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Correio da Manhã

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A luta pelo disco que roda no dedo de todo o mundo

Norte-americana de 62 anos reclama a patente do Fidget Spinner, que a revista ‘Forbes’ já descreveu como “o jogo da Geração Z”.
Fernanda Cachão 21 de Maio de 2017 às 12:38

A invenção do brinquedo "altamente irritante" que está a inundar o mercado global foi primeiro atribuída à engenheira química de 62 anos Catherine Hettinger, mas a Bloomberg contou uma história diferente. Segundo a agência de notícias financeiras, Hettinger registou em toda a sua vida três patentes, as duas primeiras relativas a um dispositivo que ajuda a controlar a dieta e uma terceira em 1993: um artefacto moldado numa peça única de plástico que gira na ponta de um dedo e que a autora descreveu como tendo a forma do edifício do Capitólio, em Washington, mas que para a Bloomberg tanto se assemelha a um Frisbee como a um OVNI.

De qualquer maneira, Hettinger registou aquilo a que chamou de "spinning toy" - cuja patente foi concedida em 1997-, para ajudar a filha que sofre de uma miastenia grave, uma doença neuromuscular que causa fraqueza e fadiga.

A americana começou a fabricar estes dispositivos em sua casa, utilizado uma máquina de fazer moldes comprada em segunda mão. Depois vendeu-os em feiras, antes de percorrer convenções de fabricantes de brinquedos e pedir uma reunião à Hasbro Inc., a terceira maior fabricante de brinquedos do Mundo, mas em vão. Hettinger deixou a licença da patente expirar em 2005, e uma década depois, em 2016, a atual geração de ‘finger-spinning toys’ (ou seja, brinquedos que giram nos dedos) era apontada pela ‘Forbes’ em dezembro último, mesmo a tempo do Natal, como um ‘must have’ de 2017, ou seja um objeto a ter nos escritórios para combater o stress, ainda que a popularidade do ‘spinner’, nesta primeira metade do ano, esteja concentrada entre os jovens estudantes. Segundo a Bloomberg, à parte de girarem nos dedos, estes ‘Hula Hoop da Geração Z’, como lhes chamou o ‘The New York Times’ a 6 de maio, nada têm em comum com a invenção da engenheira química, pois apoiam-se num "mecanismo totalmente diferente para girar".

Os novos Hula Hoop

Catherine Hettinger via desaparecer o seu sonho de se tornar num novo Richard Knerr, o cofundador da Wham-O Inc, empresa que nos anos 50 produzia 20 mil Hula Hoop por dia - e depois já no final da década de 60 e durante 30 anos, garantiu a manutenção do negócio com a venda de 100 milhões de discos Frisbee -, à medida que pequenos empreendedores começavam a inundar o mercado global com vários tipos de ‘spinners’.

Na Amazon do Reino Unido, por exemplo, há ‘fidgets’ à venda entre dois a 25 euros. Já no ‘Addictive Fidget Spinners’chega aos 37 euros, mas pode também ser adquirido numa loja de qualquer galeria comercial de um metropolitano.

Em setembro de 2016, dois irmãos na casa dos 20 anos, Mark e Mat-thew McLachlan, procuraram financiamento na plataforma de investidores Kickstarter para o ‘Fidget Cube’. Pediam 15 mil dólares (14 mil euros) e acabaram por atrair seis milhões de dólares (5,4 milhões de euros) em 35 dias. Se o Fidget Spinner era um brinquedo "altamente irritante", o Fidget Cube é um gadget absolutamente absurdo, em que os dedos indicadores primem dois pequenos comandos interativos que fazem girar dois pontos .

Inspirada pelo êxito dos McLachlan - "recebemos mais emails do que é possível responder", desabafou Mark -, Hettinger iniciou a sua própria campanha na Kickstarter, onde procura fundos para começar a fabricar os seus ‘spinners’ - cujo crédito da invenção é-lhe já atribuída numa página da Wikipedia que confessa ter começado a ser escrita por um amigo seu. Com fama na internet e a notoriedade alcançada após contar a sua história aos jornais ‘The New York Times’ e ‘The Guardian’, espera poder colocar uma aplicação para iPhone da sua autoria na App Store. "Ainda vão ter notícias do advogado de patentes que me está a apoiar," respondeu à Bloomberg.

No entanto, a legislação norte-americana diz que o direito sobre a comercialização de uma patente expira ao fim de 17 anos, por forma a evitar o monopólio de determinado produto. Se tudo tivesse corrido bem a Catherine Hettinger, ainda assim teria corrido mal, pois o popular ‘spinning toy’ seria já do domínio público desde 2014.

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