page view

ARRIBA PLAYBOY

A mais famosa revista americana para homens está a tentar alargar o seu império. A edição mexicana da Playboy, nas bancas em Outubro, é apenas mais um passo nessa estratégia. E Hugh Hefner ainda não se lembrou de Portugal. Porque será?

20 de setembro de 2002 às 16:26

Na capa, a voluptuosa inglesa Jordan põe um olhar felino e confiante, parecendo ordenar: “Comprem-me!” De facto, a ideia não é vender a modelo, antes a nova edição da Playboy americana, a revista masculina mais conhecida em todo o Mundo. No México, a publicação tem sido distribuída gratuitamente em vários locais, como estabelecimentos comerciais e empresas, para captar a atenção de potenciais compradores. A estratégia prende-se com o lançamento, a 14 de Outubro, de uma edição mexicana.

Contudo, esta não é a primeira vez que Hugh Hefner tenta expandir o seu império àquelas paragens. Nos anos 90, uma mal preparada incursão resultou em fracasso, com a revista a fechar depois de falhar por completo os seus objectivos.

Cinco anos volvidos, Manuel Martinez, responsável por levar o projecto a bom porto, mostra-se confiante no sucesso da nova edição mexicana, colocando a fasquia dos 80 mil exemplares mensais como meta a atingir no primeiro ano. Os números até são optimistas, tendo em conta que a revista tem vindo a perder leitores ao longo dos últimos anos, devido ao aparecimento de outras publicações do género e ao crescimento da Internet, repleta de “sites” com pornografia e fotos retiradas da própria Playboy.

Para o novo editor, o anterior projecto não falhou devido a essas razões, mas ao facto dos conteúdos e do design estarem na altura ultrapassados, e não corresponderem aos anseios de quem, efectivamente, compra a Playboy. Assim, a revista virar-se-á agora para um público entre os 25 e os 45 anos, interessado em temas como moda, carros e tecnologia, tendo sempre em grande destaque as imagens de mulheres bonitas fotografadas “como vieram ao mundo”.

Pode parecer paradoxal, mas esse é o principal motivo que impede o sucesso de tão famoso título em vários países. Porquê? Portugal, por exemplo, funciona enquanto nação onde é difícil acreditar que alguém se arrisque a fazer um nu integral, por muito artístico que ele seja. E não é preciso investigar muito para descobrir que, de facto, as portuguesas teriam dificuldades em aceitar pousar apenas em troca dos sempre muito elevados cachets da Playboy, sempre à procura da “girl next door” – aquela mulher que um dia vemos na rua e no outro pode estar na capa da revista.

Entre os famosos, a ideia também tende a não colher grandes apoiantes. O caso recente de Maria João Bastos é disso revelador. A viver uma fase de grande sucesso profissional, a actriz rejeitou uma proposta para passar dos palcos das novelas para o décor das sessões fotográficas mais ousadas. O “não” peremptório, apesar de bastante dinheiro envolvido, revela a dificuldade das portuguesas em quebrar o tabu de se despirem por completo para as objectivas. Ainda assim, Maria João revela que no Brasil tal não representa qualquer problema, antes pelo contrário; serve como forma de prestígio, levando famosas como Vera Fischer, Maitê Proença, Deborah Secco e Alessandra Negrini a “darem o corpo ao manifesto”.

O México tem o mesmo entrave que Portugal. Apesar do nome Playboy ser um aliciante financeiro, as mulheres tendem a negar o pedido para fazerem nus integrais. Enquanto isso, sobe o número de compradores de revistas “soft”, casos da Maxim (em Portugal, Super Maxim), GQ e Esquire. Sinais dos tempos.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8