Um passo atrás, dois à frente
Os The Horrors continuam, ao quinto álbum, o mergulho pelo synth pop espumoso iniciado com ‘Skying’.
As Escolhas de... Adolfo Luxúria Canibal
Formados em 2005, em Southend, pequena cidade costeira a 60 km de Londres, os The Horrors lançam o primeiro álbum, ‘Strange House’, em 2007, suscitando o hype da imprensa musical britânica, situação que normalmente prenuncia uma existência efémera e sem história. E os The Horrors tinham tudo para assim acontecer: um look gótico estilado e uma música primitiva alicerçada no post-punk e no garage rock, como era então moda. Faltava contar com a sua capacidade de reinvenção...
Sem perderem as características que os fizeram sobressair, ao segundo álbum, ‘Primary Colors’, de 2009, os The Horrors haviam já refinado as influências, transformando a melancolia gótica em ronronar psicadélico e expondo uma sonoridade mais shoegaze. Mas é com ‘Skying’, em 2011, que têm a sua viragem estética mais significativa: mantendo o psicadelismo e o shoegazing alcançados em ‘Primary Colors’, investem nos teclados e sintetizadores para novas cores musicais e um padrão mais próximo do synth pop.
Regresso às origens
Já considerado por boa parte da crítica internacional como o seu melhor álbum de sempre, ‘V’, composto quase integralmente ao computador, apresenta-se em sucessivas camadas de electrónica submersa em reverberação de onde emergem ténues melodias viciantes e mesmo alguns sons de guitarra funâmbula, a criar uma pop espumante e festiva, estranhamente luminosa e esventrada.
DiscoUma nova corrida, uma nova viagem
Deixando cair o Thee do nome, num retorno ao passado, quando Thee Oh Sees era apenas Oh Sees, o grupo de John Dwyer mantém no entanto em ‘Orc’ a continuidade da ímpar sonoridade krautrock pontilhada de noise iniciada em ‘A Weird Exits’ e prolongada em ‘An Odd Entrances’, os seus discos do ano passado.
Livro
LivroPara uma consciencia da infâmia
Livro autobiográfico onde a autora conta a sua infância e mocidade na América dos anos 30 e 40, deixando que o seu cândido olhar infantil sobre a impiedade do racismo e a violência dos adultos que sobre si se abatia de forma feroz, apenas por ser negra e criança, nos revolva as tripas até ao vómito.
Filme
Quão difícil é ter o destino nas mãos
Uma venturosa estreia na longa-metragem com uma narrativa de três horas que é um ensaio sobre os limites do capitalismo e os limites de nós próprios na hora da escolha, num constante questionar da validade das nossas opções, individuais ou colectivas, tendo em fundo uma gesta de resistência operária.
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