SOPAS & DESCANSO
É o local ideal para fazer praticamente nada, que é como quem diz, passar os dias à beira da piscina, dar bons passeios ou saborear um belo gaspacho. Monumento ao ócio, o Convento de La Parra fica aqui ao lado, em Badajoz
Imagine um local de uma rara tranquilidade, longe do mundo e onde tudo o que ouve ao longo do dia é a água a jorrar da fonte e um ou outro pássaro que cruza o céu. À noite nem isso escuta, fica completamente entregue aos seus pensamentos ou à amena cavaqueira com os companheiros de estadia. Inclua neste exercício mental várias camas espalhadas pelos corredores de um bonito claustro e outros tantos confortáveis colchões mesmo ao lado da piscina. Pense num espaço amplo, de paredes muito brancas e decorado apenas com o essencial, sendo que cada peça evidencia uma escolha criteriosa.
“Parece o sítio ideal para descansar”, estará o leitor a pensar nesta altura, e com toda a razão. A Hospederia Convento de La Parra, situada a pouco mais de 50 quilómetros de Badajoz, revela-se um muito eficaz remédio contra o stress, o hotel certo para quem precisa de recuperar energias ou deseja passar uns dias a fazer coisa nenhuma.
A paz que nos envolve desde o primeiro minuto estará relacionada com o próprio edifício e a sua antiga utilização. Trata-se de um convento construído em 1673, no qual viveram monjas da Ordem de Santa Clara, em clausura como era regra da instituição. Quando em 1979 as religiosas partiram, o estado espanhol tomou posse da propriedade, integrando-a na rede de Hospederias, conjunto de hotéis instalados em edifícios históricos com gestão privada.
Há dois anos, Maria Ulecia e Javier Muñoz assumiram a gerência do convento e transformaram-no num monumento ao ‘dolce far niente’. Este é um projecto muito pessoal, dizem, e com uma personalidade tão vincada que ou se gosta dele ou não se regressa, pelo menos num futuro próximo.
O SEGREDO DO SUCESSO
Ideias simples, atenção aos pormenores, engenho, talvez arte – terão sido estes os elementos na origem de um hotel assim, bonito, funcional e acolhedor.
As antigas celas do convento foram convertidas em 21 quartos, cada um deles ocupando a área de dois ou três daqueles alojamentos. São amplos, de paredes muito brancas e praticamente desprovidas de ornamentos. Os elementos decorativos são os próprios móveis, quase todos concebidos pelos gerentes do hotel e executados por artesãos locais.
Situadas no piso superior, as duas únicas suítes da unidade hoteleira quase obrigam a uma clausura temporária: são tão aconchegantes que quem aí fica instalado não quererá de lá sair. Uma delas possui uma bonita lareira de ferro da qual ainda emana um cheiro a lenha queimada. Em frente, dois confortáveis sofás e outros tantos pufes parecem pedir que nos instalemos para um momento de pausa.
No quarto, a cama, ampla, resume-se a um simples estrado de madeira. O restante mobiliário inclui pequenas mesas do mesmo material, uma moderna salamandra e pouco mais. Tal como os outros quartos do hotel, de menores dimensões mas com as mesmas características, não possui televisão ou mini-bar.
A segunda suíte tem como principal atractivo, curiosamente, a casa de banho. Separada do restante espaço por pequenos degraus, apela ao banho prolongado, relaxante, à luz das velas e acompanhado por uma taça de champagne. O lavatório é mais uma prova de que, na decoração, o importante é ter ideias: num tampo de madeira foi embutida uma bacia de metal, e uma cortina de serapilheira oculta a canalização. Imaginativos e simples são também os suportes das toalhas, feitos por um dos recepcionistas com um cabo de madeira suspenso por duas cordas.
QUE BEM SE ESTÁ NO CONVENTO
O claustro do antigo convento é agora uma agradável esplanada, onde também podem ser servidos jantares. Criada em torno da fonte central, é composta por bonitas mesas de metal, mais um exemplo da criatividade e bom gosto de Maria Ulecia e Javier Munõz.
Seis camas espalhadas pelas galerias do andar superior transformam estas últimas em lugares de eleição para ler, descansar ou observar os movimentos da cegonha que vive no cimo da torre sineira durante a maior parte do ano.
Passar a tarde na piscina é uma experiência que exercita o corpo e faz bem ao espírito. Rodeada por muros impecavelmente caiados, concorre com o claustro e respectivas galerias pelo título de local mais aprazível do hotel. Grossos colchões distribuídos por todo o espaço proporcionam condições ímpares para o merecido descanso entre mergulhos. À entrada, canais de água que contornam pequenas laranjeiras fornecem a banda sonora ideal para a sesta.
Sabendo que um verdadeiro monumento ao ócio só ficaria completo com um serviço de refeições à altura, os gerentes do Convento de La Parra conceberam duas sedutoras ementas. Para quem aprecia refeições ligeiras criaram a “pequeña carta”, com gaspacho, saladas, tortilha e outros petiscos que são servidos no quarto ou na piscina. O restaurante cumpre as exigências dos bons garfos. O menu inclui pratos feitos essencialmente à base de produtos da região e confeccionados de forma a valorizarem o sabor de cada ingrediente.
A Hospederia Convento de La Parra fica a cerca de três horas de Lisboa. Apanhe a A2 e depois a A6 até Badajoz. Aí, siga pela estrada 432 (Córdova/Sevilha). No km 51 encontra a saída para La Parra e 7 km depois a povoação.
O hotel satisfaz plenamente as exigências alimentares dos seus hóspedes. Se prefere refeições leves opte pela “pequeña carta” que inclui gaspacho, saladas, tortilha, mini-tábuas de queijo ou presunto Ibérico e iguarias afins, servidas no quarto ou junto à piscina das 14h00 às 15h30 e das 21h30 às 23h30. Os preços variam entre _ 3,60 (gaspacho extremenõ) e _ 12 (brocheta de presa de Ibérico).
O restaurante funciona no mesmo horário. Os primeiros pratos custam entre _ 5,45 (salteado de la huerta con jamón ibérico) e _ 9,30 (foie frío de pato com vinagreta de sidra), os segundos chegam aos _ 15 (lomo de retinto con patatas confitadas al pimentón). Nove entradas e oito sobremesas completam a ementa.
Hospederia Convento de La Parra, Rua Santa María, 16, La Parra 06176, Badajoz, tel. 0034 924 682 692, fax 0034 924 682 619, e-mail laparra@wanadoo.es; www.laparra.net.
Durante 2002, o preço da diária (com pequeno-almoço) em quarto individual é de _ 45, em quarto duplo _ 100, em quarto duplo especial _ 120 e em suíte _ 155.
Conhecer os arredores
Se, porventura, se cansar de não fazer nada, contacte a recepção para obter sugestões de actividades. Passear de burro, moldar barro numa olaria ou praticar parapente são algumas das alternativas. Normalmente o hotel não se encarrega da organização mas pode fazê-lo mediante pedido. Outra opção é explorar os arredores. A 5 km fica Feria, com um castelo que domina a povoação; nos imediações situa-se o dólmen La Casa del Monje.
Salvatierra de Los Barros, a 7 km, é famosa pelo seu artesanato. Visite o castelo do século XV e as ruínas do antigo Convento de São Francisco.
A cerca de 25 km encontra Zafra, localidade com um traçado tipicamente medieval. Destacam-se as praças Grande e Chica e vários edifícios religiosos dos séculos XV e XVI. Na primeira semana de Outubro realiza-se a Feira Internacional de Gado, cuja origem remonta a 1380.
Pode ainda aproveitar a estadia para visitar Jerez de los Caballeros (e o Valle de Santa Ana, acessível pela estrada N-435 em direcção a Badajoz, onde pode observar algumas espécies no seu habitat natural), Mérida e Olivença, todas situadas a cerca de 50 km.
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