São lindas e obedientes. Não podem conversar, é certo, e nem sequer pensam, mas estão sempre prontas para a ‘brincadeira’. As bonecas insufláveis ou de silicone são uma fantasia recorrente entre os homens. Mulheres de plástico que parecem cada vez mais de carne e osso.
À entrada, o ‘néon’ intermitente anuncia ‘sexo’. Um pesado reposteiro vermelho e uma bola prateada de luzes de discoteca dão as boas-vindas aos clientes da ‘Megasex’, uma das ‘sex-shops’ mais procuradas de Lisboa. No interior, uma luz negra ilumina a sala quase vazia. Ao fundo, dois rapazes escolhem uma cassete de vídeo de ‘filmes para adultos’. Trocam algumas piadas, mas as suas vozes são abafadas pelo som ‘techno’, que sai a altos decibéis das colunas. Por detrás dos cortinados de veludo surgem mais dois homens que param diante da montra de apetrechos ‘hardcore’, decorada com algemas, estimulantes, retardadores sexuais, lingeries provocantes e vibradores, que imitam o tamanho e forma do órgão sexual de um actor porno de renome. As suas cabeças acabam por se fixar na voluptuosa ‘Sharon Sloane’ e na sofisticada ‘Cyber Chic’, duas bonecas embrulhadas em caixas coloridas. A separá-
-los de um admirável mundo novo está um cartão de crédito e um sopro de ar, que os irá encher de prazer ilimitado.
“As bonecas insufláveis são um dos produtos mais procurados nas minhas ‘sex-
-shops’”, diz Horácio Gomes, proprietário da ‘MegaSex’. Basta olhar com atenção para as prateleiras para se confirmar a variedade destas ‘meninas’ de borracha. Há loiras, morenas, negras, asiáticas, magras, altas e baixas. A que tem mais sucesso é, sem dúvida, a Nikita. Talvez porque tenha as medidas de uma manequim de alta costura, cabelos compridos loiros e vibra ao gosto do freguês. Uma tentação de 280 euros.
Do outro lado da cidade, no ‘Espaço Lúdico’, uma ‘sex-shop’ com onze anos de existência, os clientes ouvem as mesmas batidas de música de dança, vêem as mesmas capas de filmes ‘hardcore 1.º escalão’ e apreciam os artefactos sexuais expostos na montra. Ali, a boneca insuflável com mais saída é a ‘Betty Fat Girl’, que faz jus ao ditado de que ‘gordura é formosura’. “Farto-me de vender este modelo”, afirma Hélio Mota, gerente do ‘Espaço Lúdico’. Estranho? “Não. Os meus clientes têm todo o tipo de fantasias e devaneios”.
O FERRARI DAS BONECAS
Mas a nova sensação do mercado erótico são as bonecas de silicone, uma febre entre os homens americanos desde 1996, quando uma empresa de Chicago começou a comercializar as ‘Real Dolls’ que se parecem com mulheres reais. Até há pouco tempo só podiam ser adquiridas através do site www.realdoll.com. Hoje já se vendem em qualquer ‘sex-shop’ portuguesa. Na 'MegaSex', as duas ‘Bárbara Dolls’ foram vendidas num mês. E nem o seu preço, de 500 euros, assusta os fãs do novo brinquedo. “As de silicone têm maior flexibilidade. Não rebentam, movem a boca e são mais verosímeis”, conta Horácio Gomes.
No Porto, na ‘Casa de Eros”, estas ‘meninas’ de silicone, consideradas os ‘Ferraris das bonecas’ já lideram a lista de preferências. “O cliente pode escolher a cor do cabelo e da pele, o tamanho dos seios, um simulador de respiração, e até um dispositivo para urinar ou criar uma temperatura parecida com a do corpo de uma pessoa real”, explica Maria da Luz Rocha, gerente da ‘sex--shop’ recém-inaugurada. Estas ‘Real Dolls’ aguentam temperaturas de 300 graus e pesos de 300 quilos. “Enfim, uma sofisticação à medida de consumidores para quem uma boneca destas já não é um fétiche mas sim uma companheira”, remata.
Mas tanta beleza e perfeição têm o seu preço. A Leah, a Stacy, a Celine ou a Julie não falam, não andam, nem comem, mas podem custar até seis mil euros. Um preço que parece valer a pena para personalidades como Howard Stern. O excêntrico radialista norte-americano garantiu no seu 'site' ter tido “a melhor relação sexual da sua vida”, com uma destas belas bonecas de silicone.
Provocação ou puro marketing, o que é certo é que este novo fétiche em molde de silicone já fez correr muita tinta na imprensa de todo o mundo. Moacir da Costa, um sexólogo brasileiro, autor do livro ‘Sexo – Minutos que Valem Ouro’, defende a teoria de que a “substituição de um ser humano por silicone mostra a falência das relações afectivas.” Por sua vez, uma médica norte-
-americana escreveu: “o aparecimento das ‘RealDolls’ é a prova de que as mulheres já não aceitam ser totalmente passivas.”
O sexólogo português Abel Matos dos Santos, não vai tão longe e desdramatiza: “É verdade que as relações pessoais estão cada vez mais difíceis. As pessoas hoje trocam constantemente de parceiros. Mas uma coisa não tem a ver com a outra. Quem procura uma boneca destas fá-lo, simplesmente, por curiosidade ou brincadeira.” Em relação aos elogios tecidos por Howard Stern, Matos dos Santos tem grandes dúvidas: “Não acredito que numa situação normal alguém prefira uma boneca a uma mulher verdadeira”. Talvez por isso, o sexólogo se recuse a traçar um retrato-robôt do consumidor deste tipo de artefactos sexuais. “Não há. Há é cada vez mais, oferta de ‘shows’ de ‘striptease’ e ‘sex-shops’”, remata.
A sua tese parece ser contrariada pelos gerentes das duas ‘sex-shops’ lisboetas, que garantem: “Há três tipos de clientes destas bonecas: homens solitários, casais que desejam dar novo alento à sua vida sexual e rapazes que preparam uma despedida de solteiro ao melhor amigo”.
PREÇÁRIO
Lacto Doll: tamanho natural, com três entradas e vibração. Pode colocar-se leite nos seios. Preço: 104,50 euros.
Bronco Busting: três entradas, cabelo comprido louro. Preço: 60 euros
Vicki Honey Doll: três entradas. Preço: 38,50 euros
Soft & Sweet: três entradas, cabelo comprido louro. Preço: 56 euros
Pénis XXL: com vibração de grande intensidade em vinil: 31 euros
Pénis em vinil preto: com vibrador de intensidade regulável: 12,50 euros
Little Pecker Salmão: pénis em silicone sem vibração. Dimensões
16,5 x 3 cm – 26,50 euros
Penetrix: pénis de cintura em latex, sem vibração – 34,50 euros
RUI ZINK VERSUS SÁ LEÃO
O escritor Rui Zink e o realizador Sá Leão discutem os seus gostos por bonecas insufláveis. E não chegaram a um acordo.
1) Já alguma vez praticou sexo com uma boneca insuflável?
Rui Zink: Claro. Pode-se lá viver sem ter amado uma boneca insuflável!
Sá Leão: Jamais em tempo algum. Nunca substituiria o plástico ou o silicone por uma mulher de carne e osso. Ainda não é crime gostar de mulheres.
2) (Se não) Não tem curiosidade ou fetiche em experimentar?
Rui Zink: Eu gostei, mas compreendo que haja quem não goste. O lado bom das bonecas insufláveis é que são muito dóceis. O lado mau é que, como são demasiado passivas, são pouco doces. Mas não se pode ter tudo na vida.
Sá Leão: Não. Respeito as leis da natureza. Nunca iria meter o meu ‘abono de família’ numa coisa de plástico.
3) Qual poderia ser a vantagem de ter uma destas bonecas em vez de uma mulher em carne e osso?
Rui Zink: Não escrevem livros.
Sá Leão: Não vejo mesmo qualquer vantagem. Em último recurso recorreria à Rua da Palma, n.º 5. Mas respeito os fétiches dos outros.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.