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SEM REI NEM ROQUE

As melhores novelas já não passam na televisão. Para as encontrar, bastafolhear as revistassociais e acompanhar o dia-a-dia das famílias reais europeias. Ingredientes infalíveis:casamentos, divórcios, traições, vinganças.

28 de novembro de 2002 às 18:29

A 29 de Julho de 1981, mais de um milhão de britânicos encheram as ruas próximas da Catedral de St. Paul para celebrar o casamento do príncipe Carlos com Diana Spencer. A imagem de uma jovem tímida e nervosa, a entrar na Igreja de braço dado com o pai e arrastando a interminável cauda do vestido, marcará para sempre a época de ouro da monarquia inglesa. Na década de 80, a família real gozava de uma popularidade esmagadora, para a qual muito contribuiu a entrada de “sangue novo” (não necessariamente “azul”) na instituição: Diana e Sarah Ferguson (que em 1986 casou com o príncipe André), foram logo bem recebidas pelos súbditos, aborrecidos com a postura solene e distante da Rainha de Inglaterra, Isabel II, ou da sua única filha, Ana.

Vinte anos depois, a história é outra. Os escândalos do Buckingham Palace estão a cansar os britânicos, que souberam mostrá-lo bem numa recente sondagem do jornal inglês “The Guardian”. Recentemente, o apoio à família real resvalou para um mínimo histórico: apenas 43% dos inquiridos consideram que a Grã-Bretanha ficaria a perder sem a casa real. E os mais novos (18-24 anos) são os mais críticos: 45% acredita mesmo que o país ficava melhor sem a Monarquia.

Este ano, de resto, não tendo sido um “annus horribilis” como o de 1992, foi particularmente difícil para a casa real inglesa, tendo em conta que a Rainha se despediu da sua única irmã, a princesa Margarida, e um mês depois viu a sua mãe morrer.

A recente revelação dos 85 criados pessoais de Carlos não ajudou. Mas valeu a alegria de comemorar os 50 anos de reinado de Isabel II (Jubileu), o que aproximou mais a realeza do povo. Quando tudo parecia bem encaminhado, no entanto, o polémico julgamento de Paul Burrell – acusado de ter roubado mais de 310 objectos pessoais da princesa Diana – voltou a colocar a família real no centro da polémica. Como se não bastasse a troca de mimos entre os Spencer e Burrell, a situação piorou com a intervenção da Rainha. Porque só dois anos depois Isabel II se “lembrou” de um pormenor vital para o desfecho do caso: afinal, fora ela a dar a ordem para o mordomo retirar alguns objectos da princesa da sua residência pessoal.

Agora, todos os dias surgem revelações surpreendentes. Há poucas semanas foi a vez de outro mordomo, George Smith, de 42 anos, denunciar uma violação de que foi alvo em 1989 por parte de um assessor directo do príncipe de Gales, Michael Fawcett. Pelos vistos, tudo se passou dentro das quatro paredes do palácio real, e onde também não faltariam orgias “gay”. Segundo o jornal “News of the World” a Rainha Isabel sabia destas festas, que envolviam álcool, sexo e drogas, mas fechava os olhos.

Do palácio para a caravana

Casamentos, divórcios e mexericos dos membros da realeza, já se sabe, são um pitéu para as revistas sociais. Mas a família real inglesa não é a única protagonista. Algumas casas reais europeias até primam pela descrição, mas de vez em quando um caso salta para as primeiras páginas dos tablóides. Aos poucos, as famílias tiveram de se habituar a acolher novos membros, que pouco ou nada têm a ver com as tradições monárquicas. Acabaram-se os casamentos feitos e já nenhum príncipe ou princesa está disposto a dar o nó por conveniência.

Mas há casos extremos. Na Noruega, por exemplo, um escândalo rebentou quando o príncipe herdeiro, Haakon Magnus, se apaixonou pela desconhecida Mette-Marit, uma rapariga com um passado algo duvidoso. No Mónaco, a princesa Stéphanie faz as delícias dos ‘paparazzi’. Depois de um casamento falhado com o seu guarda-costas, Daniel Ducret – do qual resultaram dois filhos – e de ter engravidado do seu instrutor de esqui, a princesa rebelde virou as costas à vida real e chegou mesmo a viver numa caravana de circo, ao lado do seu ex-namorado, Frank Knie, domador de elefantes. Só agora está de volta ao Mónaco, participando em cerimónias oficiais.

Como se não bastasse esta dor de cabeça, porém, o príncipe Reinier já percebeu que o seu filho, Alberto, não está interessado em assentar e a dar-lhe mais netos. Logo, a sua única opção é passar a coroa à filha mais velha, Carolina, mãe de quatro filhos. Antes de ingressar de emergência no hospital, na semana passada, Ranier ainda se deslocou a Paris para falar com Jacques Chirac acerca do destino do principado caso a lei não seja alterada, permitindo a Reinier passar o testemunho à princesa Carolina. Nesse momento, o Mónaco poderia mesmo perder a independência para a França.

Namoradeiros, disléxicos...

Menos preocupantes, mas não menos interessantes, são os “supostos” romances do príncipe Filipe de Espanha (ver caixa) ou os desmandos da futura Rainha da Suécia, Victoria, que agora até parece ter encontrado a estabilidade ao lado do desconhecido Daniel Westling. Numa recente entrevista, a jovem de 25 anos disse que ele a ajudou superar os problemas de anorexia que há muito prejudicam o seu estado de saúde.

Mas a revelação da anorexia foi surpreendente. Como se não bastasse ter sofrido de dislexia em criança, Victoria confessou que detestava o seu corpo e fez todos os possíveis para perder peso. No final, foi-lhe diagnosticada uma anorexia nervosa e só à custa de muito esforço é que conseguiu encontrar um tratamento adequado. Curiosamente, a confissão aproximou a futura rainha das pessoas, que aos poucos estão a descobrir que os membros das famílias reais são indivíduos iguais a tantos outros, com os mesmos problemas e aflições. Até podem viver melhor, passar as férias a bordo dos melhores barcos e nem precisar de trabalhar. Mas, no final, não são assim tão diferentes... Felipe: até Gwyneth Paltrow já foi sua namorada, segundo a imprensa cor-de-rosa espanhola.

Nobres, ricos e desimpedidos

William, Felipe, Andrea ou Madalena: eis os nomes dos mais cobiçados partidos da Europa, todos herdeiros do trono e todos livres. Em Espanha, a felicidade do Rei Juan Carlos e da sua mulher, Sofia, só fica completa quando o príncipe Felipe conhecer uma rapariga perfeita para desempenhar as funções de rainha. A modelo norueguesa Eva Sannum até podia ter chegado lá, mas o príncipe não foi capaz de resistir às pressões e partiu para outras conquistas. Nomes de namoradas é que não faltam e até a actriz Gwyneth Paltrow já foi relacionada com o herdeiro da coroa, mas ao que parece, o príncipe ainda está disponível. O mesmo se pode dizer do filho mais velho de Carolina, princesa que pode receber a coroa monegasca por decisão do pai, Reinier.

Andrea, um adolescente que um dia pode herdar o trono, é um verdadeiro arrasa corações. Da mesma forma, a adorável princesa Madalena, da Suécia, acaba de romper com Erick Granath, um jovem rebelde com quem namorou mais de um ano. Em Inglaterra, os filhos de Carlos e de Diana, William e Harry, ambos já maiores, continuam solteiros e (mais ou menos) bons rapazes. Carolina do Mónico deverá receber o trono do Mónaco das mãos do pai, Rainier, preocupado com

o facto de Alberto não lhe dar netos.

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