Eles despiram-se para fugir à crise e descobriram que o ‘strip’ é a fórmula certa para ganhar fama, dinheiro e mulheres. Conheça seis homens que encantam plateias e vivem sem o cinto apertado
O fantasma do desemprego atinge mais de 400 mil portugueses. Segundo os dados do Instituto Nacio-nal de Estatística (INE), só no último ano este flagelo social aumentou 21,6 por cento. Miguel Hilário, 30 anos, era uma das pessoas que engrossava as longas filas nos Centros de Emprego. “Houve uma remodelação na empresa onde eu trabalhava e acabei por ser despedido”, conta o ex-designer gráfico. O subsídio de desemprego mal dava para pagar as prestações do carro ou até um simples copo na discoteca da moda.
Tal como os milhares de portugueses à deriva, Miguel aguardava que a sua vida desse uma volta de 180 graus. Mas as propostas de emprego teimavam em não aparecer. “Estava desesperado. Precisava de encontrar uma maneira rápida de arranjar dinheiro”, confessa.
Na noite de 6 de Dezembro, data do seu aniversário, a sua vida mudou radicalmente. De repente, Miguel viu-se em cima de um palco cheio de luzes, rodeado por centenas de mulheres, aos gritos, que o incitavam a tirar a roupa. “Os primeiros minutos foram dramáticos. Fiquei paralisado e sem saber o que fazer”, recorda. Com o passar dos meses, o choque inicial foi substituído por uma onda de contentamento. Em pouco tempo, descobriu que podia ganhar mais numa só noite do que num mês inteiro à frente do computador. “Graças ao ‘striptease’ consegui pagar a moto e o carro. Agora, já estou a poupar dinheiro para comprar uma casa.”
O MITO DO MACHO LATINO
Casos como o do Miguel Hilário são cada vez mais frequentes. A crise em que o País mergulhou nos últimos anos vai derrubando tabus e preconceitos e arrasta dezenas de homens descontentes com a sua situação profissional para uma actividade até agora vista com maus olhos: o ‘striptease’.
Os que conhecem a noite lisboeta como a palma das suas mãos (é o caso de Vítor Trindade, dono dos clubes ‘Passerelle’) têm assistido, em directo, a esta mudança. “Se antes só os estrangeiros faziam ‘striptease’, actualmente há um sem-número de portugueses que escolheu esta actividade. Eles perderam de vez o complexo de macho latino e deixaram de ter pudor em tirar a roupa em público”, assegura.
O que os move? “O dinheiro, obviamente. Mas também a curtição e o facto de terem mulheres bonitas atrás de si”, desvenda Vítor Andrade.
Ao contrário de outras profissões, o ‘strip’ não está em crise. “Podemos ganhar 125, 250 e até 500 euros em poucos minutos. No Verão, há quem leve para casa três mil contos por mês (15 mil euros). É tentador. É dinheiro fácil e habituamo-nos a ele”, confirma Frei, ex-‘stripper’ e actual relações públicas da discoteca ‘Status’. Há 12 anos trabalhava como desenhador topográfico numa Câmara Municipal – onde recebia apenas 500 euros por mês. Mesmo contra a vontade da família, que não via com bons olhos a mudança, mandou o emprego às urtigas e passou a despir-se de preconceitos, todas as noites, no ‘Coconuts’, em Cascais.
A história do Miguel ou do Frei podia ser tirada a papel químico do filme ‘Ou Tudo ou Nada’. A longa-metragem britânica, interpretada por Robert Carlyle, conta a saga de um grupo de metalúrgicos desempregados, de Sheffield, que decide organizar um espectáculo de ‘striptease’ para amealhar algum dinheiro. Em comum têm a vontade férrea de abandonar o desemprego e dar uma reviravolta na sua vida. Mas ao contrário das personagens gordas e desengonçadas do filme, os ‘strippers’ portugueses são homens esculpidos por longas horas passadas em ginásios e com jeito para encantar plateias com as suas danças sensuais. Qualquer semelhança entre a realidade e a ficção será pura coincidência?
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.