Depois de Manuel Braga da Cruz ser o primeiro reitor leigo da Universidade Católica, agora é a vez de Maria da Glória Garcia
Quando no passado dia 17 a Agência Ecclesia anunciou que o nome da próxima reitora da Universidade Católica (UCP) era Maria da Glória Garcia, ninguém – dos que a conhecem – ficou espantado. Aparte o facto desta ser a primeira mulher a ocupar o cargo (12 anos depois do primeiro leigo, Manuel Braga da Cruz, que o exerceu por três mandatos), a impressão que a professora causa é, de per si, justificação que baste: uma "mulher de inexcedíveis capacidades intelectuais e humanas".
A frase é de Maria José Barros, actual administradora do Hospital de São João, no Porto, que conheceu a futura reitora da Católica em 2001, quando esta era vice-reitora da instituição e Maria José assumiu funções de directora administrativa da Universidade Católica. "É uma pessoa que une como poucas uma grande inteligência emocional e uma intelectualidade brilhante. Ouve quando tem de ouvir. Decide quando é para decidir, com bom senso e rapidez." Além disso, tinha como princípio que a faculdade católica formava cidadãos com marca distintiva na sociedade e era a primeira a dar o exemplo: "Mobilizou-nos a todos para nos juntarmos na recolha do Banco Alimentar", recorda Maria José.
NASCIDA EM COIMBRA
Maria da Glória Garcia nasceu em Coimbra a 6 de Novembro de 1953. Filha de um médico, Glória era uma verdadeira "coimbrinha", diz José Casalta Nabais, professor de Direito da Universidade de Coimbra e seu colega de curso entre 1971 e 1976. "Morava a dois passos da faculdade e ia para as aulas a pé. Apanhámos em cheio o 25 de Abril, mas, apesar da Dra. Maria da Glória cedo se ter destacado pela firmeza das suas convicções, questionando inclusivamente professores, nunca a vi envolvida nas questões políticas e nas lutas estudantis", lembra.
"Muito trabalhadora e disponível", chegou ao fim do curso com a nota máxima, 18 valores (a mesma que viria a tirar no mestrado e no doutoramento), e imediatamente se tornou assistente da Faculdade de Coimbra, onde permaneceu até 1978.
Veio então para Lisboa, onde se tornou assistente (1978-1994), professora auxiliar (1994-1999) e depois professora associada da Faculdade de Direito da UCP. Foi ainda professora associada da Universidade de Lisboa e professora convidada do programa de doutoramento da Universidade Nova de Lisboa (1999/2000), e fez parte de comissões para a elaboração de leis (como a Lei da Nacionalidade ou o Projecto de Código do Consumidor). Em 1995, foi distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e na actualidade era directora da Faculdade de Direito da UCP.
Casada e sem filhos, Maria da Glória Garcia dedicou-se sempre de alma e coração ao direito e à pedagogia. O economista João César das Neves, também catedrático da UCP, salienta que além do elevado perfil moral e pessoal, Maria da Glória Garcia "conhece a casa como poucos" e que já demonstrou "capacidades administrativas".
Para o eurodeputado Paulo Rangel, que conduziu o processo de eleição do Provedor de Justiça em 2008 e a nomeou, é uma "mulher pragmática e frontal. Diz o que é preciso ser dito, mesmo que seja incómodo, mas com delicadeza. Isso faz dela uma pessoa muito carismática, desarmante e com capacidade de liderança". Manuela Ferreira Leite, na altura uma das suas principais apoiantes, confirma: "As qualidades que lhe reconhecíamos em 2008 constituem seguramente uma mais-valia para o exercício de uma função igualmente exigente como é a de reitora da UCP."
Apesar de ser uma escolha pessoal do cardeal D. José Policarpo, fonte da igreja garante que a indicação de Maria da Glória reuniu "unanimidade absoluta". Deverá tomar posse em Setembro, depois do parecer positivo da Santa Sé.
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