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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Edson Athayde: “Recessão sem coração”

É o slogan que o publicitário diz melhor descrever o estado actual do País. O homem que revolucionou os anúncios dedica-se agora à escrita, mas aprendeu a “nunca dizer nunca” à publicidade.

12 de agosto de 2012 às 15:00

Edson das Neves Athayde nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1966. Começou a trabalhar em publicidade aos 17 anos e aos 21 chegou a Portugal para ser copy junior na agência Young & Rubicam. Em dois anos chegou a vice-presidente e coleccionou prémios de publicidade. Fez parte do governo de Guterres.

Nos últimos meses, Edson Athayde escreveu um romance em Guimarães, a convite da Capital Europeia da Cultura. As ilustrações e fotos do livro foram escolhidas em concurso. É mais uma faceta de um criador versátil, que deixou em stand by a muito bem sucedida carreira na publicidade.

Com a vida dividida entre Lisboa, Barcelona e o Rio de Janeiro, Edson é pouco dado a rotinas. Cronista hábil, tem no Tio Olavo uma personagem que pinta de humor e sapiência os seus textos. Cansado de tanta conversa sobre a crise, diz que o ministro Vítor Gaspar precisa de melhorar a imagem.

A resposta escolhida surge a sublinhado

- Disse numa crónica recente sentir-se "Imerso num sem número de notícias económicas e debates estéreis sobre a taxa de imposto correcta a aplicar sobre o sexo dos anjos". O que deveríamos então discutir?

a) Formas de convencer o mundo de que o País não vai acabar amanhã

b) Se calhar devíamos discutir menos e trabalhar mais

c) O caminho que nos trouxe até aqui, para não o repetir

- Que anúncio televisivo actual o deixa a pensar, gostava de ter tido esta ideia?

a) O da Optimus com o maestro Vitorino de Almeida na aldeia de Montalegre

b) Os sketches dos Gato Fedorento para o Meo

c) A Soraia Chaves a fazer de sereia para a Vodafone

d) Outra hipótese: Há sempre coisas boas no ar, mas não cultivo o hábito de invejar o trabalho dos outros

- A frase é sua: "Sou um português-brasileiro. No Brasil sou mesmo português pelo sotaque, para eles é portuguesíssimo". Que sentimento tipicamente português descobriu em si?

a) A capacidade de ter saudades das pessoas, dos sítios, das vivências

b) Algum queixume e maledicência, que habitam em todo o português

c) A convicção que as coisas se hão-de resolver, nem que seja à última hora

- Chegou a Portugal em 1991. Qual a maior mudança que regista nos portugueses?

a) Perderam o medo do ridículo e aprenderam a rir de si próprios

b) São hoje um povo muito mais aberto à novidade e à mudança

c) Os hábitos consumistas tornaram os portugueses mais burgueses

- Diz que há três aeroportos em que se sente em casa quando chega de uma viagem prolongada: o de Lisboa, o do Rio de Janeiro e o de Barcelona. Viver entre três países é?

a) Uma canseira indescritível, pelo que penso ficar em Portugal por uns tempos

b) A maneira que encontrei de evitar a saturação

c) Estou bem nestas três cidades, em diferentes momentos e circunstâncias

- Ajudou António Guterres a chegar a primeiro-ministro com o slogan ‘Razão e Coração’. Hoje, que frase descreveria o estado do País?

a) Um aperto no coração

b) Razão sem tostão

- Que político português precisaria de uma urgente operação para melhorar a sua imagem?

a) Vítor Gaspar, que fala como se os seus interlocutores fossem criancinhas

b) António José Seguro, que de seguro só tem o nome

c) Cavaco Silva, campeão de gaffes e frases inoportunas

- Que personalidade histórica portuguesa gostaria de juntar com o seu Tio Olavo, a voz sapiente das suas crónicas, num serão prolongado de conversa afiada?

a) Afonso Henriques, o fundador de toda esta balbúrdia

b) D. João II, que empurrou Portugal para fora das suas estreitas fronteiras

c) D. Pedro IV – que foi rei de Portugal e do Brasil e que viveu com o coração dividido entre os dois lados do Atlântico

- Depois da publicidade, tem-se dedicado à escrita. Porquê esta mudança?

a) Na verdade sempre escrevi, mas percebo que me associem aos anúncios

b) Chega um momento em que nos cansamos de vender produtos e queremos só partilhar ideias

c) Nunca direi nunca à publicidade, mas agora estou noutra

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