A terapeuta Laira Ramos trouxe do Brasil método que pode revolucionar tratamento da disfunção eréctil, entre outros problemas íntimos.
O cancro da próstata atinge quase 20 por cento da população masculina europeia. Vencida a doença, surgem depois as consequências da prostatectomia: a incontinência urinária e a disfunção eréctil. Duas batalhas numa só guerra, que agora conhece uma aliada de força: a fisioterapia do pavimento pélvico.
O método ainda é pouco usado em Portugal, por falta de técnicos na área e consequente dificuldade da classe médica no reencaminhamento dos doentes. Mas Laira Ramos, fisioterapeuta que se dedica exlusivamente à reabilitação das maleitas do pavimento pélvico, sabe bem como exercícios simples podem fazer tanto bem.
"São poucos os médicos que indicam a fisioterapia no pós-operatório do cancro da próstata e são poucos os fisioterapeutas nesta área. Mas se o doente não fizer esta fisioterapia tem um tempo médio de recuperação na ordem dos dois anos e, muitas vezes, acaba mesmo por ter de colocar uma prótese peniana. A fisioterapia acelera a recuperação e evita mesmo outras intervenções", afirma.
A duração do tratamento varia consoante a gravidade do problema, podendo ir de algumas semanas a vários meses, e assenta no fortalecimento do pavimento pélvico – um conjunto de dez músculos entrelaçados, de tamanho comparável à palma da mão e em forma de oito, que envolvem nas suas extremidades a uretra e o ânus. "Estes músculos são tão responsáveis por uma boa resposta no campo sexual, quer em homens quer em mulheres, como pela continência e a sustentação de todos os órgãos da cavidade pélvica, como o recto, a bexiga ou o útero", explica a terapeuta.
Cada sessão consiste em realizar uma série de contracções musculares, de força e duração variada, com a ajuda de um aparelho eléctrico colocado na cavidade pélvica, que estimula e identifica o músculo que se pretende trabalhar, enquanto um computador ‘ordena’ ao paciente as sequências de exercícios que tem de fazer.
Em relação às diferenças entre homens e mulheres, Laira não tem dúvidas: "Elas são mais tímidas no que toca a falar de sexo. Os homens, como vêm de um processo de doença e já enfrentaram o medo da morte, vão directos ao assunto", conclui.
"O CASAL TEM DE ASSUMIR QUE TEM UM PROBLEMA"
Seja qual for a causa da disfunção eréctil, o envolvimento do casal em todo o processo é, para Laira Ramos, fundamental. "O casal tem de assumir que há uma disfunção que incomoda e que quer o tratamento. Há muita tendência para se atirar as culpas para cima do outro, mas a impotência é um problema dos dois. A fisioterapia é importante, o acompanhamento médico e, por vezes, psicológico", avisa.
Licenciada em Fisioterapia na área de Urinoginecologia no Brasil (especialização que não existe em Portugal), Laira Ramos dedica-se sobretudo à área da saúde da mulher, como preparação e recuperação antes e depois do parto, pós-mastectomia, prolapsos de órgãos pélvicos (útero, bexiga, recto) disfunções sexuais femininas e incontinências. A técnica que adopta para a resolução destes problemas é explicada em www.perineo.info
NOTAS
RISCO
A disfunção eréctil ocorre em 50 a 100 por cento dos doentes submetidos a prostatectomia, consoante for possível ou não poupar os nervos.
METADE
Calcula-se que as disfunções dos músculos pélvicos possam atingir 50 por cento da população mundial em alguma altura da vida.
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