Ele acredita que a vida é eternae, por isso, decidiu clonar humanos. É o líder da seita dos Raelianos por detrás da Clonaid. Mas, afinal, quem é o mensageiro desta “religião”?
Até aos 24 anos, Claude Vorilhon levou aquilo a que se pode chamar uma vida normal. Mas a 13 de Dezembro de 1973 tudo mudou. Este ex-jornalista de desporto e piloto de corridas encontrava-se perto de um vulcão Clermont-Ferrand, em França, quando alega ter visto um OVNI. Até aqui, nada de muito estranho. Não era o primeiro nem seria o último a relatar a observação de um objecto voador não identificado. Contudo, este contacto de terceiro grau acabaria por tornar-se num dos mais célebres do planeta. Desse ovni “de sete metros de diâmetro, feito de um metal prateado muito brilhante” , terá saído um ser que lhe revelou a verdadeira origem da Humanidade.
O extraterrestre teria cerca de um metro e vinte, cabelos pretos e compridos e a mítica pele esverdeada, comum neste tipo de relatos. “Somos aqueles que criaram a vida na Terra”, terá dito o E.T.. Por terra caíam as teorias em que se acreditava até então: Darwin (e a teoria da evolução das espécies) estava errado, Deus nunca existiu, a alma também não, e não somos mais do que “simples” ADN, uma composição química elaborada em laboratório pelos Elohim, seres de outro mundo. O extraterrestre terá sido tão convincente que o contactado deixou de ser Claude Vorilhon, um comum mortal, para se transformar em Rael, o mensageiro dos Elohim, da verdade da origem da Humanidade. Desde então, o novo profeta do terceiro milénio não mais se calou.
Hoje, a Organização Raeliana tem sede no Canadá, em Montreal, encontra-se em 85 países (entre os quais Portugal), tem mais de 55 mil membros, e a mensagem dos Elohim a Rael foi traduzida em 25 idiomas. Vorilhon deixou por completo a paixão pelo automobilismo e as pistas de velocidade e passou a viajar pelo mundo a “pregar” a sua doutrina. Em 1975, num desses périplos terá ido ao planeta dos Elohim, a bordo de um OVNI.
Os primeiros clones Os raelianos acreditam que a ciência é a base de tudo. “Não há Deus, não há alma e somos todos resultado de experiências científicas feitas por extraterrestres vindos de outro planeta”. São estas as palavras da cientista Brigitte Boisselier, a directora da Clonaid, a empresa que apresentou ao mundo os primeiros bebés clonados e que está relacionada com a seita dos raelianos. A partir daqui, a clonagem é o caminho para atingir a vida eterna, o meio para chegar à perfeição. O primeiro clone terá nascido a 26 de Dezembro nos Estados Unidos, mas a comunidade científica permanece céptica quanto ao facto de o recém--nascido se tratar, realmente, de uma cópia genética da mãe. Para retardar ainda mais as expectativas, os testes de ADN foram cancelados pelos pais do bebé depois de um advogado da Florida ter instaurado um processo contra eles. Segundo Bernard Spiegel, a guarda deve ser retirada aos progenitores já que a criança poderá sofrer complicações genéticas graves e, por isso, necessitar de cuidados médicos determinados.
Há uma semana nasceu mais um clone. Desta vez, o bebé é filho de um casal de lésbicas holandesas. Uma outra menina que, alegadamente, terá nascido através de clonagem. Os raelianos garantem, no entanto, que os nascimentos não vão ficar por aqui. Boisselier deixa o “aviso”: dos cinco implantes realizados com sucesso (de dez tentativas) ainda faltam nascer três clones. E eles vêm a caminho. É já em Fevereiro.
Quando pensamos em seitas não é difícil virem à memória alguns exemplos sórdidos de atrocidades cometidas em nome desta ou daquela crença. Verdade Suprema é uma expressão aterrorizadora se a ela associarmos a tragédia ocorrida em Tóquio, a 20 de Março de 1995, aquando do lançamento de gás sarin em várias estações de metropolitano. Doze pessoas perderam a vida e milhares ficaram intoxicadas. Os responsáveis pelo atentado faziam parte da seita Aum Shinri-kyo (Verdade Suprema), fundada por Kazuaki Okazaki. Três anos mais tarde, um tribunal japonês condenava-o à morte.
E Timothy McVeigh, lembra-se? Mais um nome que fez história pelos piores motivos, quando, a 19 de Abril de 1995, matou 168 pessoas em Oklahoma. A 11 de Junho foi executado por injecção letal. O homem do atentado bombista ao prédio do governo americano, em Oklahoma, era herói condecorado da Guerra do Golfo, cidadão exemplar. Mas, um dia, decidiu vingar a morte de um grupo dissidente do culto adventista do sétimo dia, ocorrido precisamente dois anos antes, em Waco (Texas).
O Ramo Davidiano, como se auto-intitulavam, era liderado por David Koresh e, num grupo pacífico de homens, mulheres e crianças, passavam o tempo a rezar, prevendo o fim do mundo. Um fim que para eles teve início a 28 de Fevereiro de 1993, em Monte Carmel (Waco), quando a entidade federal norte-americana responsável pelo controlo de armas de fogo (ATF), decidiu atacar o complexo da igreja onde se encontravam os Davidianos. Seis membros do Ramo Davidiano e seis agentes morreram logo nesse dia. Seguiu-se um cerco de 51 dias. A 19 de Abril de 1993, o FBI terminou o que os agentes da ATF começaram. Alguns Davidianos ainda conseguiram escapar, outros foram baleados pelo FBI. Em Monte Carmel deflagrou um violento incêndio. Debaixo de fogo, gás lacrimogéneo e da acção arrasadora dos tanques do FBI, 80 seguidores de David Koresh - e o próprio - morreram dentro do edifício. 27 eram crianças.
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