Milhares de portugueses ainda choravam a chapelada de Poborsky a Vitor Baía, que ditou o afastamento da selecção lusa do Campeonato Europeu de Futebol, quando num dia de Setembro de 1996, em Londres, quatro jovens se juntaram para formar uma nova banda.
Chris, Jon, Will e Guy iniciavam na residência da University College of London, onde moraram durante a licenciatura, uma das mais meteóricas e bem sucedidas carreiras no mundo da música.
Os Coldplay nasciam assim, por brincadeira, sem baterem à porta ou fazerem grandes vénias, fruto da vontade de quatro estudantes à procura de um passatempo que os afastasse por algumas horas das entediantes salas de aula. Até o nome surgiu por acaso. “Vivíamos todos no mesmo edifício e tirámos o nome do Tim, um dos nossos companheiros de curso que também tinha uma banda. Ele decidiu que já não gostava do nome, por achá-lo muito depressivo”, diz Chris Martin quando lhe perguntam como baptizaram o grupo.
Ele, que jamais imaginou o sucesso que iria alcançar, é hoje um dos homens mais badalados do planeta. Longe vão os tempos da meninice passada na pequena Devon, localidade no Sudoeste do Reino Unido, onde aos 15 anos começou a tocar guitarra em conjuntos imberbes, destinados ao fracasso.
Curiosamente, estava a muitos quilómetros de distância dos outros companheiros de aventuras musicais. O guitarrista Jonny Buckland nasceu em Mold, no País de Gales, o baterista Will Champion em Southampton e o baixista Guy Berryman em Fife, na Escócia, de onde partiu aos 12 anos para assentar arraiais em Kent, Inglaterra, localidade na qual os pais procuraram vida melhor. Nenhum se conhecia até aquele dia em que aterraram na capital inglesa para se tornarem doutores.
Os Coldplay não fugiram à regra quase sempre certeira de que todas as bandas importantes começam no fundo do poço, sem apoios ou manobras de marketing que lhes valham.
A comparação com os U2 não se fica por aí. Se em 1979 Bono e companhia editaram ‘U2 Three’ com dinheiro do seu próprio bolso, Chris e os outros elementos dos Coldplay fizeram o mesmo com ‘Safety EP’. Gravado nos Sybc City Studios, também continha apenas três temas – ‘Bigger Stronger’, ‘No More Keeping My Feet on the Ground’ e ‘Such a Ruch’ –, utilizados para mostrar o potencial do colectivo, distribuído em Londres e arredores. O investimento custou aos rapazes 200 libras, numa edição limitada de 500 cópias, meia centena das quais entregues à família e aos amigos. Hoje, valem uma fortuna.
A ideia deu os seus frutos. Por portas e travessas, muita gente das maiores editoras mundiais começou a ouviu a banda, catalogada pela Imprensa especializada como a ‘next big thing’.
Mas havia muitas escadinhas para subir até atingirem o estrelato. Só dois anos e dois EP mais tarde, chegou a tão desejada consagração, pela mão da Parlophone Records, pertencente à multinacional EMI. A entrada para o Top 40 dos singles mais vendidos do Reino Unido aconteceu em Março de 2000, com ‘Shiver’, ainda hoje uma das bandeiras do grupo. A história nunca mais foi a mesma. A banda viu nascer outras comparações, nomeadamente com os Radiohead. “Tu também deves ter sido comparado a muita gente, mas isso aconteceu tantas vezes connosco que agora já nem temos bem certeza de quem somos”, desabafou certo dia Chris Martin numa entrevista feita por Elton John. Apesar das más-línguas, ‘Shiver’ acabou mesmo por ter direito a passagem pelo éter da BBC Rádio One e pelo ecrã da MTV, estação de televisão que os catapultou para a fama quando ‘Yellow’ pôs toda a gente a trautear: “Look at the stars, look how they shine for you…”
O primeiro álbum, ‘Parachutes’, ainda não tinha chegado às lojas e já ninguém lhes resistia. A Inglaterra descobria os seus novos ídolos.
A etapa seguinte passava por quebrar fronteiras, conquistar a Europa e mais tarde o sempre difícil mercado norte-americano. No Velho Continente, a adesão à sonoridade pop/rock de ‘Parachutes’ deu-se em poucos meses, enquanto do outro lado do Atlântico o rebuliço à volta dos Coldplay só aconteceu em 2002, quando ‘A Rush of Blood to the Head’ viu a luz do dia.
O sempre tímido Chris Martin, até então olhado como mais um entre os muitos cantores de carinha laroca, passou a aparecer em tudo quanto é revista. Em especial após começar a namorar com Gwyneth Paltrow. Famosa no grande ecrã e fora dele, a actriz deu ainda mais visibilidade ao homem com quem viria a trocar alianças no dia 5 de Dezembro de 2003 – do enlace resultou o nascimento de uma menina, Apple.
Tidos como os derradeiros descendentes das bandas de estádio, caso dos Rolling Stones, Pink Floyd e U2, os Colplay pisam pela segunda vez em menos de um mês o Pavilhão Atlântico, já que ainda recentemente (dia 3) marcaram presença naquele mesmo local para receberem o galardão de Melhor Canção do Ano, atribuído na 12.ª edição dos Prémios MTV Europa. ‘Speed of Soud’, o tema eleito pela estação televisiva, será certamente repetido no concerto de quarta-feira, onde os portugueses poderão sentir toda a força do álbum X & Y. E perceber que os Coldplay atingiram a maioridade. Martin, esse, sentirá por certo a sensação de missão cumprida, em especial quando cantar mesmo no final: “Lights will guide you home, And ignite your bones, And I will try to fix you”.
Apesar de poderem existir pequenas diferenças, o alinhamento do concerto lisboeta não deve andar muito longe do seguinte:
Square One
Politik
Yellow
Speed of Sound
Daylight
Got Put a Smile Upon Your Face
X & Y
Amsterdam
White Shadows
The Scientist
‘Til Kingdom Come
Don’t Panic
Clocks
Talk
Encore:
Swallowed in the Sea
In My Place
Fix You
- Chris Martin só descobriu a arte de tocar guitarra eléctrica na digressão norte-americana de 2001, já que até então apenas tocava na tradicional acústica.
- Will Champion era originalmente guitar-rista, mas aprendeu a tocar bateria à pressa porque gostava muito da banda.
- Chris é vegetariano, nasceu no mesmo dia que Jon Bon Jovi e conheceu a mulher, a actriz Gwyneth Paltrow, em Outubro de 2002, num concerto da banda.
- Os Coldplay recusam vender os seus temas para produtos comerciais, mas não se importam de aparecer na televisão, no cinema e em spots promocionais.
- Antes de entrar para os Coldplay, Chris considerou a hipótese de formar uma ‘boys band’ chamada Pectoralz.
- O grupo divide os proveitos de forma igual e impôs a regra de não haver drogas. Músicos e equipa técnica costumam sair juntos, jogar futebol e comer à mesma mesa, para manter o estilo de vida dos primórdios da formação.
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