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Relatório Richter

A terra tremeu e Portugal tremeu com ela. A notícia que correu o País, e mal deu brado lá fora, trouxe à memória uma série de abalos em larga escala que mexeram com a História.

18 de fevereiro de 2007 às 00:00

Júlia Roberts. O que pode ter em comum uma estrela de Hollywood com um efeito sísmico? Para além de eventuais tremores despoletados na comunidade masculina, pouco ou nada. Ou talvez tenha, sem que o saiba. No último dia em que o País sentiu a terra a escapar por debaixo dos pés, os frequentadores de um dos fóruns on-line da actriz norte-americana (juliarobertsforum.com) partilharam comentários sobre o impacto do abalo nos seus amigos portugueses. “Estarão bem?”, interrogava-se um fã marroquino que também provou o capricho da Terra na primeira pessoa. Estariam, com certeza, porque o abalo de 30 segundos que deixou o País em alerta na segunda-feira não produziu vítimas. A notícia correu ligeira, mas nem sempre de forma muito certeira.

Os ecos não tardaram no país vizinho. O jornal espanhol ‘El Mundo’ noticiou que “um sismo de grau 6,1” na escala de Richter “fez-se sentir em metade da Península”. Ignorou o epicentro, o cabo S. Vicente, e limitou-se a referir “possíveis réplicas” em Portugal. De resto, apesar dos efectivos 5,8 graus chegarem para o sismo merecer o título de ‘forte’ pelo US Geological Survey, que monitoriza a actividade sísmica no Mundo, o destaque mediático na Europa chegou aos Pirenéus e definhou. .

É certo que as sacudidelas que amiúde lançam o pânico na Califórnia ou os tsunamis devastadores como o que assolou o Pacífico em Dezembro de 2004, uns pequenos furos abaixo do Grande Terramoto do Chile, que em 1960 fixou a sua intensidade nos 9,5, rondam pouco o País. Mas o continente e os arquipélagos – Açores à cabeça – sabem que o quotidiano na ponta da Europa corre sobre uma falha tectónica e que os sismos, ao contrário dos raios, podem acontecer mais vezes nos mesmos sítios. E que a História não parou em 1755, quando caíram por terra fundações, milhares de vidas e a imunidade a catástrofes naturais. Fora de portas, o efeito intempestivo dos sismos foi deixando as marcas ao longo dos anos.

Em 1556, as cidades chinesas de Xanxi e Kansu perderam 830 mil almas. 143 mil pessoas desapareceram em Yokohama e Tóquio, no Japão, em 1923. Em 1982, foi a vez de El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Honduras. 35 mil iranianos foram vítimas do maior sismo da história do país em 1990. Em 2003, a cidade de Bam sofria um severo abalo. Dois anos antes, morriam em Gujarat 25 mil indianos.

A libertação de energia ganha terreno com maior ou menor intensidade. Já este ano, em Janeiro, um sismo de magnitude 3,6 foi registado a cerca de 35 quilómetros de Cascais. Dias depois, a leste das Ilhas Curilhas, no extremo oriente russo, um tremor de magnitude 8,3 lançou o pânico na ilha japonesa de Hokkaido. 5,0 foram os graus que ainda em Janeiro assustaram a província turca de Agri. E 7,3 os responsáveis pelo recente abalo telúrico na Indonésia, na ilha de Sulawesi.

EM PORTUGAL CONTINENTAL

O ABALO MAIS FORTE NOS ÚLTIMOS 38 ANOS

Apesar de muitos não o terem sentido, o sismo da última segunda-feira, situado nos 5,8 graus na escala de Richter, atingiu pontos em Espanha e Marrocos. Registado às 10h35 na região de Lisboa e no Sul do País, teve o seu epicentro localizado 160 quilómetros a sudoeste do Cabo de São Vicente, a uma profundidade de 67 quilómetros. Na região do Algarve, foi sentido com maior intensidade tendo motivado várias evacuações. Não provocou vítimas.

1755 - Ano do terramoto de Lisboa, um dos mais mortíferos da História

1969 - Originado no Banco de Gorringet, foi sentido em todo o País

1980 - Ilha Terceira, 50 mortos

1998 - Ilha do Faial, palco do abalo mais violento dos últimos anos

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