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Acabou-se a papa doce

Realizou-se, em Roma, a Cimeira de Alto Nível sobre Segurança Alimentar e os Desafios da Mudança Climática e da Bioenergia – conhecida na intimidade como Cimeira da Fome. Governantes de 40 países não puseram nada em pratos limpos. Aprovaram, apenas, uma pífia verba de emergência de 3 biliões de dólares, mero aperitivo frugal para os 30 biliões anuais necessários, segundo a FAO.

15 de junho de 2008 às 00:00

Neste momento, há 832 milhões de terráqueos de estômago vazio – e mais 1,2 bilhões com o ventre já a roncar. Causas? A mais perversa: muitas pessoas estão a comer mais e melhor. A economia planetária cresceu 20% nos últimos 4 anos, aumentando o consumo de alimentos em nações como a China, a Índia e o Brasil, onde vive um terço da população mundial. Além disso, esta gente tornou-se mais urbana, deixando de produzir a própria comida e comprando-a nos super-mercados. O avanço nos rendimentos ditou uma alteração nas respectivas dietas: trocaram carboidratos por proteínas (carne e leite).

É verdade: os pobres não podem tirar a barriga de misérias! Outro factor é corrida espacial dos preços do petróleo, que aumentou gorduchos 110 por cento num ano. Em Março passado, a China passou a importar 4,9 milhões de barris diários. O custo dos fertilizantes dispara. Mais: com a crise do crédito nos EUA, os especuladores jogam póquer com as 'commodities'. Ora, os alimentos são cotados em dólar, o qual caiu 37% em seis anos. O trigo, por exemplo, pousa na Lua. Na controvérsia dos biocombustíveis, parece que o problema é com o etanol de milho (produzido nos EUA) e não com o de cana-de-açúcar (do Brasil) – juntos, estes dois países geram 80 por cento do etanol mundial. O preço dos produtos suínos e bovinos saltou, já que o milho é usado como ração. E há a desnaturada Mãe Natureza, uma autêntica madrasta da ‘Branca de Neve’. Ou chove demasiado ou demasiado pouco.

Pragas ceifaram colheitas na China, Europa e Austrália, reduzindo a oferta. Para não falar nos costumes: estima-se que os obesos ingerem hoje em dia 20 biliões de dólares anuais em guloseimas supérfluas. Resumindo e concluindo, é tal piada de humor negro. Um daqueles típicos cleptocratas africanos encontra na rua uma criancinha esquelética. Ela: 'Dê-me uma moedinha para eu comprar um rebuçado'. Ele: 'Não, senão tu não almoças!' Populismos à parte, não é um mundo muito apetitoso, este em que uns morrem à fome e outros de indigestão.

TESTMUNHA SILENCIOSA

A mãe de Sérgio Vieira de Mello – comissário da ONU morto há 5 anos em Bagdade – pediu a exumação do corpo, bem como indemnização por danos morais. Alega que o atestado de óbito tem vários erros, como atribuir nacionalidade iraquiana ao brasileiro, além de equívocos sobre o estado civil, a hora e a causa da morte. O diplomata está enterrado na Suíça.

INIMIGA DO PEITO

Quem diria: a Internet já é vista não como rival, porém como aliada dos livros. Graças às lojas on-line, milhões de obras estão a alcançar uma distribuição dantes impensável e impossível. Na Inglaterra, as vendas de livros cresceram pelo quinto ano consecutivo. Em 2007, o aumento foi de 6%.

NADAR EM DINHEIRO

A guerra das marcas pelos nadadores em Pequim transbordou da piscina para os tribunais. A TYR processou a Speedo, fabricante do polémico LZC Racer, fato de banho que vestiu atletas em 18 dos 19 novos recordes mundiais neste ano. O produto, desenvolvido em parceria com a NASA, reduz o tempo dos competidores em até 2%. Haja medalhas.

 

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