás olha a vida portuguesa com a equidistância necessária à observação imparcial. A três mil quilómetros, ele acha que pode melhor ajuizar: "Noto muito poucas pessoas contentes com aquilo que estão a fazer em Portugal."

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A partir do terceiro ano, os estudantes passam a fazer visitas regulares ao hospital para acompanhar os médicos na rondas e contactar com os doentes. O checo torna-se subitamente importante mas a maioria acaba por saber o básico para as entrevistas clínicas. São perguntas simples que só por imponderáveis culturais podem ser baralhadas. Na cidade da pilsen uma coisa é beber bebidas alcoólicas, outra beber cerveja. "Aqui há muitas cirroses. De início perguntávamos se consumia álcool e ninguém dava uma resposta afirmativa. Foi então que nos explicaram que a cerveja aqui em Pilsen é como se fosse sumo de laranja", conta Inês.

Ana Margarida Ferreira foi ter a sua primeira experiência de hospital, a sério, longe da República Checa. Através de um intercâmbio de estudantes, ao qual está vinculada a Faculdade de Pilsen, esteve um mês no México. Num hospital de Monterrey, no stress das urgências, viu-se sozinha perante uma mulher com um corte profundo na cabeça. Teve de a coser. "Já tinha treino daqui da Faculdade, onde tinha suturado animais. Tive de me desenrascar e acho que bem. Ninguém se queixou, a senhora também não."

Regressou à República Checa, empolgada, tinha finalmente a certeza de que queria ser médica, desse por onde desse. Falta-lhe decidir a especialidade, saber do quê é que quer ser médica.

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Ao longo do curso, a maioria muda de opinião. Quando se é jovem, seis anos é muito tempo para se ter certezas. Com o idealismo na garganta e a cabeça cheia de dúvidas, Inês Chaves diz que passou a gostar de geriatria depois de um estágio em Medicina Interna, em Portugal. "Como se diz a uma pessoa nova que vai morrer daqui a um ano? Como se trata uma criança que vai morrer? As pessoas mais idosas tem vida vivida é mais fácil lidar com elas, dar-lhes alento, fazê-las sorrir."

Joana Maria Ribeiro Malho tem ao colo uma cadelinha rasteira e peluda, de ladrar inquieto, herdada de uma amiga. Aos 20 anos, a escolha da especialidade está quase clara: estar sentada, quieta, muito tempo não é para ela. "Quero algo que não seja monótono."

No quadrado perfeito que é a praça Namesti Republiky estão montadas barraquinhas de toldos todos iguais, às riscas. Tomás Vycichl está numa delas. Tem 23 anos, nasceu em Pilsen, concluiu este Verão o bacharelato em Electrotecnia e está a vender amêndoas torradas para juntar dinheiro e assim poder viajar.

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A palavra carestia não tem o mesmo significado para estrangeiros e checos. As calças sem ser de marca até podem custar 10 euros, um pão grande 25 cêntimos, uma refeição num restaurante cinco euros mas um camionista checo ganha mais do que um médico e leva pouco mais de 500 euros para casa.

Tomás Maurício recebe dos pais 500 euros por mês. "Tenho até a impressão de que é mais do que ganham os professores. Vivo num apartamento com mais três pessoas e cada um paga 150 euros por mês. Mas as rendas estão a aumentar, os checos estão a aproveitar-se dos estrangeiros. Aqui é 'all about money' porque, por exemplo, não sou reconhecido como aluno da Faculdade enquanto não pagar a propina."

A 200 quilómetros, para lá da fronteira, na cidade alemã de Nuremberga realiza-se todos os anos um festival de música. "Três palcos em simultâneo das 11 às 2 da manhã. Vão lá os Red Hot Chilli Peppers e os Coldplay." Na euforia que antecipa a festa, Inês Chaves e os amigos insistiram com um colega checo para os acompanhar a Nuremberga. Insistiram até ao embaraço. Até perceberem que ele não ia, não por não querer mas por não ter dinheiro. "O que é simples para nós, para eles é tão transcendente…", conta Inês.

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O professor de capoeira Carlinhos Delegado pega na bicicleta e o seu vulto magro de cor baiana, cabeleira rasta, desaparece na noite. Veio do outro lado do Atlântico, para Berlim, Praga e depois Pilsen. Por onde passou abriu academias. O sotaque brasileiro perde-se com a velocidade das rodas da bicicleta e só se ouve falar o português do fado com banda sonora tecno. É uma festa lusa num dos bares da cidade.

Gonçalo José Neves Delgadinho está lá. É caloiro, tem 18 anos, chegou há três semanas de Lisboa, depois de um Verão a estudar para a desilusão de ter ficado à porta do curso de Medicina por décimas. Teve 17,8.

Ainda se arrastou na segunda escolha, em Psicologia, mas por pouco tempo. Em Setembro foi aprovado na segunda fase de exames de admissão a Pilsen, realizados na Exponor, no Porto, que lhe deram o passaporte para ser médico num país distante – "Pude vir graças aos meus pais!"

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Ele trouxe 40 quilos de bagagem "Lençóis, muita roupa para o Inverno, dicionários para aperfeiçoar o inglês e Nestum. Não me arrependi nada de trazer Nestum, aqui não se encontra!"

Com o mesmo sorriso tímido com que segue os veteranos que enchem a noite checa de conversas em português, Gonçalo Delgadinho conta que se lembra bem de ter de se amanhar sozinho, no dia em que chegou, a arrastar as quatro malas do aeroporto para o hotel de Praga e depois para Pilsen. Tão pesadas como se lá dentro tivesse todo o seu futuro.

PEDRO NUNES - BASTONÁRIO DA ORDEM DOS MÉDICOS

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- Quantos médicos há em Portugal com cursos tirados no estrangeiro?

- Temos registados 36.094 médicos, destes 3.766 tiraram o curso no exterior.

- O acesso à profissão é igual para os que tiram o curso em Portugal e aqueles que o fazem no estrangeiro?

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- Dentro da União Europeia é igual, fora não, depende da equivalência das licenciaturas, se bem que há universidades tão prestigiadas que a equivalência é quase automática. O mesmo se passa com as especialidades. Até agora, em Espanha e também na República Checa, devido ao tipo de cursos, tinham automaticamente o direito ao exercício autónomo da profissão e passavam dois anos à frente daqueles que se tinham formado em Portugal e que têm de fazer dois anos de Internato Geral. Os alunos que vêm do estrangeiro e que se formaram até Junho último ainda beneficiam disto. Os outros vão estar já ao abrigo da uniformização e nas mesmas condições dos licenciados em Portugal.

- Qual o valor da vocação na profissão de médico?

- Há uns anos fez-se um estudo em Standford (EUA) para aferir a importância da vocação nos diversos cursos. Em Medicina chegou-se à conclusão que a única coisa importante é a honestidade.

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- Acha justas as médias de acesso portuguesas?

- Defendo exames difíceis. É a única maneira de premiar o mérito e o esforço e permitir às classes desfavorecidas lá chegar.

ASPIRANTES A MÉDICOS

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1. Catarina Madeira, 21 anos: “Quando vim, trouxe um bilhete de regresso”.

2. Gonçalo, 18 anos: “Soube disto através da minha explicadora de Química”.

3. Amália Rodrigues, sinal que para além da porta moram portugueses.

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4. Inês Chaves, 20 anos: “Entrei em dentária em Inglaterra. Desisti assim que soube que tinha entrado em Pilsen”.

OS EXAMES DE ADMISSÃO À FACULDADE

O exame de múltipla escolha às disciplinas de Química, Biologia e Física para candidatura à Charles University/ Faculdade de Medicina de Pilsen pode ser feito no mês de Junho na cidade checa ou no Verão, no Instituto Português da Juventude, em Faro e na Exponor, no Porto. Chaker Khaouaj já vem a Portugal há cinco anos com a sua Academic Agency, uma das oito agências que operam em cooperação com a Faculdade de Pilsen e outras faculdades checas, ao divulgar e realizar os exames de admissão dos candidatos estrangeiros nos países de origem. Por cada novo aluno, a agência recebe 120 euros da entidade contratante.

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A DOUTORA FORMADA EM PILSEN

Gina Pereira Guerreiro terminou o 12º ano em 1998 com 17 valores. Não conseguiu entrar numa faculdade de medicina portuguesa. O pai procurou instituições de ensino no estrangeiro, onde a filha pudesse realizar o sonho de ser médica. "Quando cheguei fui muito bem recebida porque era a única portuguesa."

Por doença, Gina acabou por se atrasar um ano e apanhou a primeira leva de estudantes portugueses, entre eles vinha a sua irmã do meio.

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Gina faz voluntariado no Hospital de Faro enquanto aguarda o estágio (antigo internato geral). Em Pilsen estuda actualmente a sua irmã mais nova.

MEDICINA NA REPÚBLICA CHECA

O QUE SE GASTA PARA ESTUDAR

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Em Pilsen estudam alunos de 27 nacionalidades diferentes, sobretudo de Portugal, Alemanha, Suécia, Grécia e Kuwait. Todos eles desembolsam 12.940 euros anuais para cumprir a vontade de ser médico.

Propinas: 8 mil e 500 euros por ano.

Residência: 107 euros por mês ou 1284 euros por ano.

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Cantina: 100 euros por mês ou 1200 euros por ano.

Transportes, roupas e outras despesas_ 1881 euros por ano.

Autorização de residência: 75 euros por ano.

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Total: 12940 euros.

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