Portugal recebeu a maior Conferência de Robótica Inteligente. Mil e quinhentos cientistas anunciaram o admirável mundo novo
Não é para já, mas fica o aviso: daqui a alguns anos, os humanóides podem vir a ocupar o nosso lugar em muitas das tarefas diárias.
Na mais importante conferência sobre robótica do Mundo, que se realizou na passada semana, em Vilamoura, percebia-se onde estávamos logo à entrada – em vez da habitual hospedeira de calções curtos, um robô rasteiro, parecido a um balde de lixo inteligente, a distribuir rebuçados pela sala durante a pausa para café. Algo assim só faz sentido em eventos como a Intelligent Robots and Systems 2012 (IROS).
Esta foi a primeira vez que Portugal recebeu o evento que "contou com mais de 1500 cientistas, vindos de 53 países; a maior adesão de todas as edições da IROS realizadas na Europa", disse Paulo Peixoto, do Instituto de Sistemas e Robótica da Universidade de Coimbra, a organização.
Na conferência, a maioria são jovens. Génios, mas jovens, alguns com meias da Nike por baixo das calças de fato. E quase todos homens, investigadores e estudantes, que participam "na revolução tecnológica que está a mudar o Mundo".
NÃO É FICÇÃO CIENTÍFICA
Aqui, todos os objectos piscam ou cirandam pelos corredores. Na primeira sala, dá-se logo com o NAO, da empresa francesa Aldebaran Robotics. É um dos últimos avanços na área dos humanóides e chuta uma bola como uma criança. Tem cerca de 50 centímetros e assemelha--se a uma marioneta. Anda e interpreta o que o rodeia, com ajuda de câmaras e sensores, mas tem a mesma expressão pateta e vazia de um boneco.
"Lá para 2015 será comercializado e conseguirá ajudar crianças a fazer os trabalhos de casa ou a aprender línguas", prevê o representante da marca, Nicolas Bardout. Custa 12 mil euros, para investigação, mas quando for lançado ao público deverá rondar os três mil.
O objectivo da Aldebaran Robotics passa também por aperfeiçoar o mecanismo, tornando-o o mais parecido possível com os humanos e lançar depois uma versão com 150 centímetros, adaptável aos ambientes domésticos.
COMPETIÇÕES
No primeiro andar do hotel ouvem-se festejos em japonês. Vários cientistas competem entre si em provas de manipulação de robôs.
À primeira vista, os aparelhos não passam de corta-relvas com braços, ligados a computadores portáteis. Mas não, vence quem contornar todos os obstáculos numa pista e recolher diferentes objectos pelo caminho. Cada missão bem-sucedida é comemorada como se fosse um golo na final do campeonato do Mundo.
Máquinas como estas, mas mais robustas e complexas, são utilizadas, por exemplo, na recuperação da central nuclear de Fukushima, avançou Hajime Asama, do Japão, numa das conferências da IROS. Segundo Paulo Peixoto, "apesar das barreiras práticas – escadas ou passagens estreitas – continuarão a ser utilizados robôs em cenários perigosos nos próximos 40 anos, em prol dos humanos".
ROBÔS NA MEDICINA
Paolo Dario, investigador italiano na área da medicina, também não tem dúvidas quanto às vantagens da utilização de robôs. "Não se trata de substituir os médicos por máquinas, mas, sim, de dotá-los de ferramentas de alta precisão e baixo risco para os pacientes", assegurou.
É o caso de Da Vinci, um mecanismo que permite tratar o cancro na próstata de forma minimamente invasiva. Com este robô, "os doentes não correm risco de vir a sofrer de impotência ou incontinência urinária", garantiu. Nos Estados Unidos da América, 75 por cento dos casos são já tratados deste modo. Dados de 2010 indicam a existência de "apenas um destes aparelhos em Portugal, no Hospital da Luz, em Lisboa, contra os 21 em Espanha e os 54 em Itália".
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