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Artigo exclusivo

“Bendita seja a Mãe que te gerou”

Para que a conversão da violência doméstica em crime público não se torne uma armadilha, é urgente romper o ciclo de agressão, apoiar as vítimas e proteger as crianças.

30 de agosto de 2026 às 00:30

Longo foi o caminho andado até alcançarmos a pequena diferença genética (1 a 2 % em relação ao chimpanzé) que nos permitiu criar a filosofia, a arte, a matemática, a medicina, o direito e outras maravilhas. De 'homo habilis', graças ao polegar milagroso que dispensa a improvisação do panda, a orgulhoso 'homo erectus' e, por fim, a 'homo sapiens', com intermitências que nos ameaçam de extermínio, beneficiámos do apoio decisivo dos pais. O nosso investimento em filhos excede, de longe, o da maioria das restantes espécies. Geramos um número limitado de descendentes, mas apostamos na sua sobrevivência a longo prazo. O bipedismo e o estreitamento da bacia materna anteciparam o parto, e os bebés “prematuros” só sobrevivem graças aos esforços e recursos massivos que os pais lhes dedicam até uma idade avançada. Das mães, em particular, podemos dizer que “são as mais altas coisas que os filhos criam”, não só na linguagem poética (com Herberto Helder) mas também no preciso sentido antropológico.

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