Diz-se uma mulher como aquelas que a veem na televisão, com uma vida comum de mãe de família. Há 11 anos ultrapassou um cancro.
Fernanda Serrano ficou conhecida como atriz, mas também dá cartas na cozinha e garante que os seus caracóis são os melhores de todos os que já provou. Para podermos confirmar pedimos-lhe a receita dos ‘caracóis da Nandinha’ logo no início da entrevista e ficámos a saber que "a receita é muito próxima da tradicional, à exceção de um ingrediente secreto" que a atriz nos pediu para consultarmos no livro ‘Viva a Vida’ (Oficina do Livro), lançado esta semana.
Qual é a sua grande especialidade na cozinha?
Tenho algumas, mas polvo é do que mais gosto de confecionar e comer, de todas as formas. Faço um 4 em 1. Cozo um superpolvo e daí faço arroz de polvo, polvo à lagareiro, polvo à galega e salada de polvo. Só de uma vez. Gulosa como só eu! E bacalhau. Descobri tarde este maravilhoso elemento tão português, mas agora uso e abuso! É bom, saudável, delicioso, multifacetado e, sobretudo, tão tipicamente português.
Gosta muito de toucinho, mas diz que hoje é impensável comer toucinho frito por causa da celulite e dos 45 anos… Mais alguma coisa de que goste muito mas evite comer?
Fritos, completamente fora da lista de possibilidades, bem como o açúcar e os processados. É apostar no que a natureza nos dá! Os 45 e a nossa saúde agradecem!
Como é que um bom garfo consegue controlar a vontade de comer petiscos?
Não renego um bom petisco, mas digamos que faço uma triagem muito apertada. A verdade é que tem funcionado. Quando esses momentos acontecem são soberbamente saboreados.
Quais são os seus segredos para manter a forma física aos 45 anos?
Descobri o exercício físico aos 45. Percebi que a genética e a vida têm sido generosas comigo, há que começar a fornecer mais alguns ‘inputs’. A alimentação sempre foi regrada e feita com discernimento, portanto agora com o fator exercício como complemento, a fórmula ficou substancialmente melhorada. O nosso corpo é uma máquina perfeita, só temos de saber manobrá-la com as devidas competências.
Cresceu filha única numa casa onde nunca faltou comida, mas muitas vezes ouviu a mãe chorar às escondidas porque não tinha dinheiro para ir ao mercado. De que forma isto a moldou?
A falta de abundância pautou, durante toda a minha vida, a forma séria como conquisto e agradeço tudo o que tenho e proporciono aos meus. Quem dera que o entendimento desta nova geração fosse assim tão simples, mas genuíno. Sinto que os meus filhos estão ainda muito distanciados da realidade do Mundo, das dificuldades, do básico e necessário, de parar e olhar para a vida tal como ela é, sem apêndices virtuais. Faço um esforço tremendo, mas não tenho o sucesso pretendido por mim. Existe ainda um longo caminho a percorrer, sei disso.
Lembra-se da primeira coisa que comprou com o primeiro salário e do que sentiu?
A primeira que comprei já não. Era muito miúda, tinha 14-15 anos, portanto não tenho ideia. Mas com o ordenado da minha primeira peça de teatro fui fazer uma viagem com os meus pais, a um sítio que sabia ser de sonho para eles.
Com 15 anos começou a fazer trabalhos de manequim. Foi aí que a ‘maria rapaz’ ganhou consciência da sua beleza?
Sim, antes sentia que era muito pouco feminina e a miúda mais desajeitada do grupo. A adolescência tudo fez mudar, o corpo, a ilusão, a consciência e o
entusiasmo.
"Às vezes, tenho a sensação de que vou cair para o lado de cansaço, mas depois penso no que ainda tenho para fazer – preparar as roupas para o dia seguinte, dar banhos, fazer jantar, vestir pijamas, arrumar tudo, deitá-los, preparar o meu dia de trabalho, desmaquilhar, tomar duche, vestir pijama, desligar as luzes, fechar a casa – e chego à conclusão de que só posso desmaiar daí a três horas." As pessoas que a veem na televisão vão surpreender-se com esta descrição da vida de todos os dias...
A minha vida é comum, o meu dia a dia é comum, a minha forma de ser e estar é comum. Os sonhos e expectativas talvez não. Sou muito sonhadora.
O gostava de fazer e ainda não teve oportunidade?
Ainda tudo. Ainda continuo a achar que estou no início de tudo, que me falta este Mundo e o outro para viver, tudo fazer e experimentar. Para sempre me sentirei uma miúda alegre em começo de vida!
Depois do nascimento da sua filha Laura, descobriu que tinha cancro da mama. Como se lida com uma notícia destas numa fase que era suposta ser das mais felizes?
Com uma relutância e revolta iniciais. Mas com sorte, boa estrutura familiar, uma boa equipa médica ao lado e pensamentos bons, tudo em conjunto, contribui para um muito bom resultado. Foi o que fiz!
"Em momentos mais duros, como quando estava a fazer quimioterapia e não tinha pestanas nem sobrancelhas, dava por mim a dormir com uma peruca, a desenhar as sobrancelhas com um lápis dos olhos e a pôr rímel nas únicas três pestanas que ainda tinha. Isto porque, com a quantidade de líquidos ingeridos nos tratamentos, temos de ir à casa de banho várias vezes durante a noite e não queria assustar-me quando acendesse a luz e me visse ao espelho. ‘Uma miúda careca, sem pestanas nem sobrancelhas? Nem pensar, não quero!’", escreveu. Como se dá a volta ao medo?
Não sei. Não tenho fórmulas mágicas para isso, para nada. Fi-lo à minha maneira, como consegui, como pude, como me fez sentir mais confortável e forte para enfrentar tudo.
Mudou depois de passar pela doença?
Não mudei nem alterei a minha forma de ser e estar. Apenas passei a perder muito pouco ou quase nenhum tempo com as palermices da vida.
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