A chegada do Carnaval rebentou com o ‘stock’ de silicone no Brasil. Actrizes, cantoras e outras famosas têm conta aberta no cirurgião plástico...
A euforia do Carnaval já está a fazer ‘estragos’ do lado de lá do Atlântico. Na verdade, a procura das próteses de silicone subiu de tal forma que o Brasil está a viver uma grave crise de escassez do produto. Esta obsessão por seios grandes quase destronou a febre dos “bumbuns firmes e bronzeados”. Mas atenção: os rabos (que ainda se querem firmes e hirtos) continuam a ter lugar cativo. Afinal, as gluteoplastias (intervenção cirúrgica de aumento das nádegas) são também responsáveis pela falta de silicone no mercado brasileiro.
Nesta corrida ao corpo perfeito, os lugares cimeiros são ocupados por cantoras, actrizes e outras famosas. E a banalização da cirurgia plástica é tão grande que há quem olhe para ela como um mero acessório. “Fica mais feminino. Tenho roupa que eu nunca tinha usado e agora com a prótese ficou lindo”, defende Syang, a sensual cantora brasileira que aos 18 anos fez cirurgia de redução e agora, ao 34 anos, injectour 300 mililitros de silicone para ficar com ‘seios novos’ – ocupando o primeiro lugar na lista de famosas com mamas e rabo ‘reciclados’. Entre as adeptas VIP dos implantes mamários contam-se Deborah Secco (250 mililitros), Vera Fischer (225 ml), Cristiana Oliveira (190 ml) e Xuxa (150ml). É caso para dizer que não há silicone que resista…
Esta obsessão pelo silicone prova também que os padrões de beleza feminina estão a sofrer uma metamorfose inegável no Brasil: os bustos pequenos perdem para os volumosos, os quadris querem-se estreitos e a cintura deve ser bem fina. Conceito seguido pelos travestis, já se vê, que abrilhantam qualquer Carnaval que se preze. E não só...
A QUEDA DA MAMA
A procura de seios volumosos tem vindo a subir em flecha nos últimos cinco anos e faz já parte da cultura brasileira. Para os cirurgiões, o grande problema está nas mulheres que procuram o desproporcional, já que o tamanho da prótese mamária deve estar em harmonia com o corpo. Daí que os pedidos exagerados sejam encaminhados para consultas psiquiáticas!
Explicam os especialistas que o tamanho certo da prótese para cada mulher é determinado por um conjunto de medidas como a altura e o peso, e as larguras do tórax, ombros e cintura. Desengane-se, pois, quem pensa que o busto de Pamella Anderson é um ícone de beleza.
Ao tamanho exagerado está associado um outro problema, como explica o cirurgião plástico Herbet Gauss, que já implantou quatro mil próteses mamárias: “A prótese pesa e a pele é elástica. Se se colocar uma muito grande pode ficar bonito, mas daí por seis meses, um ano, se for inadequada, pode cair”. Assustador, de facto, mas nem este dado faz diminuir a procura do seio XL, cujo padrão actual se situa entre os 220 e os 240 mililitros.
Por questões de auto-estima – ou outras – a mulher brasileira está cada vez mais ávida para experimentar este tipo de cirurgia. Mais: se a todas elas, famosas ou não, se perguntar qual o tipo de busto ideal, as respostas são unânimes: os das lendárias Rita Hayworth, Ava Gardner ou Sophia Loren. Ou seja: bem grandes.
SEM RISCOS
Não restam dúvidas: sem mamas que se vejam, o samba perde a graça. “Somos um país tropical banhado por um enorme litoral e a população está sujeita a uma maior exposição do corpo nas piscinas e nas praias. No Brasil, gostamos da beleza, e isso faz com que haja um aumento na procura da cirurgia plástica”, defendeu Paulo Matsudo, director da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica que, nos últimos dias não tem mãos (nem silicone) que cheguem para tanto pedido.
O cirurgião revela ainda que se a mulher seguir os cuidados adequados “é possível estar a sambar sete dias depois da operação”. Outros especialistas há que discordam desta posição e advertem para a necessidade de evitar qualquer esforço físico durante 30 dias. Na lista de proibições figuram ainda movimentos bruscos dos braços e da região no período imediatamente após a cirurgia (entre 15 a 30 dias). É que o excesso de movimentos pode pôr em risco a cicatrização.
Actualmente, existem três tipos de silicione: a lisa, a de poliuretano e a texturizada (mais moderna, mais utilizada e menos sujeita a deformidades). Neste tipo de cirurgias, é norma a prótese de silicone ser colocada em cima do músculo, por baixo da glândula mamária ou do músculo. A inserção da prótese pode ser feita pela axila, através da auréola ou pelo sulco infra-mamário (a dobra da mama), o meio mais comum. É nestes locais que ficará a cicatriz.
De acordo com os especialistas, a operação para aumento da mama não apresenta riscos muito diferentes de outro tipo de intervenções cirúrgicas, sendo o problema mais comum a contratura do seio, devido ao endurecimento da prótese. Conclusão: desde que não esteja grávida e não amamente há pelo menos três meses, qualquer mulher pode fazer um implante de silicone e tornar-se na Gina Lollobrigida lá do bairro…
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