Depois de ‘Whoa, Nelly!’, em que dizia que era como um pássaro, a menina irreverente volta com ‘Folklore’. Na infância cantou em igrejas, com a mãe. Na adolescência foi cabeça de um duo de ‘trip-hop’. Já adulta, fez-se cantora ‘pop’ nos tops de vendas. Falamos da luso-canadiana, Nelly Furtado que, aos 24 anos, acaba de lançar o seu segundo álbum intitulado ‘Folklore’, poucas semanas depois de ter sido mãe de uma menina, Nevis.
Apesar de nascida em Vitória, na costa Oeste do Canadá, a ligação de Nelly Furtado com Portugal é estreita - os seus pais são açorianos de São Miguel. Tanto é, que a cantora mesmo vivendo no Canadá estudou numa escola portuguesa dos 4 aos 12 anos. Nascida a 2 de Dezembro de 1978, foi baptizada Nelly Kim Furtado, numa homenagem da mãe à ginasta russa Nelly Kim, uma das sensações dos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976. Mal sabia a sua mãe que 21 anos mais tarde, Nelly ia pelo mundo a cantar as músicas do seu primeiro álbum ‘Whoa, Nelly!’.
O gosto de Nelly Furtado pela música foi herdado do seu avô que compunha canções para a banda filarmónica portuguesa de Vitória. Já com quatro anos, a artista adorava cantar e ouvir o coro feminino que costuma ensaiar em sua casa e do qual a sua mãe fazia parte.
A primeira vez que Nelly Furtado actuou em palco foi aos quatro anos para um público de cerca de 600 pessoas, no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Foi nesse preciso momento que percebeu havia alguma coisa especial em subir a um palco e ouvir bater palmas. Começou a compor canções (letras e música) com 12 anos, bem como a tocar trombone e cavaquinho. Mais tarde, aprendeu a tocar viola para compor. Com apenas 13 anos, ganhou coragem, recortou o cupão de uma revista de música e mandou a sua primeira cassete de temas originais para uma editora.
Aos 16 anos, decidiu ir para Toronto viver com umas tias, depois assentou arrais em casa da irmã e foi durante esta estada que cantou em estúdio pela primeira vez. O trabalho numa companhia de alarmes ficou para trás quando tem a sua primeira colaboração com um produtor musical e lhe é atribuída a primeira bolsa por uma fundação canadiana para jovens artistas. Grava o primeiro vídeo.
O CAMINHO DO SUCESSO
No entanto, Nelly Furtado sente que não está na altura de enfrentar a vida adulta e volta para Vitória. Inscreve-se na universidade em Escrita Criativa, compra uma guitarra, começa a escrever canções mais interessantes, descobre artistas novos e passa a cantar em pequenos cafés. A primeira experiência profissional – e obscura - de Nelly Furtado foi com o grupo Nelstar. Fã de ‘hip hop’ e ‘R & B’, gravou uma ‘demo’, já em carreira solo, com a faixa ‘Shit On The Radio’. Testou a música numa casa nocturna local e percebendo a boa aceitação, decide investir numa carreira profissional. Nelly Furtado decide voltar a Toronto, donde já recebe convites. Não demorou até que a cantora dos olhos verdes assinasse o seu primeiro contrato com a Dream Works e brindasse o mundo com o seu álbum de estreia, intitulado ‘Whoa, Nelly!’. A própria ‘Shit On The Radio’ e ‘I’m Like a Bird’ foram os grandes destaques do trabalho, que tornou Nelly conhecida internacionalmente. Surpreen-dendo a crítica pela maturidade e originalidade das suas composições, apesar da pouca idade. Outro grande ‘hit’ foi ‘Turn Off The Light’. Depois do multi-galardoado ‘Whoa, Nelly!’, a vencedora de um Grammy de melhor cantora Pop em 2002, lança agora ‘Folklore’ um álbum que segue a mesma linha ‘pop/hip-hop’ do seu primeiro trabalho e que coincide com a altura em que a cantora acaba de ser mãe de uma menina.
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