Viagem à mente de Sócrates e Passos Coelho

O mentalista Thorsten Havener viu seis gravações de políticos portugueses e admite que foi difícil interpretar alguns deles.

30 de junho de 2013 às 15:00
Mentalista, Thorsten Havener, Sei o que estás a Pensar, Livro, Esfera dos Livros, Sugestão, Dedução, Leitura de pensamentos, José Sócrates, Passos Coelho, Vítor Gaspar, Paulo Portas, Cavaco Silva, António José Seguro Foto: Sérgio Lemos
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O político português que mais impressionou Thorsten Havener, o mentalista alemão de 40 anos, que esteve em Portugal na semana passada, foi o único, de entre todos aqueles de que a Domingo lhe mostrou gravações, que não está a exercer qualquer cargo. A performance do ex-primeiro-ministro José Sócrates no ‘Telejornal’ de domingo da RTP fascinou quem ganha a vida a procurar sinais de linguagem corporal, entre outros indícios, para criar a ilusão de que consegue ler os pensamentos alheios.

"Ele não aceita este Governo. O sorriso é irónico e a cara mostra que não entende o que andam a fazer", disse o autor do livro ‘Sei o que Estás a Pensar’ (Esfera dos Livros), sem conter o espanto ao saber que Sócrates tem um espaço semanal na televisão pública. O ex-chanceler alemão Gerhard Schröder não teve tal oportunidade – "mas foi para a Gazprom", acrescentou, entre risos, aludindo ao contrato milionário do antecessor de Angela Merkel com o grupo russo.

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Observando um vídeo em que Sócrates se refere a um Conselho de Ministros presidido por Passos Coelho, que demorou 11 horas e não teve conclusões, Havener lê na cara do ex-líder socialista que, "se lá estivesse, tomaria as decisões em segundos", enquanto os movimentos de cabeça podem ser interpretados como "não faço ideia do que eles andam a fazer" e o sorriso irradia a mensagem "sei fazer melhor do que isso".

Numa comunicação aos portugueses de Passos Coelho, após o Tribunal Constitucional ter chumbado parte do Orçamento do Estado, torna-se mais difícil fazer qualquer interpretação. "É muito profissional e ensaiado. Não se consegue ler qualquer linguagem corporal. Não sei se está a mentir ou não", lamenta o mentalista, que também não encontrou quaisquer sinais num debate parlamentar, acabando por desviar a atenção para Miguel Relvas, então ainda presente na bancada do Governo: "Ele está inseguro. Caso contrário não estaria a morder as hastes dos óculos que tem na mão."

GASPAR ACELERADO

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No presente Executivo ninguém conseguiu impressionar mais Thorsten Havener do que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, visionado num debate parlamentar. "Consegue-se ver que está a agarrar o púlpito com as mãos, o que significa que não está seguro. Se estivesse relaxado não o faria", comenta o alemão, reagindo com assombro à informação de que o governante falou de uma forma menos compassada do que é habitual nas conferências de imprensa: "Quando estamos sob muita pressão falamos mais depressa e num tom de voz mais elevado."

Quanto aos restantes políticos portugueses de que viu imagens – a Domingo fez tradução simultânea, pois o seu conhecimento da língua de Camões só chega para se aperceber do que está escrito num ou noutro oráculo –, destacou a "forma contida e profissional" com que Cavaco Silva leu o último discurso do 10 de Junho, e a intensidade das críticas de Paulo Portas à greve dos professores em dia de exames – "É algo que ele não aceita e de que não gosta. Vê-se-lhe nos olhos que está mesmo zangado" –, embora a prestação de António José Seguro numa entrevista televisiva lhe tenha dado mais elementos de análise. "Fala muito com as mãos e, com o movimento das sobrancelhas, passa um ‘consigo sentir o que vocês sofrem.’"

DEDUÇÃO E SUGESTÃO

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Thorsten Havener realça que há pessoas mais fáceis e mais difíceis de interpretar. "Mas aquilo de que estou à procura, como os sinais do rosto, é igual em todo o Mundo", refere o mágico e ilusionista, acrescentando que o português Luís de Matos "poderia ser um mentalista caso tivesse seguido esse caminho".

"Um mentalista é um mestre da dedução e da sugestão, mas também alguém que cria a ilusão de que consegue ler mentes", explica o alemão, minutos depois de contrariar o título do seu livro: "Não, não sei o que está a pensar. Penso que ninguém o conseguiria."

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