Ana Carolina é uma brasileira atípica. Praia e futebol não é com ela. A cantora prefere passar os tempos livres a tocar violão, a pintar ou a ler um livro de Fernando Pessoa, imagine-se.
No nosso país, Ana Carolina, ainda não enche estádios de 200 mil pessoas, como acontece um pouco por todo o Brasil, a sua terra natal. O seu “MPB pop”, que se inspira em artistas consagrados como Chico Buarque, é muito popular entre a nova geração canarinha. Depois do sucesso em Portugal de cantoras e compositoras como Adriana Calcanhoto, Marisa Monte ou Zélia Duncan, esta parece ser a hora da artista mineira de 27 anos, que lançou recentemente o disco Ana Rita Joana Iracema Carolina
Música
«A minha avó, Isabel, cantava na rádio e o meu avô, Nestor, na Igreja. Às seis horas da tarde de domingo toda a família assistia aos recitais de violino e violoncelo dos nossos tios e avós. O meu gosto pela música nasceu nessas matinés. Durante a minha juventude comecei a compor e a fazer shows em bares pequenos. No início não ganhava nada. Mas num certo dia reparei que as pessoas voltavam ao bar só para me ouvir tocar. Foi então que comecei a pedir um cachet. Era uma quantia irrisória.»
Violão
«Nos meus tempos livres prefiro tocar violão, instrumento que aprendi a tocar aos 14 anos, do que cantar. Só treino a voz quando dou uma série de concertos.»
Discos preferidos
«Cresci a ouvir os discos da minha mãe: Roberto Carlos, Caetano Veloso, Chico Buarque, Nélson Cavaquinho e música italiana.»
Minas Gerais VS. Rio de Janeiro
«Nasci em Minas Gerais, num lugar muito calmo, onde nadava em rios de água corrente. A transição para o Rio de Janeiro foi algo traumática. De repente, vejo-me numa metrópole barulhenta, cheia de trânsito e de pessoas. A minha vida mudou da noite para o dia. Foi uma loucura.»
Comunicar
«Sou muito fechada. Sempre fui muito tímida e continuo a ter grandes dificuldades em falar com os outros sobre mim. Acabei por descobrir que a música era a maneira mais fácil de comunicar. Ela liberta-me. E no palco não há hipóteses para introversões. Antes de entrar, manejo a minha alavanca psicológica e digo adeus à timidez.»
Amizades na música
«Tenho muitos amigos no seio da música. Já cantei com a Maria Bethânia, Milton Nascimento, Adriana Calcanhoto, Alcione e Chico Buarque que, além de grande amigo, é para mim um Deus. É muito, mas muito fácil tornar-me amiga destes grandes artistas e enriquecedor trocar ideias com pessoas que já têm 35 anos de carreira e muitas histórias para contar.»
Pintar
«Além da música, a pintura é o meu hobby preferido. Costumo pintar em minha casa. Quando me canso de determinado quadro troco de telas e começo a pintar outro. É um vício.»
Leitura
«Leio muito. Adoro os livros de autores portugueses como os da Sophia de Melo Breyner
ou de Fernando Pessoa. Também sou viciada
em Machado de Assis e Carlos Drummond
de Andrade, grandes escritores brasileiros. Quando era mais nova também li bastantes romances de Jorge Amado. Mas foi apenas uma fase.»
Prazeres caseiros
«Quase não saio. De vez em quando dou um pulo ao cinema ou ao teatro. Quanto à praia e ao futebol, dois verdadeiros passatempos nacionais, já não sou grande adepta. Mas não deixei de torcer pela minha selecção durante o último mundial de futebol.»
Gastronomia
«Sou um bom garfo e muito gulosa. Adoro massa e não resisto a qualquer tipo de doces de padaria. Como muito e daí que tenha de estar sempre a praticar exercícios físicos.»
Ginástica
«Tenho um personal trainner que vem dar-me aulas em minha casa. Mas tenho alguma preguiça em fazer desporto. Além disso, não gosto muito de fazer aqueles exercícios de máquinas. Prefiro andar ou dar umas boas braçadas.»
Política
«Por mim, o Fernando Henrique Cardoso (FHC) deveria continuar na presidência do Brasil. Qualquer dos candidatos que vença as próximas eleições não dará seguimento aos projectos de FHC, seja ele o Serra, o Lula ou o Ciro. Sinceramente, não sei em quem hei-de votar.»
Mulheres e a música
«Mesmo na década de cinquenta quando existiam artistas como Dalva de Oliveira ou Maiza, e mais tarde, nos anos oitenta, quando Maria Bethânia, Gal Costa ou Nara Leão brilhavam, as mulheres apenas cantavam. Não escreviam as suas próprias canções. Actualmente isso já não acontece. Hoje, eu a Adriana Calcanhoto, Marisa Monte ou Zélia Duncan já compomos as nossas canções, o que nos dá maior liberdade e emancipação.»
Brasil
«Já visitei quase todas as cidades do Brasil em digressões. Há grandes diferenças culturais entre as várias zonas. No nordeste há uma cultura mais alegre e popular. O público está de pé nos concertos, a dançar. No sul, ele é mais comportado. Assiste aos shows sentado. Aplaude apenas no final de cada canção. Não são frios, apenas educados. Esta é uma das provas que o meu país é muito rico e diversificado.»
Brasileiros
«Em comum, temos o facto de não sermos um povo agressivo. Procuramos incessantemente a felicidade, mesmo quando estamos com grandes dificuldades. Outra característica canarinha é o facto de pobres e ricos conviverem uns com os outros saudavelmente.»
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