Programa francês foi produzido em moradia de luxo no concelho de Faro, onde 24 concorrentes lutaram por 100 mil euros.
No topo de um monte, pouca gente ficou a saber o que se passou realmente dentro da Quinta Moinho, uma mansão de luxo localizada a poucos quilómetros da aldeia de Estoi, no concelho de Faro, no Algarve. Entrava e saía muita gente e houve quem tivesse pensado que eram ali gravados filmes pornográficos. Mas não. A mansão algarvia foi a escolhida para acolher as gravações de uma espécie de ‘Big Brother' do póquer, um programa que está a ser transmitido por uma televisão francesa. Apesar da lei portuguesa dizer que a prática de jogo a dinheiro é considerada crime, na mesa final do programa de televisão estiveram em jogo 100 mil euros. A Domingo esteve dentro da mansão nos últimos dias de gravação do programa.
VINTE E QUATRO CONCORRENTES
Depois de ter passado por Marraquexe, em Marrocos, e Marselha, em França, a produção do programa ‘La Maison du Bluff' escolheu Portugal para a terceira edição do reality show, onde participaram 24 concorrentes vistos por milhares de telespectadores em França. A equipa de produção procurou vários locais pelo País e viu diversas casas de grandes dimensões. Foi escolhida uma moradia de luxo, construída em cima de um monte, no barrocal algarvio, com uma piscina gigante, spa e vista para o mar. "Precisamos sempre de uma casa muito grande, com hotéis por perto para alojar os cerca de 80 elementos da produção", explicou Philippe Layani, realizador do programa, que é emitido no canal francês NRJ12 e em direto através da internet.
CEM MIL EUROS
O programa arrancou inicialmente com 24 concorrentes, todos de nacionalidade francesa, que viveram durante cinco semanas na mansão de luxo. Pelo meio entraram novos jogadores na casa, que foram selecionados depois de vencerem torneios de póquer na internet.
Eram vigiados dia e noite por câmaras de filmar, até quando faziam visitas a locais turísticos da região, sempre acompanhados por elementos da produção. Mas, durante os jogos, as câmaras viravam-se para as mesas e fichas de jogo, simulando um autêntico casino, onde os concorrentes apostavam tudo para conseguir chegar à final. Em jogo esteve um valioso prémio de 100 mil euros.
Os concorrentes não escondem que participaram para ganhar o dinheiro. "Estou cá para vencer, nada mais. Entrei no programa para ganhar os 100 mil euros", confessou à Domingo Koraly Mainot, uma das concorrentes. Outros, além do dinheiro, procuram a fama. "Já tinha participado num reality show em França. Concorri porque tenho duas paixões: uma é a música e a outra é o póquer", explicou Tony Bredelet, outro dos participantes. Os vários elementos do grupo foram saindo do jogo assim que foram perdendo o crédito em fichas.
Durante as cinco semanas dentro da casa, quem tinha mais fichas dormia numa luxuosa suite. O jogador com menos crédito era obrigado a passar a noite numa tenda, num dos terraços da moradia de luxo algarvia.
A mesa final do concurso realizou-se no sábado, dia 11 de maio, com os últimos seis concorrentes a jogarem até altas horas da madrugada. Matthieu foi o grande vencedor do jogo.
AMOR E ÓDIO
Tal como em todos os reality shows, as emoções são exploradas ao máximo. Entre os concorrentes foram criados laços de amizade e até mantidas relações amorosas. Mas, quando se sentavam à mesa para jogar póquer, tudo desaparecia. "Como os participantes estiveram muito tempo na mesma casa tudo acontece. Alguns transformam-se em casais, mas, durante os jogos, só querem ganhar e esquecem os sentimentos", admitiu à Domingo o realizador, Philippe Layani. Entre amores e ódios, todos os concorrentes lutaram até ao fim para ganhar o grande prémio. O foco principal da produção do programa foi sempre o póquer, acima de tudo. "Claro que as câmaras procuraram também cenas escaldantes, dentro dos lençóis nos quartos, porque isso sobe bastante as audiências. Mas este tipo de reality show é mais direcionado para os adeptos dos ‘bluffs' e para as estratégias de jogo dos concorrentes para chegarem à mesa final do jogo de póquer", referiu um dos elementos da produção, enquanto mostrava as várias áreas de bastidores da mansão de luxo, localizada numa zona isolada do concelho de Faro.
SECRETISMO
A produção do programa esteve, até aos últimos dias de realização, envolta em muito secretismo. Ao que a Domingo apurou, pouca gente sabia que as gravações estavam a ser realizadas no Algarve, apesar do programa estar a ser transmitido em direto através do site do programa. Na vizinhança da casa chegou a questionar-se sobre a presença de tanto material de filmagens dentro da mansão, levando muitos a especular "se estavam a ser realizados, lá dentro, filmes pornográficos", confidenciou, sob anonimato, um dos moradores vizinhos da casa de luxo, de onde costumavam sair "várias pessoas" e que era protegida por uma equipa de seguranças, à entrada. Mas a dúvida desfez-se nos últimos dias do programa de televisão, que apenas referia no seu site que estava a ser produzido em Portugal.
O programa tem como prémio final para o vencedor 100 mil euros, o que deixa dúvidas sobre se pode ou não ser considerado um jogo de sorte ou fortuna. Segundo a lei do jogo portuguesa, "a exploração e a prática dos jogos de fortuna ou azar (onde se inclui o póquer) só são permitidas nos casinos existentes em zonas de jogo permanente ou temporário criadas por decreto-lei", ou seja os casinos, o que não é o caso no programa de póquer francês.
No entanto, segundo fonte da ASAE contactada pela Domingo, "não é linear saber se o jogo praticado dentro do referido programa de televisão é praticado de forma ilegal ou não", admitindo, no entanto, que, segundo a lei, "a prática de jogo a dinheiro em Portugal, fora dos locais que estão autorizados, constitui um crime".
Em Portugal há zonas de jogo autorizado em Ponta Delgada, Vilamoura, Espinho, Estoril, Lisboa, Figueira da Foz, Funchal, Porto Santo, Póvoa de Varzim, Tróia e Vidago. A tutela dos jogos de fortuna ou azar compete ao secretário de Estado do Turismo. A Entidade de Turismo do Algarve, ao que a Domingo apurou, deu apoio logístico na produção do programa.
Philippe Layani, realizador do reality show, assumiu que "é muito difícil filmar póquer em Portugal, porque é impossível filmar em casinos". Quanto ao prémio final, garantiu que "o vencedor não recebe 100 mil euros em dinheiro, mas sim um contrato desse valor para jogar pela Poker Stars".
O realizador está a estudar a hipótese de vender o formato do programa em Espanha e Itália. E refere ainda que "quando o mercado português estiver mais maduro" talvez venha a "produzir um programa com concorrentes portugueses".
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