Os prazeres da bola a correr solta pela rua fazem a cabeça dos mais novos e não dão margem à arte de Chopin, Schubert ou Cole Porter. Só a descontracção para vencer a indiferença reinante, mas o segredo está em conseguir “explicar e desmistificar” toda a obra dos mestres.
Uma janela de esperança que se abre pelas mãos do maestro António Ferreira e consegue aproximar o grande público da música clássica. O génio dos compositores desce à Terra da forma mais simples e, entre a imponência do Centro Cultural de Belém e os repletos auditórios da Margem Sul ou Zona Centro, empresta talento aos jovens músicos convidados. O ciclo de 35 actuações pedagógicas faz sucesso desde finais do ano passado e, até Maio, ‘As Janelas da Música – Concertos Conversados’ prometem continuar a arrastar multidões.
Os maus resultados são conhecidos e o caminho não podia ser outro. “Levar a música de forma mais acessível ao público, explicando a obra dos compositores, o que rodeia a obra e a sua composição, entre outras curiosidades”. Assim se fazem as grandes audiências e cativam os diferentes públicos – conhecendo-os.
E a chave está em cinco temas de concertos diferentes, para plateias diferentes. Entre ‘Um Violino Português’, ‘O Amor e a Música’, ‘Modinhas Luso-brasileiras’, ‘O Piano Romântico’ e ‘De Schubert a Cole Porter’, o maestro e pianista António Ferreira garante “boas assistências”, já com concertos esgotados – e “a divulgação da música erudita portuguesa, pouco conhecida do público em geral”.
E daí que em todos os concertos estejam sempre “um a dois” compositores portugueses presentes, “jovens músicos de qualidade e que vêem ali uma das raras oportunidades de intervir”, profissionais entre os 20 e 30 anos convidados a subir ao palco e apresentarem o seu trabalho.
E ‘Um Violino Português’, de resto, “é inteiramente dedicado à música portuguesa” – entre piano e violino dos séculos XIX e XX. Aos 36 anos, António Ferreira é autor do programa de rádio ‘Prata da Casa’ e tem por objectivo divulgar a música nacional ao longo dos séculos.
Lançaram-lhe o repto de passar mensagem pelas salas de espectáculo e não hesitou. Coordena todo o projecto e o seu programa é sempre escolhido em função dos artistas convidados. É tocada a primeira música, depois António entra, fala do compositor que acabámos de ouvir e passa a explicar a obra do que vamos ouvir de seguida.
Dá exemplos musicais. “As pessoas não se limitam aqui a ouvir a música e isso faz com que o público se interesse, cria um ambiente de interacção” e entusiasmo na plateia. “Nada mais reconfortante para nós”.
À noite actuam “para todos os tipos de público”, em que a linguagem também difere, e há uma série de concertos à tarde, mais vocacionados para os primeiro e segundo ciclos do Ensino Básico. “E no Barreiro, por exemplo, tivemos um concerto para a Universidade da Terceira Idade”, recorda à Domingo o maestro.
O balanço até agora “é muito positivo. Em municípios com mais ou menos adesão, mas, de uma forma geral, tem sido um sucesso”. António Ferreira não esquece as actuações “com o público todo de pé, a aplaudir” – e recorda o primeiro concerto no Entroncamento. “No final houve uma criança que olhou para a professora e confessou estar quase a chorar”.
Foi numa actuação de ‘O Amor e a Música’ e, vindo do público mais jovem e naturalmente indiferente à magia da música clássica, tem significado especial. Pequenos episódios que motivam os músicos “a continuar”, como no final de um concerto no Barreiro. “Pelo simples facto de um aluno do primeiro ciclo ter vindo a correr para nós só para dizer que tinha gostado muito”.
Depois do sucesso no CCB, em Lisboa, o maestro António Ferreira associou-se à ‘Artemrede’, associação de teatro da Zona Centro, que se tem dedicado à organização e toda a logística dos seus concertos entre Sobral, Abrantes, Barreiro, Entroncamento, Montijo, Palmela e Santarém (ver programa ao lado). António estudou direcção de orquestra com Jean-Marc Burfin na Academia Nacional Superior de Orquestra e, como pianista, já actuou entre o Salão Nobre do Teatro Nacional de São Carlos, Coliseu de Lisboa ou o Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
O seu talento está agora ao serviço dos concertos pedagógicos – iniciativa que quer repetir e, no próximo ano, gostava de levar “a todo o País”.
VAI GOSTAR SE... tem interesse em ouvir música clássica e ficar a conhecer melhor a obra de grandes compositores. Oportunidade ainda para aprender mais sobre a música erudita portuguesa.
ANTÓNIO FERREIRA
Profissão: Maestro e pianista
Idade: 36 anos
Onde estudou: Academia Nacional Superior de Orquestra e Escola Superior de Música de Lisboa.
Onde actuou: Teatro Nacional de São Carlos, Coliseu de Lisboa, Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
PROGRAMA DE CONCERTOS
‘O AMOR E A MÚSICA’
Actuam Lídia Serejo, flauta; Júlio Guerreiro, guitarra, Tatiana Balyuk, piano; maestro António Ferreira, comentários. Parte: interpretam Edward Elgar, Vianna da Motta, Claude Debussy e António Victorino D’Almeida. II Parte: Agustin Barrios, Astor Piazzolla e Ennio Morricone. 2 de Fevereiro, 21h30, Cinema Teatro Joaquim d’ Almeida, Montijo 3 de Fevereiro, 21h30, Cine-Teatro São João, Palmela
‘MODINHAS LUSO-BRASILEIRAS’
Actuam Cristina Rosário, meio soprano; Tatiana Balyuk, piano; maestro António Ferreira, comentários. Parte: interpretam João Mazziotti, Anon, J.M. de Sousa Barros, Gabriel Fernandes da Trindade, José Francisco Leal, José Joaquim Lodi e J.J. de P. II Parte: José Maurício Nunes Garcia, Francisco da Luz Pinto, Joseph Fachinetti, Emilio E. C. do Lago e Rafael Coelho Machado. 8 de Fevereiro, 21h30, Cine-Teatro São João, Palmela. 9 de Fevereiro, 21h30, Cine-Teatro do Sobral de Monte Agraço. 13 de Fevereiro, 21h30, Cine-Teatro São Pedro, Abrantes. 14 de Fevereiro, 15h00, Auditório Augusto Cabrita, Barreiro. 15 de Fevereiro, 21h30, Teatro Sá da Bandeira, Santarém. 16 de Fevereiro, 21h30, Cinema Teatro Joaquim d’Almeida, Montijo.
‘UM VIOLINO PORTUGUÊS’
Actuam Tiago Neto, violino; João Aboim, piano; maestro António Ferreira, comentários. Parte: interpretam Victor Hussla, Vianna da Motta, Óscar da Silva e António Fragoso. II Parte: Frederico de Freitas, Ivo Cruz, Luiz Barbosa e Cláudio Carneyro. 9 de Março, 21h30, Cine-Teatro do Sobral de Monte Agraço.
‘O PIANO ROMÂNTICO’
Paulo Pacheco; piano maestro António Ferreira, comentários. Parte: interpretam Frédéric Chopin, Brahms e Franz Liszt. II Parte: Alfredo Keil e Serge achmaninov. 23 de Março, 21h30, Cinema-Teatro Joaquim d’ Almeida, Montijo. 13 de Abril, 21h30, Cine-Teatro do Sobral de Monte Agraço. 14 de Abril, 21h30, Cine-Teatro São João, Palmela.
‘DE SCHUBERT A COLE PORTER’
Rui Baeta, barítono; João Vasco Almeida, piano; maestro António Ferreira, comentários. Parte: interpretam F. Schubert, R. Schumann, G. Fauré e M. Ravel. II Parte: M. de Falla, F. Lopes-Graça, António Pinho Vargas, Cole Porter e G. Gershwin. 15 de Abril, 15h00, Auditório Municipal Augusto Cabrita, Barreiro.
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