Junto segue um bê-á-bá dos mercados londrinos, para lá dos domínios lendários de Portobello Road e Camden Town.
Entre mercados de culto e chafaricas contam-se nas páginas amarelas mais de 50, embora apenas cinco sejam de referência – Spitafields Market, Brick Lane, Camden Town, Greenwich e Portobello Road. Comecemos por Brick Lane (Metro: Liverpool Street, aos domingos, das 07h00 às 13h00), a opção a considerar se o que procura são casacos, livros, discos ou mobílias. O mercado corre paralelo à Commercial Street – na mesma zona do Spitafields – e é também conhecido entre os locais por ‘Bangla Town’. Não tem estrutura fixa e nasceu do improviso dos moradores. Um entreposto anárquico de bancas de rua onde se vendem, sobretudo (e sobretudos) objectos usados, os chamados ‘second hand new’.
O mercado estende-se aos armazéns de Cheshire Street, o feudo das pechinchas (’bargains’), termo para não ser levado à letra nestas bandas sob o risco de se acabar o dia a lavar pratos. ‘Bangla Town’ é também sinónimo de restaurantes de caril e armazéns do povo, na variante comércio a retalho. Em suma: o sítio ideal para encontrar o pijama de flanela, os atoalhados ou os peúgos em falta no roupeiro. Nada, contudo, que as feiras do Cacém ou do Relógio não cumpram, mas sempre tem o acento ‘british… bangla’.
O mercado de Brick Lane é a artéria principal de ‘Bangla Town’, uma modesta zona fabril que começou a ganhar compostura burguesa desde que os londrinos se fartaram do Soho. É ali que estão agora bares de referência como o Vibe ou o 93 Feet East ou espaços de arte alternativa como o White Cube, no 48 de Hoxton Street.
Outro mercado de referência é o Borough Market (Metro: London Bridge, sextas-feiras das 09h00 às 18h00 e sábados, das 09h00 às 16h00), onde os londrinos se aviam de frutas, legumes, bolos, pão, carnes e queijos. Foi votado há menos de um ano a maior atracção da cidade, dando o bigode ao Big Ben e aos paços da rainha. Atrai gourmets e grandes chefs como o célebre francês Alain Ducasse que ali arribam no rasto dos aromas e sabores de todos os cantos do mundo.
Seguem-se Camden Market e Camden Lock Market (Metro: Camdem Town, sábados e domingos das 09h00 às 17h00), um ‘dois em um’ cuja fama é planetária não somente pelo que vende (vende de tudo), mas também por reunir a fauna mais improvável, de punks e dreadlocks a meninos de pólo e sapatinhos de vela (e sem batalhas campais no historial).
Em rigor, não são dois mercados mas vários que confluem entre Camden Town e Camden Lock todos os fins-de-semana do ano. O chamado ‘Camden Market’ e o ‘Electric Ball Room’, ambos na High Street, e a própria rua com as suas lojas de letreiros king-size (Doc Martens, bonecas insufláveis…), fazem as delícias de muitos adolescentes. É o lugar certo para comprar casacos de cabedal e t-shirts a título de exemplo.
Curiosidade histórica: antes de se tornar um mercado, em 1971, Camden era o pólo hípico de Regent’s Canal, e no lugar das lojas funcionavam as cavalariças. Se nada disto o convencer, pode sempre tentar o mercado de frutas e legumes em Inverness Street. De Greenwich Village (Metro: Greenwich, sábados e domingos das 09h00 às 17h00), diremos apenas que é o mais indicado para os puristas do retro (bric-à-brac, antiguidades, roupas, alfarrábios, vinis…).
Por último, Portobello Road (Metro: Notting Hill Gate, sextas, sábados e domingos, das 08h00 às 18h00), este, mais do que um mercado, um bairro, um estilo de vida. A rua, Notting Hill Gate, tem comércio contínuo, mas o mercado só a ocupa nos fins-de-semana. O forte são os antiquários e a roupa retro, os discos, livros – todo o tipo de objectos vintage.
Em matéria de lojas cativas, a de Paul Smith, o sir dos criadores britânicos, é imbatível. Uma moradia vitoriana de três pisos, servida de jardim para o elementar chá das cinco onde depois da tília e do scone de manteiga é imperativo encomendar um fato por medida e aguardar a prova final da encomenda a um ano de distância. É uma sugestão para conhecer um outro lado de Londres – mais humano, mais acolhedor, que normalmente não vem nunca nos tradicionais guias turísticos. E é pena.
COMO IR?
A British Airways (Tel. 808 200 125) tem voos diários para Londres. Para chegar ao centro de Londres e à estação de Paddington, o melhor é o metro ou comboio Heathrow Express.
ONDE DORMIR?
- The Hempel: 31-35 Craven Hill Gardens, Tel. 00 44 20 72 98 90 00, Duplo a partir de 380 euros.
- St. Martins Lane: St. Martins Lane, 45, Tel. 00 44 20 73 00 55 00, Duplo a partir de 295 euros.
- Westbourn Hotel: Westbourn Grove, Nothing Hill, Tel. 00 44 20 72 43 60 08, Duplo a partir de 260 euros.
ONDE COMER?
- 202: Westbourne Grove, 202, Tel. 77 27 27 22, (experimente o hambúrguer de atum com ervas aromáticas).
- Toms: Westbourne Grove, 226, Tel. 72 21 88 18 (recomenda-se a salada de rúcula e tomate com ravioli de espinafres).
- Ottolenghi: Ledbury Road, Tel. 77 27 11 21 (crumble de maçã é a indicação imperdível).
- Nobu: Metropolitan Hotel, Old Park Lane, Tel. 74 47 10 00.
- Tamarind: Queen Street, 20, Tel. 76 29 35 61.
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