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Castros da Galiza

Os castros são considerados dos mais preciosos elementos do legado arqueológico da Galiza, embora as atenções estejam mais viradas para as vizinhas Astúrias e os Picos da Europa ou o Caminho de Santiago e a Costa da Morte, as rias e o mar selvagem, as igrejas medievais ou os espigueiros e as gaitas-de-foles (e de beiços).

30 de outubro de 2005 às 00:00

Nada se lhes compara, no entanto, em beleza rupestre no litoral galego, a que se devem juntar os petróglifos e túmulos megalíticos. O número de castros só desta zona da Península Ibérica (PI) está ainda por quantificar, embora se avente um dígito redondo acima dos três mil.

Em termos históricos os castros equivalem ao modelo arcaico das aldeias, vilas e cidades muradas, isto é, um povoado defensivo cujas origens se perpetuaram até hoje e que remontam à época romana, desde pelo menos 800 a.C. Os castros foram sempre construídos em zonas elevadas, promontórios ou planaltos, para que assim dominassem a paisagem envolvente, fosse esta de vales, montanhas ou faixa costeira. A sua forma era, regra geral, circular, como a coroa ou núcleo anelado por vários elementos defensivos (castrenses) como fossos, parapeitos ou pedras pontiagudas. É por isso mesmo que a Galiza e o Norte de Portugal são a maior "castrolândia" da Península Ibérica e um lugar de eleição para arqueólogos e antropólogos. Há assentamentos em toda a PI, apesar da cultura castreja ter mais relevância no noroeste da península, sobretudo no recorte a norte e a oeste, seguindo a sul pelo rio Douro e a leste pelo maciço montanhoso que vai da serra de Ranadoiro à serra do Marão.

Esta proposta de viagem – que se pode e deve fazer de automóvel e em qualquer altura do ano – centra-se nos castros marítimos de Neixón (no concelho de Boiro), Castro de Barona (Porto do Son) e Castro de Santa Tagra (A Guarda). Refira-se ainda que a primeira intervenção arqueológica no castro de Neixón data dos anos 20 mas a descoberta do vidro púnico só se deu nos anos setenta e, de resto, ainda decorrem as escavações do castro de Neixón Grande.

Nas proximidades encontra o Centro Arqueológico de Barbanza, o ponto de partida mais conhecido para qualquer itinerário ao legado pré-histórico galego. Quanto ao assentamento de Barona está numa fase de escavação mais avançada, o que lhe confere maior imponência, acrescida esta pela sua localização sobre um mar aberto e de proporções de certa maneira dramáticas (o de Neixón assenta numa ria tranquila).

A cronologia diz que a referência mais antiga ao castro de Barona data de 1754, embora o início das escavações tenha começado apenas nos anos trinta. É considerado o castro mais imponente da PI. Fique também a saber que a ligação dos castros à cultura celta não é fenómeno singular na história castreja, já que no caso do Castro de Barona, e a título de exemplo, é a tribo dos praestamarcos que lhe está associada.

Nota final sobre o Castro de Santa Tegra, localizado na foz do rio Minho e o mais meridional dos castros galegos. Distingue-se dos restantes pela sua localização privilegiada no alto de uma serra, a de Santa Tegra, na cota de 314 metros. As vistas são também das mais prodigiosas do noroeste da Península Ibérica.

É por estas e por outras que se aconselha esta singular proposta para uns dias bem diferentes. Tanto mais que a Galiza fica mesmo aqui ao lado e partilha com Portugal, sobretudo com a vizinha zona de Trás-os-Montes um passado e vários traços em comum. No fundo – e parafraseando o célebre anúncio – é como ir para fora ficando cá dentro. Ainda por cima, esta é uma proposta de turismo sempre aconselhável até porque, dada a proximidade, não acarreta grandes despesas. É só pegar no carro e fazer-se à estrada. Mesmo que não seja um arqueólogo ou antropólogo.

COMO IR?

- Castro de Neixón. Acesso feito pela via rápida 1.1. de Padrón-Ribeira, saindo no desvio para Boiro, onde se segue a C-550 rumo a Padrón; chegado à vila de Cespón deve procurar a igreja de São Vicente e a indicação Neixón.

- Castro de Barona. Acesso pela C-550, no segmento que liga Porto do Son a Ribeira, onde encontra um desvio a 4 kms de Porto do Son. Até ao castro são 600 metros de caminhada pelo chamado ‘caminho romano’.

- Castro de Santa Tegra. Há duas maneiras de chegar, ou de carro pela C-550 até A Guarda, a partir de Tui, ou de ferry a partir de Caminha. De A Guarda pronuncia-se uma estrada de 3 kms até ao alto do monte Santa Tegra.

ONDE FICAR?

- Convento de San Benito Plaza de San Benito, s/n, A Guarda Tel. 986 611 166 Duplo a partir de 63 euros.

_ Parador de San Telmo Avda. Portugal, s/n, Tui Tel. 986 600 300 Duplo a partir de 135 euros.

- Casa da Posta de ValmaiorAldeia de Valmaior, Boiro Tel. 981 862 548 Duplo a partir de 47 euros.

- Insuela (entre Ribeira e Palmeira) Tel. 981 838 026 Duplo a partir de 55 euros.

ONDE COMER?

- El Gran Sol C. Circunvalación, 13 A Guarda Tel. 986 610 552.

- O Vello Cabalo Furado C/ Seijas, 2 bajo, Tui Tel. 986 603 800.

- Jopi 2 Derechos Humanos, 2 Boiro Tel. 981 844 470.

- Vagalume Calle Principal, 107, Boiro Tel. 981 846 794.

- As Furnas, s/n, Xuño Tel. 981 769 272.

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