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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Penedo de Abutres

É uma das maravilhas turísticas da Região do Douro Superior. Conhecido oficialmente como Penedo Durão, o local é também referenciado como o Penedo dos Abutres, por existir neste local um alimentador destas aves de rapina, por estas fazerem ninhos em locais de repouso nos seus penhascos e por do seu miradouro ser possível avistar à frente dos olhos águias-reais, abutres, garças, falcões, peneireiros e outras aves de menor porte.

17 de julho de 2005 às 00:00

É normal que o visitante que chegue durante o período da manhã ao Miradouro surpreenda os abutres pousados no alto das fragas à espera que o sol lhes aqueça as asas da humidade da noite. Poderá também vê-los a voar em círculos, procurando as correntes térmicas que os levarão a voos mais altos, a perder de vista. No Penedo dos Abutres as aves não deixam que ninguém se aproxime enquanto estão a comer. Ao mais pequeno sinal da presença de humanos, os abutres - aos saltinhos - preparam a subida e fogem do local.

O local, outrora desordenado, era escolhido pelos agricultores para despejar animais mortos - burros, vacas, vitelos, cães - para não terem o trabalho de os enterrar nas suas terras, evitando, desta forma, futuros maus cheiros. Era sabido que no dia em que um animal ali fosse depositado no dia seguinte só restariam os ossos e, em muitos casos, nem isso.

Atenta a esta situação, que poderia colocar em risco a saúde pública das populações, a Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, com a colaboração do Parque Nacional do Douro Internacional, resolveu isolar o local - conhecido entre as populações como o Penedo dos Abutres - cercando-o com arame farpado para evitar a entrada de outros animais (lobos, raposas, cães) e colocando ali todos os animais mortos do concelho.

As populações de todas as freguesias de Freixo de Espada à Cinta sabem que quando lhes morre algum animal não precisam ter trabalho com ele. Basta telefonar para a autarquia que, de imediato, uma equipa especializada do município se desloca ao local e recolhe o animal morto. Após isto, a carcaça é levada à presença da Delegada de Saúde do Parque Natural do Douro Internacional, localizado em Mogadouro, e só após a inspecção é que o animal é colocado no Penedo dos Abutres.

Engana-se quem pensa que logo que o animal ali é colocado os abutres caem sobre a presa com rapidez. Antes de descerem para se alimentar as aves de rapina fazem círculos em volta do local para verificar de que animal se trata.

João Carrasco, funcionário municipal, disse à Domingo Magazine que os abutres preferem que a carne apodreça durante algum tempo para que lhes seja mais fácil penetrar nas entranhas do animal.

“Quando colocamos um animal juntam-se, quase que por encanto, bandos para ver o que se passa. Primeiro esperam que os funcionários vão embora e só depois descem para mais próximo do solo. Depois fazem o ataque: os locais privilegiados para iniciarem a comezaina são olhos e o rabo. Rapidamente, os mais de trinta abutres que por norma aparecem para o repasto, rasgam o animal deixando apenas a pele e os ossos. Nos dias seguintes voltamos ao local, recolhemos os ossos e a pele e enterramos numa vala aberta para o efeito”, explicou o funcionário.

MIRADOURO E PAISAGENS DESLUMBRANTES

O Penedo Durão é o mais antigo miradouro do concelho de Freixo de Espada à Cinta e propicia admiráveis pontos de visão panorâmica ao longo do rio Douro até alturas de Lagoaça que fazem dele uma visita imperativa. A escarpa cai quase a prumo sobre o Douro, justamente sobre o ponto onde termina a navegabilidade do rio, o chamado ‘Saltinho’, no qual está situada a barragem hidroeléctrica de Saucelle que do Penedo Durão se vislumbra tão bem como se o observador estivesse suspenso num teleférico. Aqui o visitante desfruta de condições impares: limpeza, ordenamento, bancos, mesas e espaço.

Deste local avista-se a planáltica zona de Salamanca e Zamora (Espanha), assim como os recortes rochosos que se prolongam até Barca de Alva, constituindo um propício abrigo de vastas plantações de oliveiras, amendoeiras, pomares e vinhas.

Em baixo, na base da profunda escarpa, serpenteia a estrada que liga Freixo de Espada à Cinta a Barca de Alva. Em volta dos ciclópicos fraguedos gravitam, no seu voo planado com majestosa serenidade, as águias, que aqui fazem os seus inacessíveis esconderijos de repouso e procriação.

GEOLOGIA DO TERRENO

Em todo o concelho de Freixo de Espada à Cinta o solo é constituído por terrenos de xistos e quartzitos silúricos, cobertos em parte por depósitos pliocénicos. Estas superfícies foram moldadas por um trabalho de erosão que paulatinamente formou uma sucessão de planaltos a uma altitude variável, cuja uniformidade é quebrada pelas ondulações dos montes, que chegam a ultrapassar os 900 metros de altura.

Esta mancha de silúrico médio oferece uma paisagem ao mesmo tempo bela e chocante. É o caso do Penedo Durão onde os xistos e os quartzitos estratificados, dobrados, estrangulados, agressivos e selvagens se precipitam em direcção à Ribeira do Mosteiro como que em constrições de dor.

Mas, ao mesmo tempo estão estáticos, dóceis, absorvidos e domados pela natureza, transmitindo um cenário onde de repente o visitante se sente esmagado pelo espectáculo destas perturbações geológicas, cujas gargantas tão fundas e estreitas, tão grandiosas e majestáticas, nos fazem sentir o quanto somos insignificantes perante os desígnios da mãe natureza.

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