Os castros são considerados dos mais preciosos elementos do legado arqueológico da Galiza, embora as atenções estejam mais viradas para as vizinhas Astúrias e os Picos da Europa ou o Caminho de Santiago e a Costa da Morte, as rias e o mar selvagem, as igrejas medievais ou os espigueiros e as gaitas-de-foles (e de beiços).
Nada se lhes compara, no entanto, em beleza rupestre no litoral galego, a que se devem juntar os petróglifos e túmulos megalíticos. O número de castros só desta zona da Península Ibérica (PI) está ainda por quantificar, embora se avente um dígito redondo acima dos três mil.
Em termos históricos os castros equivalem ao modelo arcaico das aldeias, vilas e cidades muradas, isto é, um povoado defensivo cujas origens se perpetuaram até hoje e que remontam à época romana, desde pelo menos 800 a.C. Os castros foram sempre construídos em zonas elevadas, promontórios ou planaltos, para que assim dominassem a paisagem envolvente, fosse esta de vales, montanhas ou faixa costeira. A sua forma era, regra geral, circular, como a coroa ou núcleo anelado por vários elementos defensivos (castrenses) como fossos, parapeitos ou pedras pontiagudas. É por isso mesmo que a Galiza e o Norte de Portugal são a maior "castrolândia" da Península Ibérica e um lugar de eleição para arqueólogos e antropólogos. Há assentamentos em toda a PI, apesar da cultura castreja ter mais relevância no noroeste da península, sobretudo no recorte a norte e a oeste, seguindo a sul pelo rio Douro e a leste pelo maciço montanhoso que vai da serra de Ranadoiro à serra do Marão.
Esta proposta de viagem – que se pode e deve fazer de automóvel e em qualquer altura do ano – centra-se nos castros marítimos de Neixón (no concelho de Boiro), Castro de Barona (Porto do Son) e Castro de Santa Tagra (A Guarda). Refira-se ainda que a primeira intervenção arqueológica no castro de Neixón data dos anos 20 mas a descoberta do vidro púnico só se deu nos anos setenta e, de resto, ainda decorrem as escavações do castro de Neixón Grande.
Nas proximidades encontra o Centro Arqueológico de Barbanza, o ponto de partida mais conhecido para qualquer itinerário ao legado pré-histórico galego. Quanto ao assentamento de Barona está numa fase de escavação mais avançada, o que lhe confere maior imponência, acrescida esta pela sua localização sobre um mar aberto e de proporções de certa maneira dramáticas (o de Neixón assenta numa ria tranquila).
A cronologia diz que a referência mais antiga ao castro de Barona data de 1754, embora o início das escavações tenha começado apenas nos anos trinta. É considerado o castro mais imponente da PI. Fique também a saber que a ligação dos castros à cultura celta não é fenómeno singular na história castreja, já que no caso do Castro de Barona, e a título de exemplo, é a tribo dos praestamarcos que lhe está associada.
Nota final sobre o Castro de Santa Tegra, localizado na foz do rio Minho e o mais meridional dos castros galegos. Distingue-se dos restantes pela sua localização privilegiada no alto de uma serra, a de Santa Tegra, na cota de 314 metros. As vistas são também das mais prodigiosas do noroeste da Península Ibérica.
É por estas e por outras que se aconselha esta singular proposta para uns dias bem diferentes. Tanto mais que a Galiza fica mesmo aqui ao lado e partilha com Portugal, sobretudo com a vizinha zona de Trás-os-Montes um passado e vários traços em comum. No fundo – e parafraseando o célebre anúncio – é como ir para fora ficando cá dentro. Ainda por cima, esta é uma proposta de turismo sempre aconselhável até porque, dada a proximidade, não acarreta grandes despesas. É só pegar no carro e fazer-se à estrada. Mesmo que não seja um arqueólogo ou antropólogo.
COMO IR?
- Castro de Neixón. Acesso feito pela via rápida 1.1. de Padrón-Ribeira, saindo no desvio para Boiro, onde se segue a C-550 rumo a Padrón; chegado à vila de Cespón deve procurar a igreja de São Vicente e a indicação Neixón.
- Castro de Barona. Acesso pela C-550, no segmento que liga Porto do Son a Ribeira, onde encontra um desvio a 4 kms de Porto do Son. Até ao castro são 600 metros de caminhada pelo chamado ‘caminho romano’.
- Castro de Santa Tegra. Há duas maneiras de chegar, ou de carro pela C-550 até A Guarda, a partir de Tui, ou de ferry a partir de Caminha. De A Guarda pronuncia-se uma estrada de 3 kms até ao alto do monte Santa Tegra.
ONDE FICAR?
- Convento de San Benito Plaza de San Benito, s/n, A Guarda Tel. 986 611 166 Duplo a partir de 63 euros.
_ Parador de San Telmo Avda. Portugal, s/n, Tui Tel. 986 600 300 Duplo a partir de 135 euros.
- Casa da Posta de ValmaiorAldeia de Valmaior, Boiro Tel. 981 862 548 Duplo a partir de 47 euros.
- Insuela (entre Ribeira e Palmeira) Tel. 981 838 026 Duplo a partir de 55 euros.
ONDE COMER?
- El Gran Sol C. Circunvalación, 13 A Guarda Tel. 986 610 552.
- O Vello Cabalo Furado C/ Seijas, 2 bajo, Tui Tel. 986 603 800.
- Jopi 2 Derechos Humanos, 2 Boiro Tel. 981 844 470.
- Vagalume Calle Principal, 107, Boiro Tel. 981 846 794.
- As Furnas, s/n, Xuño Tel. 981 769 272.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.