Protagonistas de best-sellers, Cécilia e Carla são mulheres que dão que falar. Em França e não só
écilia, Carla, Nicolas. Duas mulheres, um homem. Ou os três vértices de um triângulo. Uma história vulgar, com os ingredientes da faca e do alguidar: casamento, traição, adultério, ciúme, paixão. Nada de extraordinário, ou não fosse o homem o Presidente da República Francesa e as duas mulheres protagonistas de livros, artigos e filmes, envolvendo ficção e vida real, numa mistura explosiva.
“Mesquinho”, “engatatão”, “um homem que não gosta de ninguém, nem sequer dos próprios filhos” [tradução livre do original]: palavras duras, que se referem a Nicolas Sarkozy e que são atribuídas à sua ex-mulher, Cécilia. Quem trouxe estas e outras revelações a lume foi a jornalista Anna Bitton, autora do controverso livro ‘Cécilia, Portrait’, cuja versão lusa, posta à venda esta semana em Portugal, comporta o subtítulo_‘A_mulher_que_deixou Sarkozy’. A obra, que em França já vendeu 200 mil exemplares, começou o seu percurso com uma tentativa de impedimento por parte da ex-primeira-dama. A manobra nada mais fez que reforçar o seu sucesso comercial: uma semana depois da publicação, em Janeiro, ‘Cécilia’ atingia o nº 1 do top livreiro gaulês. Quanto à autora, jovem jornalista do semanário ‘Point’, tornou-se persona non grata no Eliseu, ao ponto de ter sido proibida de acompanhar Sarkozy na sua recente visita ao Reino Unido e remeteu-se ao silêncio poucos dias depois da saída do polémico best-seller. Foram, pois, infrutíferas as nossas tentativas de chegar à fala com aquela que, ao longo de seis anos, logrou ser eleita confidente da ex-primeira-dama.
Não é a primeira vez que um livro sobre Cécilia ex-Sarkozy é alvo de interferências ao mais alto nível. Em Novembro de 2005, uma jornalista da revista cor-de-rosa ‘Gala’ preparava-se para lançar ‘Cécilia Sarkozy, entre le coeur et la raison’ [‘entre o coração e a razão’]. Quinze dias antes do lançamento, Vincent Barbare, dirigente da editora ‘First’, é convocado_pelo_próprio Sarkozy, então ministro do Interior. Alvo de ameaças, o editor vê-se obrigado a suspender a publicação. Os 25 mil exemplares nunca chegarão aos escaparates.
a obra será publicada por outra editora sob o título ‘Entre le coeur et la raison’ [‘Entre o coração e a razão’]. Cécilia Sarkozy passou a chamar-se Célia Michaud-Cordier, “esposa de um homem político influente”. A tiragem quadruplicou: 100 mil exemplares. “Uma mulher deixa um homem por outro. Homem de poder, este último vê-a, por sua vez, escapar-se para um terceiro”, reza a contra-capa do agora romance. Todos sabem, porém, que a história narrada não é ficção. Trata-se da biografia de Cécilia Ciganer-Albéniz, casada em primeiras núpcias com Jacques Martin, famoso apresentador de televisão. Curiosamente, o casamento, que remonta a 1984, é celebrado pelo então presidente da câmara de Neuilly-sur-Seine, um jovem político chamado... Nicolas Sarkozy. Este apaixona-se pela bela morena de 1,78 m e não descansa enquanto não a conquista. Cinco anos depois, Cécilia divorcia-se de Jacques Martin para juntar-se ao futuro presidente. Leva consigo as duas filhas. Contudo, só em 1996 casará com o político, de quem tem um filho, Louis, nascido no ano seguinte.
Mas em 2005, cansada, segundo o livro de Anna Bitton, de ser sempre “a mulher de”, Cécilia apaixona-se pelo publicitário Richard Attias, ao ponto de deixar o então ministro do Interior para seguir o seu coração. A ‘escapada’ durará alguns meses, findos os quais voltará, alegadamente para cumprir o seu dever, o de conduzir o marido até à Presidência da República. Missão que, no dizer dos observadores, foi realizada com esmero. “Cécilia teve um peso muito importante no dispositivo sarkozyano”, explica Denis Demonpion, co-autor de ‘Cécilia, la face cachée de l’ex-première dame’ [‘A face escondida da ex-primeira-dama’], um livro lançado praticamente ao mesmo tempo que a polémica obra de Bitton e que vendeu, até à data, mais de_117_mil_exemplares._Para_Demonpion, também ele jornalista do ‘Point’, o facto de Sarkozy falar sistematicamente na “primeira pessoa do plural demonstra bem quem era realmente Cécilia na sua vida.” Por outro lado, tal como a colega, considera que a ex-mulher do presidente se fartou de ficar em segundo plano. Efectivamente, Sarkozy é tido pelo jornalista do ‘Point’ como alguém que “não punha nada à frente da sua ambição, nem mesmo ela.” Ora, Cécilia é uma “mulher inteira”, define Demonpion.
Sobre a veracidade das confidências da ex-primeira-dama à sua colega, o jornalista prefere não se pronunciar e remete-se às declarações da própria Cécilia na Radio Classique há cerca de um mês: “Não contribuí para esse livro. É estranho que me atribuam tais declarações (...) É a palavra dela contra a minha.” Anna Bitton não respondeu, mas, em entrevistas cedidas na semana que se seguiu à saída do livro, sempre foi dizendo que as frases de Cécilia haviam sido retiradas do contexto, e que esperava que a ex-primeira-dama lesse o livro na íntegra a fim de se aperceber que, embora lhe fossem atribuídas declarações muito depreciativas em relação ao Presidente francês, também ali constava o outro lado da moeda: “Ela diz muito bem dele (...). No meu livro, há frases dela (...) que mostram toda a admiração, toda a estima que ela tem por ele” afirmou a jornalista a 14 de Janeiro, em entrevista à RTL.
de Cécilia deram lugar a vários livros, também os de Carla fizeram correr muita tinta, e não apenas nos jornais. Em 2004, Justine Levy, filha do famoso intelectual francês Bernard-Henri Levy publica o seu segundo romance, ‘Rien de Grave’ [Nada de grave]. Título irónico para uma história verídica. A da forma pouco ortodoxa como a bela ex-manequim franco-italiana seduziu o seu marido, o filósofo Raphaël Enthoven, acabando por casar com ele. Aconteceu no Verão de 2000, quando, numas férias em Marraquexe, o então marido de Justine conhece Carla Bruni de braço dado com o seu próprio pai, Jean-Paul Enthoven, editor e amigo de Bernard-Henri Levy. “Vimo-la chegar, tipo ‘o mundo é meu e os gajos também (...)’”, escreveu mais tarde Justine. ‘Rien de Grave’ vendeu mais de cem mil exemplares e recebeu vários prémios, mas a sua autora perdeu o marido para Carla Bruni que, aliás, lhe dedica a canção ‘Raphaël’ no seu aclamado disco de estreia ‘Quelqu’un m’a dit’ de 2003.
Agora, a ex-modelo faz furor noutras passadeiras. Na semana passada, ao lado da sua mais recente conquista, a mulher em cujo currículo constam nomes como Mick Jagger, Eric Clapton, Kevin Costner, Donald Trump e Laurent Fabius e que a imprensa francesa descreve como “devoradora de homens”, ‘desfilou’ no tapete vermelho do Palácio de Buckingham. A imprensa britânica adorou-a e já a comparam a Jaqueline Kennedy. Cécilia ex-Sarkozy não se terá importado muito. Casou há 15 dias com Richard Attias, o homem que definiu, ainda segundo Anna Bitton, como o “amor da sua vida”.
CÉCILIA, O LIVRO
“Nicolas é sovina. Ele é generoso quando estamos com ele. Mas se o deixamos, acabou-se.” Palavras de Cécilia, ex-Sarkozy, sobre o Presidente francês, o homem que ela deixou. Palavras que aqui traduzimos da versão original da obra “Cécilia, Portrait”, de Ana Bitton, um livro que deu que falar na França e agora chega a Portugal. Lá se conta que para divorciar-se de Sarkozy, Cecília foi obrigada a aceitar uma pensão de alimentos de valor muito inferior ao que seria esperado. E isto numa altura em que os indefectíveis do Presidente francês justificavam o facto de aquele se ter aumentado a si próprio 172 por cento precisamente porque era obrigado a pagar a pensão de alimentos.
Ainda sobre Sarkozy, Cécilia terá dito: “Ele tem um lado ridículo. Não é digno. Nicolas não serve para Presidente da República. Ele tem um problema de comportamento”, diz Bitton que Cécilia disse. A ‘biografada’, que tentou impedir a publicação do livro, nega, em entrevista à RTL. “Nunca diria tal acerca do pai dos meus filhos.” Cécila mente? A resposta a Bitton : « Receio ser obrigada a dizer que sim. »
Se o que Bitton escreveu acerca da ex-primeira-dama é verdade, então o que Cécilia pensa acerca da política é: “Não passa de um cenário de Western atrás do qual não há nada.” Já sobre os assessores de Sarkozy, considera-os um “bando de malfeitores, de miúdos a quem o poder subiu à cabeça e que se julgam príncipes de Paris.”
Nem as ministras francesas, cuja beleza tem sido muito gabada pelo Presidente, escapam ao olhar depreciativo de Cécilia: “São inúteis. Agora que não há primeira-dama (Nicolas ainda não casara com a modelo e cantora Carla Bruni), ele tem de fazer-se acompanhar por raparigas bonitas que vestem Dior.”
Já sobre si mesma, e a propósito da libertação, em Setembro de 2007 de enfermeiras búlgaras e um médico palestiniano presos há oito anos na Líbia, não poupa nos elogios: “Não nasci por acaso. Sozinha salvei seis vidas humanas... Cheguei, fui buscá-los e partimos. Fiz o maior ‘roubo’ do século : Kadhafi não tinha qualquer intenção de libertá-los. Fui eu que conduzi as negociações Rapidamente percebi que tinha poder sobre ele” (tradução livre do original “Cécilia, Portrait”)
A PRIMEIRA DAMA VAI NUA
O CASO DO SMS
Um jornalista do ‘Nouvel Observateur’, semanário de referência francês, esteve na origem de uma das mais recentes ‘broncas’ relativas ao triângulo amoroso presidencial. Oito dias antes do casamento com Bruni, Sarkozy teria enviado um SMS a Cécilia: 'Se voltares, anulo tudo.' A história causou uma polémica inédita no jornalismo gaulês, com intervenções do próprio sistema judicial e suscitou uma resposta inflamada de Carla Bruni no ‘Le Monde’. Airy Routier, o jornalista na origem da notícia, recusa falar mais sobre o assunto. Antes, porém, reafirmou a veracidade do SMS.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.