A indústria pornográfica norte-americana anda em alvoroço com o aparecimento de actores com testes de HIV positivos. Há quem tenha suspendido as filmagens, em nome de uma fábrica de fazer dinheiro.
A bomba estoirou há pouco mais de uma semana nos Estados Unidos. O actor porno Darren James acusou positivo no teste ao HIV realizado pela Adult Industry Medical Health Care Foundation (AIM), fundação de saúde daquela tão peculiar quanto milionária indústria cinematográfica.
O pânico à volta da notícia instalou-se de imediato no sector. O actor negro nascido em 1976, em Detroit, Michigan, possui um currículo extenso e contracenou com centenas de actrizes ao longo dos últimos sete anos. Prova dessa estreita ligação entre a indústria e os muitos centímetros da sua virilidade, ainda há pouco tempo Darren participava com a regularidade de um relógio suíço nas mais variadas películas, e só este ano contam-se pelo menos cinco novos filmes seus, número que fica muito aquém dos 28 em que participou durante 2003.
Quando confirmou a terrível novidade, a AIM tratou de accionar de imediato mecanismos para tentar travar a epidemia. Chegar ao contacto com os produtores dos filmes em que Darren James participou ultimamente foi o primeiro passo. Apesar do esforço há pelo menos uma actriz infectada com o vírus: Lara Roxx, uma jovem de 21 anos oriunda do Canadá e estreante no meio pornográfico de Los Angeles, que terá contracenado com Darren no dia 24 de Março.
Ao que tudo indica, é até ao momento a única mulher infectada pelo actor, já que Dynasty, veterana da pornografia que com ele rodou uma cena um dia depois de Lara, foi diagnosticada com HIV negativo nas análises mais recentes.
O rastreio tem tentado englobar todas as pessoas que participaram em cenas de sexo com Darren James nos últimos tempos, uma tarefa complicada dado o elevado número de filmes em que o actor deu o corpo ao manifesto. Para simplificar a tarefa, a AIM dividiu-as em dois grupos, que designou como de primeira e de segunda geração.
Na primeira geração estão incluídas as actrizes que ‘dormiram com o James desde o seu último resultado negativo no teste de HIV’ – os exames são feitos com uma periodicidade mensal. Por isso, um total de 12 mulheres permanecem numa espécie de quarentena voluntária pelo menos durante dois meses, na angústia para saberem se foram ou não infectadas numa altura em que o actor já estava contaminado.
Mas o número de indivíduos parados chega quase à meia centena. Na segunda geração de actores, por exemplo, a instituição de saúde englobou todos os homens e mulheres que de forma indirecta possam ter apanhado o vírus. Mark Ashley filmou com Patrice Petite, sendo agora um dos nomes dessa lista, pois a actriz tinha contracenado com Darren Jones há muito pouco tempo. “Abandonei o ‘set’ de filmagens mal soube desta notícia. Fui à AIM para saber o que se passa. Estava a rodar um diálogo e era suposto ter a cena de sexo à noite, mas cancelei-a de imediato”, afirmou Ashley. O actor nem sabia que tinha sido incluído numa quarentena, mas mostrou-se receptivo face à medida e disparou: “Para mim tanto faz que seja voluntária ou obrigatória. De qualquer forma, mesmo não sendo imposta, quem é que vai querer trabalhar comigo agora? Vou encorajar os outros actores que estão na mesma situação a honrarem este período.”
PRODUTORAS COM MEDO
Nem só os actores estão de acordo quanto ao cumprimento de um interregno nas filmagens. Produtoras como a VCA, a Cherry Boxxx Pictures, a Red Light District e a Jill Kelly Productions decidiram cancelar as filmagens até serem comprovados os resultados dos testes feitos a todos os actores, uma garantia de segurança que poderá valer muito dinheiro no futuro.
Mas as medidas não se ficam pelo ‘período de nojo’. Jenna Jameson, provavelmente uma das mais conhecidas actrizes da história dos filmes pornográficos, não ficou indiferente a esta fase negra da indústria que a tornou milionária. Dona de uma produtora de películas para adultos, que dirige em conjunto com o marido, Jay Grdina, acaba de criar um fundo de assistência aos actores pornográficos, o Adult Industry Assistance Fund (AIAF).
A nova instituição pretende ajudar monetariamente os protagonistas que neste momento se encontram parados, à espera da luz verde para voltarem às rodagens. Jay Grdina, conhecido no mundo artístico como Justin Sterling, explica tratar-se de um auxílio aos menos abonados, quase sempre os homens, dado que nesta área os salários com muitos zeros ficam para os elementos do sexo feminino. “O dinheiro vai para aqueles que estão numa situação financeira complicada por causa da quarentena, ou para os que perderam o emprego porque as produções em que estavam a trabalhar foram por água abaixo. Muitas pessoas nesta indústria vivem de cheque em cheque, e é justo que neste momento as tentemos ajudar.”
A medida poderá beneficiar alguns dos 1200 actores profissionais que regularmente povoam a indústria pornográfica da Cidade dos Anjos, embora seja de prever que muitos deles optem por dar o seu contributo a endereços electrónicos da Internet vocacionados para o sexo. A lendária actriz Sharon Mitchell – segundo consta participou em mais de dois mil filmes desde 1987 –, está hoje na direcção da AIM e não acredita que a pornografia pare por completo. “Este negócio não fecha pelo Natal. Porque é que vai fechar por dois casos isolados de HIV?”
Conhecedora daquele meio como poucos e sabendo que esta é a primeira vez que um actor é apanhado com HIV desde Tony Montana, em 1999, parece pouco provável que se deixe de ouvir por aquelas bandas a frase: “Luzes, câmara, acção!” É que há muita gente a ganhar milhões com as cenas escaldantes.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.