STRIPTEASE, OU TUDO OU NADA

Eles despiram-se para fugir à crise e descobriram que o ‘strip’ é a fórmula certa para ganhar fama, dinheiro e mulheres. Conheça seis homens que encantam plateias e vivem sem o cinto apertado

06 de abril de 2003 às 15:45
STRIPTEASE, OU TUDO OU NADA Foto: Jordi Burch
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O fantasma do desemprego atinge mais de 400 mil portugueses. Segundo os dados do Instituto Nacio-nal de Estatística (INE), só no último ano este flagelo social aumentou 21,6 por cento. Miguel Hilário, 30 anos, era uma das pessoas que engrossava as longas filas nos Centros de Emprego. “Houve uma remodelação na empresa onde eu trabalhava e acabei por ser despedido”, conta o ex-designer gráfico. O subsídio de desemprego mal dava para pagar as prestações do carro ou até um simples copo na discoteca da moda.

Tal como os milhares de portugueses à deriva, Miguel aguardava que a sua vida desse uma volta de 180 graus. Mas as propostas de emprego teimavam em não aparecer. “Estava desesperado. Precisava de encontrar uma maneira rápida de arranjar dinheiro”, confessa.

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Na noite de 6 de Dezembro, data do seu aniversário, a sua vida mudou radicalmente. De repente, Miguel viu-se em cima de um palco cheio de luzes, rodeado por centenas de mulheres, aos gritos, que o incitavam a tirar a roupa. “Os primeiros minutos foram dramáticos. Fiquei paralisado e sem saber o que fazer”, recorda. Com o passar dos meses, o choque inicial foi substituído por uma onda de contentamento. Em pouco tempo, descobriu que podia ganhar mais numa só noite do que num mês inteiro à frente do computador. “Graças ao ‘striptease’ consegui pagar a moto e o carro. Agora, já estou a poupar dinheiro para comprar uma casa.”

O MITO DO MACHO LATINO

Casos como o do Miguel Hilário são cada vez mais frequentes. A crise em que o País mergulhou nos últimos anos vai derrubando tabus e preconceitos e arrasta dezenas de homens descontentes com a sua situação profissional para uma actividade até agora vista com maus olhos: o ‘striptease’.

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Os que conhecem a noite lisboeta como a palma das suas mãos (é o caso de Vítor Trindade, dono dos clubes ‘Passerelle’) têm assistido, em directo, a esta mudança. “Se antes só os estrangeiros faziam ‘striptease’, actualmente há um sem-número de portugueses que escolheu esta actividade. Eles perderam de vez o complexo de macho latino e deixaram de ter pudor em tirar a roupa em público”, assegura.

O que os move? “O dinheiro, obviamente. Mas também a curtição e o facto de terem mulheres bonitas atrás de si”, desvenda Vítor Andrade.

Ao contrário de outras profissões, o ‘strip’ não está em crise. “Podemos ganhar 125, 250 e até 500 euros em poucos minutos. No Verão, há quem leve para casa três mil contos por mês (15 mil euros). É tentador. É dinheiro fácil e habituamo-nos a ele”, confirma Frei, ex-‘stripper’ e actual relações públicas da discoteca ‘Status’. Há 12 anos trabalhava como desenhador topográfico numa Câmara Municipal – onde recebia apenas 500 euros por mês. Mesmo contra a vontade da família, que não via com bons olhos a mudança, mandou o emprego às urtigas e passou a despir-se de preconceitos, todas as noites, no ‘Coconuts’, em Cascais.

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A história do Miguel ou do Frei podia ser tirada a papel químico do filme ‘Ou Tudo ou Nada’. A longa-metragem britânica, interpretada por Robert Carlyle, conta a saga de um grupo de metalúrgicos desempregados, de Sheffield, que decide organizar um espectáculo de ‘striptease’ para amealhar algum dinheiro. Em comum têm a vontade férrea de abandonar o desemprego e dar uma reviravolta na sua vida. Mas ao contrário das personagens gordas e desengonçadas do filme, os ‘strippers’ portugueses são homens esculpidos por longas horas passadas em ginásios e com jeito para encantar plateias com as suas danças sensuais. Qualquer semelhança entre a realidade e a ficção será pura coincidência?

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