Empresa portuguesa criou desenho animado e foi recebida por Michelle Obama na Casa Branca.
Nos anos 30, Popeye, o Marinheiro, foi o primeiro desenho animado motivacional da história. Mas a animação com fins educativos está na moda e tem até pioneiros portugueses. Chama-se Nutri-Ventures, é a primeira marca de entretenimento no Mundo exclusivamente dedicada à promoção de uma alimentação saudável e também foi a primeira empresa portuguesa a ser recebida por Michelle Obama na Casa Branca (EUA).
A reunião em setembro – ‘The White House Convening on Food Market to Children’ – serviu para discutir, em conjunto com marcas grandes a nível global (como a Coca-Cola, a Burger King ou a Disney), a importância do marketing alimentar no combate à obesidade infantil e a definição de estratégias para o futuro. O convite lançado à Nutri-Ventures, a única empresa não americana presente, partiu da própria Michelle Obama. Mas apesar de já anteriormente (em agosto) ter sido nomeada para um prémio das Nações Unidas, o convite surpreendeu os mentores da Nutri-Ventures, fundada em 2010. "Sabíamos que a Michelle Obama abraçou com grande empenho a causa da obesidade infantil e nós temos desenvolvido grandes esforços de implementação junto do mercado norte-americano, mas, ainda assim, foi uma surpresa grande", afirmou Rui Lima Miranda à Domingo, ao telefone, a partir de Nova Iorque, para onde se mudou de armas, bagagens e quatro filhos, para delinear a estratégia da marca para o país dos hambúrgueres e do barbecue.
Rui Lima Miranda fundou a Nutri-Ventures em 2010, juntamente com Rodrigo Carvalho e Pedro Van Zeller, para criar desenhos animados, jogos, aplicações e outros conteúdos. Em 2013 chegou a primeira aplicação mobile da marca, a NV Runners. Tudo para "dotar os pais, os professores e os educadores de ferramentas que o ajudem na tarefa de melhorar os hábitos alimentares dos mais pequenos".
Mas a ‘master piece’ da Nutri-Ventures são os desenhos animados, homónimos, que já passam em 20 países, incluindo os Estados Unidos. Em Portugal, os mais pequenos podem vê-los no Canal Panda, na RTP 2 ou em DVD. É a primeira série de animação gravada originalmente em português e só posteriormente dobrada para inglês.
TORNAR APETITOSO
"O grande desafio de fazer estes desenhos animados foi tornar a questão da alimentação numa coisa atrativa para as crianças. A solução passou por atribuir a cada grupo de alimentos um super poder, de forma a entreter mas também levar os mais pequenos a relacionar sentimentos positivos com alimentos saudáveis", explicou Rui Lima Miranda. O amarelo, por exemplo, é o nutri-power da energia; o branco (leite e derivados) o da resistência.
Mas o enredo é muito mais do que isso, claro, para atrair os miúdos. Os heróis da história são Teo, Lena, Ben e Nina, que vivem numa cidade cinzenta desde que Alex Grand, o terrível vilão, destruiu todos os alimentos para obrigar a população a alimentar-se apenas e só de um composto calórico fabricado na sua empresa, a Grand Corporation. Mas os heróis da trama descobrem que os alimentos estão escondidos nos "sete reinos mágicos" e que estes conferem os tais superpoderes. Segredos destes já valeram um milhão de visualizações no canal YouTube e mais de 80 mil registos no site da série. O próximo passo passa pela construção de um parque temático e a produção de uma longa-metragem.
DO POPEYE À VILA MOLEZA
Quando era criança, Elzie Segar costumava dar ouvidos a um velho marinheiro escocês: se quisesse ficar forte e ser capaz até de derrubar um elefante, deveria comer muitos espinafres. E foi nele que, já adulto, se inspirou para a personagem Popeye, que apareceu pela primeira numa tira do jornal ‘Evening Journal’ a 17 de janeiro de 1929. Quatro anos depois, ‘Popeye, o Marinheiro’, adaptação para o cinema, estreava-se, tornando-se o primeiro desenho animado motivacional da história. Estima-se que, à conta do sucesso das animações do ‘Popeye’, nos anos 30, o consumo de espinafres tenha aumentado 33 por cento nos EUA.
Não é fenómeno único. Há poucos meses, Leonor abeirou-se da cozinha e pediu uma maçã à mãe. Pedido estranho, porque Leonor, com quatro anos, é igual à maioria dos miúdos: não gosta de "coisas verdes", epíteto que serve para enfiar no mesmo saco tudo o que são frutas e vegetais. Com uma maçã vermelha na mão, Leonor sentou-se em frente à televisão, a trincar, tal e qual como o seu maior ídolo: ‘Sportacus’, o herói desportista dos desenhos animados da série ‘Vila Moleza’. A reação de Leonor não é obra do acaso e espelha o sucesso de uma estratégia de marketing bem orquestrada. ‘Vila Moleza’ é atualmente o programa motivacional mais popular do Mundo, sendo transmitido em 40 países. A ideia nasceu na Islândia e na cabeça de Magnús Scheving, ex-campeão de ginástica e CEO da empresa Lazy Town Entertainment. Curiosamente, ele também é o protagonista da série – o tal ‘Sportacus’ que põe a mais gulosa das crianças a comer maçãs, que na série são nomeadas como ‘doces desportivos’, ou seja, que dão força para brincar e viver.
Scheving começou por ganhar a vida como carpinteiro, até apostar com um amigo que ambos iriam ser campeões desportivos. E, de facto, assim foi. O amigo tornou-se campeão de snooker e Magnús de ginástica aeróbica, tendo conquistado em dois anos consecutivos (1994 e 1995) o título de campeão do Mundo.
Aproveitando a fama enquanto atleta, Scheving escreveu um livro que falava numa cidade (a tal Vila Moleza) onde todos adoravam doces e preferiam ver televisão a jogar à bola. Até ao dia em que chega à cidade uma nova personagem e tudo muda…
Na vida de Scheving também tudo mudou. ‘Vila Moleza’ tornou-se na maior exportação da Islândia e Scheving num dos homens mais ricos do país.
Em Portugal, ‘Vila Moleza’ é transmitida em horário nobre, já que os seus fãs de palmo e meio (ou seja, as audiências) assim o ordenam. Michelle
Obama também foi madrinha desta série nos EUA. Curiosamente (ou talvez não!), a taxa de obesidade infantil caiu no país pela primeira vez em 2012, depois de ter triplicado nas três décadas anteriores.
CAIXA
"ÁREA DA NUTRIÇÃO TEM MUITO QUE EXPLORAR"
Quando criámos a Nutri-Ventures, a ideia não foi desde logo explorar a questão da nutrição, mas fizemos um estudo e percebemos que este era um nicho que tem muito para explorar", afirma Rui Lima Miranda. Os primeiros dois anos de atividade foram passados a desenvolver produtos (jogos, puzzles, vestuário) e os conteúdos: "do guião às personagens, passando pela animação e sonoplastia, música e vídeo". Em 2012 foi lançada a plataforma digital (um site para os pais e outro para as crianças).
A série de animação é composta por
82 episódios com cerca de 24 minutos cada, o que equivale a uma produção de 20 filmes de cinema. Em Portugal, está ora no top 3 ora no top 5 das audiências, de cada vez que é emitida.
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