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Festivais míticos

O Paredes de Coura tem nos Pulp, Blonde Redhead, Deerhunter, Mogway, Governo, Peixe: Avião ou Linda Martini alguns dos seus atractivos

14 de agosto de 2011 às 00:00

Não podemos pensar um festival de música apenas como um sítio para ver um concerto ou vários concertos de assentada. Se o fizermos, arriscamo-nos a sair frustrados da experiência. Não que os concertos não aconteçam, mas convenhamos que num festival, dada a sua crescente massificação, não se encontram propriamente as melhores condições de conforto e de visibilidade para um desfrute pleno da música. Um festival tende a ser, assim, muito mais do que isso, a tal ponto que, em muitos casos, o cartaz musical se vem tornando progressivamente mera cereja em cima do bolo. Ou mesmo irrelevante.

VILAR DE MOUROS 71

Um exemplo extremo é o Rock in Rio, que funciona exclusivamente por ‘aderência’ à marca: uma espécie de bolo sem cereja e sem sabor que se passeia na t-shirt com os dizeres "estive lá" como afirmação de estatuto mundano.

No campo oposto temos vários festivais quase confidenciais entretanto tornados míticos: o de Vilar de Mouros de 1971, primeiro ensaio do molde Woodstock realizado entre nós, nas condições muito adversas da ditadura, e que foi não só uma espécie de balão de liberdade para a juventude da época mas também rara ocasião para se poder ver artistas anglo-saxões ao vivo, no caso Elton John e Manfred Mann; o de Vilar de Mouros de 1982, com o seu cartaz vanguardista (inolvidáveis os Echo & The Bunnymen, os Telectu, os Rip, Rig & Panic e o Sun Ra) e a incrível duração de dez dias a criar uma maratona de campismo selvagem e de festa permanente pelas bucólicas veredas minhotas; o dos Arcos de Valdevez, em 2000, com as prestações fantásticas dos Einsturzende Neubauten, dos Delta 72 ou dos Death In Vegas e a convivência familiar num cenário de romance gótico.

Entre os dois modelos situam-se os demais festivais de Verão, ora mais próximos de um ou de outro dos exemplos. E definitivamente do lado dos festivais míticos encontramos o de Paredes de Coura. Arredado do crescimento desmesurado pela topografia, é também esta, com a sua forma de anfiteatro natural, que lhe faculta condições excelentes para um equilíbrio que permite sobreviver à edição única sem perder a essência do que torna especial um festival de Verão, nomeadamente o convívio, o cenário paradisíaco, os banhos no rio, as tardes na relva, os passeios na vila, a boa comida regional.

E, claro, o cartaz musical. Com uma nítida aposta na descoberta – por lá passaram ainda desconhecidos, mas não despercebidos, grupos que são hoje mastodontes da cena indie, como The National ou Arcade Fire –, e a rara possibilidade de se poder ver os olhos dos artistas sem ter de se passar horas junto ao palco a marcar lugar, o cartaz de 2011 poderá ficar na história como um dos seus mais surpreendentes e reveladores. Eu vou, curioso…

Local: Praia fluvial do Taboão; Paredes de Coura

Datas: 17 a 20 deste mês

Preço: 75 euros (quatro dias); 40 euros (Bilhete diário)

+ info www.paredesdecoura.com

LIVRO: ‘ELA CANTAVA FADOS’

"A segunda incursão de Fernando Sobral na ficção policial, agora centrada no universo do Fado, com Lisboa a servir de cenário para a trama que emaranha o detective Manuel da Rosa ao investigar a morte de uma fadista. E que serve para lançar umas farpas à política, economia ou cultura, com a discreta acutilância de quem conhece a peça de ginjeira."

Editora: Quetzal

CINEMA: ‘SUPER 8’

"O criador de ‘Lost’ a homenagear o Spielberg dos ‘Encontros Imediatos’, numa película entre a tentativa de recriação da idade da inocência e a nostalgia sobre essa mesma inocência. Um grupo de amigos, a rodar um filme de ‘zombies’, acaba a filmar um acidente ferroviário – eis o mote para o imaginário de fita de aventuras adolescentes que se pretende reproduzir.

Realizador: JJ Abrams

Em exibição

DISCO: ‘DISCO VOADOR’

"Com a desculpa de fazerem um disco para crianças, os Clã esqueceram os preconceitos e deram livre curso à sua excepcional veia melódica. Se acrescentarmos o feliz casamento com a poesia surreal de Regina Guimarães, o resultado é um álbum de vanguarda simultaneamente popular e erudito. Pronto a encantar todas as crianças mas também melómano que se preze."

Editora: Chave de Som

FUGIR DE...

‘UMA ESTRELA NUNCA SE APAGA – HOMENAGEM A ANGÉLICO VIEIRA’

"A morte de alguém é sempre um drama para os seus próximos. Começa a ser pornografia mórbida quando, para lá do pesar, se explora o sentimento de vazio que essa morte possa causar. Que se transforma em puro mau gosto comercial e vendilhão quando passa a extorsão deliberada, a aproveitar a sensibilidade das almas mais desprevenidas."

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