SEREMOS TODOS BI?
O antigo empresário dos Rolling Stones diz que já foi amante de Mick Jager e a autora do último Kamasutra assegura que numa sociedade livre seríamos todos bissexuais. E você, o que é que acha disto?
Está para breve uma autobiografia que dá como certa a bissexualidade de Mick Jagger, polémico vocalista dos Roling Stones. O durante muito tempo manager da banda rock, um senhor que dá pelo nome de Andrew Loog Oldham, garante ter passado bons momentos nos braços de Mick e até diz que a mãe dele os apanhou na cama, a dormirem bem agarradinhos. Estes e outros pormenores picantes vão ser contados por Oldham numa obra a ser lançada ainda este ano no Reino Unido, que já está a fazer furor no mundo do show bizz.
Mas não é a primeira vez que o dono dos lábios mais sensuais da história do rock’n roll é “acusado” de se deixar seduzir pelo seu sexo. Na verdade, a história de Jagger está cheia de romances atribulados com mulheres...e com homens. Rezam as más línguas que o músico foi bastante íntimo de Eric Clapton, e que nos loucos anos 70 experimentou tudo a que tinha direito. Certo é que a sua virilidade não está de todo posta em causa por estes “supostos” deslizes com “colegas” de profissão. O músico tem vários filhos (de outros tantos casamentos) e é conhecido pelo seu apetite sexual - que o diga a bela Luciana Monrad, a sexy manequim brasileira que o conheceu intimamente numa noite louca de digressão e que, meses depois, apresentava ao mundo o mais novo filho do vocalista.
Outro monstro sagrado do rock e da pop que não se livra da fama de bissexual é o “camaleão” David Bowie. O homem que criou e matou Ziggy Stardust, foi várias vezes notícia por causa da sua alegada intimidade com rapazes. Hoje, repousa sereno nos braços da modelo somali Iman (de quem tem uma filha) e garante que está farto de noitadas, copos e loucuras. Será?
FAMA SEM PROVEITO
Enganam-se os que pensam que a homossexualidade e a bissexualidade são “definitivas”. Anne Heche, a loirinha de nariz arrebitado que contracenou com Harrison Ford no filme Seis Dias, sete noites, surpreendeu o mundo quando deixou a namorada de anos – Ellen DeGeneres, que assumiu a sua homossexualidade em Abril de 1997 para ficar com ela – e uniu o seu destino ao do cameraman Coley Laffoon. A relação parece ser tão feliz que os dois foram há bem pouco tempo papás e continuam a aparecer nas fotos com um sorriso rasgado. Mas, segundo contam as más línguas de Hollywood, Anne continua, de alguma forma, ligada a Ellen. A prova disso é que decidiu antecipar o lançamento da sua autobiografia para o final deste ano, depois saber que a sua “ex” vai ter um programa de TV só para si. Será que tem medo que ela conte “tudo” primeiro?
Quem também alimentou algumas “fofocas” sobre a sua possível bissexualidade foi a bela Angelina Jolie. Depois de interpretar – ao lado de Winona Ryder – o filme Vidas Interrompidas (Girls Interrupted, Angelina brincou com alguns comentários mais audazes sobre as suas preferências sexuais e chegou a dizer, a propósito de uma notícia que dava como certo um caso entre ela e António Banderas: acho a mulher dele [Melanie Grifitt] mais interessante. Certo é que acabou por se render aos encantos de Billy Bob Thornton e que, dois anos depois da união, já se está a divorciar dele, em virtude de alegadas traições. Será que é desta que ela opta por uma mulher? Sempre são mais fiéis!
Ainda em matéria de bissexualidade, ficam na história as tropelias de Madonna – que no seu livro Sex, derruba tabús e preconceitos e acaba nos braços de algumas belezas raras, como Isabela Rosselini – que chegou a ser vista com uma produtora de moda muitíssimo interessante.
Hoje, é casada com um produtor de cinema, Guy Ritchie, e parece que está doida para receber, mais uma vez (a terceira), a visita da cegonha.
POLÉMICA IBÉRICA
Alicia Gallotti, a argentina “emprestada” a Espanha, que anda a “mexer” no Kamasutra (escreveu três obras destas e ainda um livro baptizado com o sugestivo nome de Prazer sem limites) diz que “a bisexualidade é algo nato em todos os indivíduos, mulheres ou homens”.
Numa entrevista publicada recentemente na Pública, Alicia defende que numa sociedade livre e sem tabús (onde o papel da cultura seria bem diferente), “haveria épocas em que seríamos heterossexuais, outras em que seríamos gay, noutras seríamos bissexuais. Da mesma forma que às vezes gostamos de comer peixe, outras vezes de comer gelados”. E remata: “Não gostamos sempre de ver o mesmo género de filmes ou ler os mesmos livros”.
Uma opinião que “chocou” de alguma forma o psiquiatra Júlio Machado Vaz. O cronista do Diário de Notícias (que já foi a “cara” de um programa sobre sexualidade na RTP 2) considera bastante redutora a visão de Alicia Gallotti. E explica porquê (na Notícias Magazine de 18 de Agosto): “Também eu penso que numa sociedade mais aberta muitos de nós se sentirão atraídos por pessoas de ambos os sexos”. Mas “dizer que seremos bissexuais não resiste ao mais elementar bom-senso. Se fôssemos assim tão maleáveis quando em “liberdade”, também conseguiríamos adaptar a orientação sexual às restrições internas e/ou sociais que infernizam tantas vidas”. O que, nas suas palavras, é totalmente falso. “Ao longo dos anos ouvi numerosos homossexuais lamentar o fracasso de tentativas desesperadas para se manterem ao abrigo do preconceito. Ou seja: o seu teórico potencial heterossexual não vinha à tona, mesmo com esforço e o ‘apoio’de uma cultura ferozmente homofóbica.
O psiquiatra remata a questão com um argumento que é muitas vezes trazifo à conversa e que remonta à Grécia Antiga. “De resto, como se compreenderia que numa sociedade como a da Antiga Grécia, em que o amor pelos rapazes era considerado natural, Platão falasse de ‘homens que só gostam de mulheres’?”.
ÍNDIOS HOMOSSEXUAIS
Um artigo publicado recentemente na Veja sustenta que os índios ianomâmis praticam cada vez mais a homossexualidade masculina. Um tipo de relacionamento que era “inusual antes do contato com o homem branco”.
A peça, que se baseia num estudo do ministério da Saúde brasileiro, garante que num universo de 400 aldeias ianomâmis, com 11.500 índios, os comportamentos homossexuais existem em pelo menos dez comunidades.
O tema foi abordado no livro Trevas no Eldorado: como Cientistas e Jornalistas Devastaram a Amazônia ( do jornalista Patrick Tierney), o qual atribui ao antropólogo francês Jacques Lizot (que viveu décadas na região) a propagação de tais “hábitos”.
Até aos anos 80 os investigadores nunca se referiram à homossexualidade destas tribos, mas o facto é que, em 1974, Paulo Heringer denunciou um colega por se ter envolvido sexualmente com homens das tribos dos panarás. Aliás, “o próprio Heringer foi assediado pelos índios”, como refere o artigo da Veja.
Mas há uma questão que urge colocar: será que a homossexualidade nestas comunidades tem o mesmo significado cultural que se conhece no mundo urbano? O etnólogo Mauro Cherobim considera que esses índios “só seriam considerados gays se a própria comunidade passasse a entender que há no meio dela os homens, as mulheres, e os que têm uma orientação sexual diferente desses dois grupos”. Lá vem a cultura...
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