Quem desdenha o Algarve e fala com saudosismo dos Verões de 1900 e carqueja, quando ir a banhos na Rocha ou no Vau era somente um luxo do doutor Mário Soares e de uns ‘happy few’ de bifes e endinheirados, deve considerar esta proposta com a máxima atenção.
Na verdade, trata-se de um lugar de fama antiga, um daqueles remansos que só de ouvirmos o nome púnhamos (e pomos) os olhos em bico. Antes da cadeia de hotéis Sofitel tomar conta do resort Vila Lara, em Porches, Lagoa, já aqui se plantavam clientes distintos e não havia português de gosto exigente (e bolsa desafogada) que não quisesse o seu lugar ao sol. Dos muitos predicados do Vila Lara, o mais que tudo continua a ser o seu soberbo posto de vigia sobre o oceano resguardado do betão por um jardim tropical de fazer inveja a muitos países do Caribe.
Os novos donos ainda não mexeram na mobília ou nas fachadas, embora já se notem mudanças de arromba na cozinha e no atendimento, duas razões q.b. para tornar um hóspede ocasional cliente vitalício. Depois, a entrada no negócio da marca Accor Thalassa, um dos ‘ex-líbris’ da talassoterapia com hotéis termais de primeira linha espalhados pela Europa e Norte de África, veio acrescentar o derradeiro elemento de conquista.
Como dizia uma das patrícias que passava ali as suas últimas férias de Verão: «Assim, sim, vale a pena vir ao Algarve». O programa de férias do Vila Lara é todo ele orientado para o hedonismo, a reconquista do bem-estar e da forma física.
«Quatro quilos a menos numa semana», diz o folheto e diz a mesma senhora do «assim, sim» que no dia da conversa de sauna já ia em três batidos. Quatro quilos sem suar as estopinhas e tratado com todas as mordomias. A saber: três restaurantes de categoria; um gourmet, «O Vilalara», de cozinha francesa feita à base de produtos locais – como a lavanda da mousse au chocolat –, um restaurante dietético (de seu nome «Dietético») versado em cozinha de baixas-calorias mas sem o privar de um bom naco de bife ou uma sobremesa de três em pipa e um grill para a época de Verão cuja fama no assador de camarões há muito que já passou as fronteiras portuguesas.
Há ainda uma colecção de bares de praia e piscina, entre eles o bar da zona de Talassoterapia de fantástica selecção de chás, de revigorantes a calmantes, conforme as necessidades. É caso para se dizer que nesta viagem pelo outro Algarve o estômago não tem razões de queixa.
Na ala das terapias termais, o Vilalara já tinha fama e proveito justíssimos, mas a entrada recente de novos tratamentos – chocolaterapia, watsu, massagem ayurvédica e especial costas (osteopatia aquática) – trouxe a excelência ao menu. Trata-se de um menu (de degustação) pensado para devolver ao estado natural de bem com a vida clientes em forma de tábua.
Dos tratamentos mais gabados pelas cobaias da Imprensa feminina que pude acompanhar como observador privilegiado, o da barrela de chocolate não teve rival. De facto, só de inalar o aroma das gentis senhoras após a imersão na manteiga de karité e cera de abelha, fica-se aguado e a querer mais do que um Toblerone ou uma barra de Regina.
O efeito técnico da coisa garante forma adelgaçada, activo-drenante e relaxante. O efeito poético garante a eterna juventude das Messalinas. Outro dos eleitos é a massagem ayurvédica, uma massagem milenar de origem indiana que se baseia numa massagem profunda à base de óleos essenciais segundo o biótipo da pessoa.
Também a massagem watsu, feita numa piscina de água tépida com a ajuda de um terapeuta, mereceu os maiores elogios, pela sua «suavidade» e «efeitos imediatos» no relaxamento de qualquer bico de papagaio mais renitente.
Em suma, quem vá de férias para o Vilalara, só quererá ver do Algarve da memória de infância a praia privada (das gaivotas) que lhe coube em sorte a dois lances de escada do quarto, por baixo de uma araucária e a três braçadas da tina de chocolate. Uma proposta ideal para descobrir um Algarve que se pensava perdido.
ONDE COMER? - RESTAURANTES DEGUSTAR SOBRE A FALÉSIA - Há quatro restaurantes por onde escolher e todos resvalam para a primeira categoria (O Vilalara, Dietético, Barlavento e Grill). Instalados sobre a falésia acima do mar e da praia, os restaurantes gastronómico e dietético permitem contemplar o voo das gaivotas e dos alcatrazes. Pode optar-se por um almoço de peixe à beira da piscina ou um jantar no terraço do gourmet. Robalo, lagostas, sardinhas assadas e lulas são as sugestões de referência. No restaurante dietético, a base são refeições tabeladas de 400 calorias e sem vestígios de passar fominha.
Excursões - Visita às Grutas Marinhas para escutar o murmúrio do mar e admirar os diferentes tons de azul.
Passeio no Mercado da Aldeia para ir ao encontro do pitoresco, comprar fruta e produtos biológicos.
Passeio pela praia, ao longo das falésias, ou pelo jardim da propriedade, na companhia de gaivotas brancas.
Visita à Ponta de Sagres, com direito a pôr-do-sol de flauta e flute.
Passeio a Espanha (Sevilha) para conhecer os virtuosismos das arquitecturas de influências árabes, judaica e católica.
Nota: Passeios organizados pelo hotel.
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