Os episódios inusitados vividos pelos escritores que participam na Feira do Livro de Lisboa.
João Tordo conheceu o parteiro que o fez nascer. Alice Vieira achou-se com uma cesta de tremoços nos braços. Maria João Lopo de Carvalho conversou com uma senhora a quem o avô salvou a vida. Richard Zimler foi apelidado de ‘nazi’. Prova de que, entre livros e autógrafos, tudo pode acontecer na Feira do Livro de Lisboa, que encerra no dia 13.
Ana Maria Magalhães, uma das autoras da saga juvenil ‘Uma Aventura’ conheceu numa das edições um professor de Português norte-americano que gostava muito da sua obra, mas também estava um pouco indignado. "Dizia que chamar mouros aos árabes era racismo. E não queria o autógrafo enquanto eu não lhe prometesse que ia mudar o termo em todas as edições. Quando peguei num livro que era ‘A Lenda da Moura Encantada’ para lhe explicar que era o termo usado em todos os livros de história, abalou muito ofendido", recorda.
Por seu lado, Pedro Chagas Freitas já recebeu pinturas e esculturas alusivas aos títulos dos seus livros.
Mário Zambujal teve igualmente encontros inusitados. "Um deles foi com o Jordão, antigo jogador de futebol, que cheguei a entrevistar quando andava nos desportivos. Apareceu-me um negro enorme, muito bem parecido, parecia uma estátua de ébano. Afinal, era ele. Agora é pintor e tem grande talento", recorda o escritor e ex-jornalista. Não se viam há mais de 30 anos. Depois disso viu-se inesperadamente no meio de uma campanha eleitoral: "Passou uma comitiva do MRPP, liderada por uma moça muito bonita que me pediu para tirar uma foto com eles. Quando dei conta, estava no meio das bandeiras. E desconfio que ainda devo ter figurado num qualquer folhetim eleitoral."
Já Alice Vieira foi barrada por uma senhora que, aflita, lhe pediu que segurasse a sua cesta de tremoços enquanto ia à casa de banho. A escritora de ‘Chocolate à Chuva’ fez-lhe a vontade e ainda conseguiu fazer negócio: vendeu três saquinhos.
De reencontros com décadas de atraso reza a história da Feira do Livro para Maria João Lopo de Carvalho. "Era a minha primeira feira, após a edição do ‘Virada do Avesso’ e de repente aparece-me uma senhora a chorar, mas a chorar muito. E eu não sabia o que havia de fazer. Pensava que ela se tinha emocionado com o livro, mas para aquilo... Afinal, contou-me que na adolescência tinha adoecido com tuberculose e tinha sido o meu avô a salvar-lhe a vida", conta a escritora, neta de Fausto Lopo de Carvalho, que introduziu a vacina BCG e a angiografia em Portugal.
João Tordo conheceu quem o viu nascer, 40 anos antes. "Aproximou-se de mim um senhor que acabou por me contar que tinha feito o parto à minha mãe. Não seria assim tão difícil... Éramos três gémeos. Um faleceu logo depois. Eu é que nunca na vida esperei conhecê-lo a ele", recorda o escritor, filho de Fernando Tordo, referência que decerto ajudou a conservar a memória do enfermeiro.
Maria Filomena Mónica deu por si a dar autógrafos ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa. "Ele tinha 80 pessoas. Eu duas ou três... jurei para nunca mais". Entende-se.
Richard Zimler deparou-se com uma "senhora idosa muito perturbada". "Gritava que eu não era judeu, era nazi e representava um perigo. Era óbvio que estava perturbada, mas fiquei muito incomodado com a situação. Soube mais tarde que logo a seguir ela tinha ido gritar com o José Saramago", recorda o escritor.
Não foi o único episódio caricato que ali viveu: "O antigo ministro da Cultura Pinto Ribeiro foi ao stand da Caminho e ofereci-lhe um exemplar de ‘Dança quando Chegares ao Fim’. Depois eu paguei-o na caixa da editora, o que enfureceu o meu editor."
Já Ricardo Araújo Pereira e Miguel Góis viram-se a braços com uma missão pesada: explicar a um leitor que não podiam autografar centenas de recortes das crónicas de ‘Zé Manel Taxista’, que tinham sido reunidas em livro após serem publicadas no diário ‘A Bola’.
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