É um poço de contradições: critica a onda dos “reality shows”, mas aceitaria participar na BB Famosos. Dois anos depois do arranque da primeira edição do programa que mudou a TV em Portugal e no Mundo, Susana Almeida, a “cabeça amarela”, vai casar com <BR>um desconhecido.
- Dois anos depois da sua entrada na 'Casa do Big Brother', ainda se lembra como tudo aconteceu?
- Nunca me hei-de esquecer. Foi uma sensação estranha, muito esquisita. Não gosto muito de falar nisso, porque me faz lembrar o passado. Na altura, nem sabia ao certo para o que ia e o que ia encontrar. Estava muito, muito nervosa. Só de pensar que ia deixar tudo cá fora e ia ficar uns tempos sem ver muita gente, principalmente a minha família, dava-me um tremendo aperto no coração. Quando fui para Lisboa, era como se o concurso já tivesse começado, porque tive de me despedir da família. Depois, quando chegou a hora de entrar na “casa” e encarei toda a multidão que nos aguardava, senti muito medo. Perguntava-me a mim mesma: “E agora, o que é que eu faço? Para onde vou? O que é que vou encontrar?”
- Cumpriram-se as expectativas que tinha para o concurso?
- Bem, o que se passou na “casa” toda a gente viu – tudo ou quase tudo. Sinceramente, quando entrei para o concurso fazia muito pouca ideia sobre como se iam desenrolar as coisas. Concorri por causa de uma brincadeira com o meu namorado. Como ele decidiu concorrer, então também quis entrar no jogo. Foi uma espécie de desafio: “Se tu consegues, eu também consigo.” Na altura, apenas sabia que íamos ficar isolados, mas desconhecia, por exemplo, que tinha de nomear colegas para serem expulsos. Esse foi um dos grandes problemas que vivi: conviver com as pessoas diariamente e, depois, ter de as nomear para as expulsar da “casa”, era terrível, um autêntico pesadelo que se repetia quase todas as semanas.
- Quando saiu da ”casa”, ficou surpreendida com a sua popularidade?
Eu bem dizia à Teresinha [Guilherme] que éramos como amendoins para atirar aos macacos... Quando saí, estava a recear de tudo e todos. Não sabia o que me esperava nem a opinião geral das pessoas. Foi uma surpresa ser tão querida do público... Tinha a convicção de que as pessoas até não gostavam de mim. Por isso, arranjei sempre, para mim mesma, uma desculpa ocasional para o facto de me manter na ”casa” de cada vez que era nomeada.
- Porquê essa descrença nas suas possibilidades de chegar ao fim?
Quando concorri, uma das coisas que frisei na entrevista inicial foi que eu entendia que ia sair logo. Acho que a primeira impressão que dou às pessoas é um pouco de antipática, porque sou reservada, não dou muita confiança logo ao primeiro contacto... Pensei sempre que não iam com a minha cara. Mas ainda bem que não foi assim e o público em geral acabou por gostar da minha participação, porque assim pude sair para a rua um pouco mais à vontade.
- Hoje, olhando para trás, voltava a participar?
- Hum… Não sei. Se calhar, não. Se calhar, sim. Era capaz de voltar a participar porque já não tinha mais nada a perder. O que tinha a perder já perdi.
- O que é que perdeu?
- Eu gosto de andar livremente e estar à vontade seja com quem for, e não posso fazer isso. Ainda hoje, passo na rua e sinto-me mal por as pessoas me reconhecerem e virem ter comigo, ou então ficarem ao longe a apontar o dedo e a comentarem. Estou num sítio qualquer e as pessoas estão ali a ver tudo: o que estou a fazer, com quem estou... Não me sinto à vontade e eu não gosto disso.
- De que gostou mais na ”casa”? Do convívio com os colegas?
- Sim. Esse foi o lado positivo. O principal desafio da minha participação no 'BB' foi testar até que ponto eu era capaz de conviver com pessoas completamente diferentes.
Em contrapartida, teve de enfrentar o grande problema da popularidade…
É. Eu achava que, quando saísse do concurso, ia seguir a minha vida normalmente. Mas não foi assim.
- O que fazia antes?
- Estava desempregada, a tratar da abertura da minha loja: o famoso Bazar da Loira. Tive de adiar a abertura por causa do concurso. Pensei que ia estar na ”casa” uma ou duas semanas, o que não fazia mal nenhum. Via como era aquilo, tinha a minha experiência, vinha-me embora e seguia a minha vida... Só que não foi nada assim. Estive lá quatro meses e nem aí consegui abrir a minha loja, porque afinal não podia fazer o que queria.
- Havia um contrato com a Endemol…
- Pois, tinha um contrato com a Endemol e imensos trabalhos. Andávamos de um lado para o outro.
- Não gostou da experiência?
- Gostei. Conheci muita gente, muitos sítios. Foi divertido.
- Assim, também se pôde manter no auge da popularidade durante mais um ano.
- Exactamente. Manteve-se aquela maluqueira – como ainda lhe chamo. Não entendia as pessoas. Chegava-se ao ponto de haver pessoas que nos queriam apalpar como se fôssemos deuses. Não dá para entender. Não percebo.
- Hoje, sente que já caiu no esquecimento, ou ainda é complicado ser a 'Susana do BB'?
- Ainda é um bocado complicado. Não tanto como no início, mas ainda não consigo passar na rua despercebida. As pessoas ainda me reconhecem, mesmo que mude um pouco de visual ou de corte de cabelo, e a cada passo lá vem uma revista e uma entrevista, o que faz também com que pessoas não se esqueçam.
- Quando acabou o contrato com a Endemol, foi convidada a renovar ou recusou continuar?
- Não houve convites. Nunca mais tive nada com a Endemol. Acabou.
- Também se sente esquecida pela Endemol?
- E ainda bem.
- Está arredada do mundo do “espectáculo”?
- A única coisa que continuo a fazer nessa área é apenas numa discoteca do Marco de Canavezes, onde simplesmente dou a minha a cara e convivo no local com as pessoas.
- Ganhou novas oportunidades, de âmbito profissional e económico?
- Nem por isso. É mais fogo de vista. No fundo, toda a gente acha que os concorrentes do 'Big Brother' ficaram todos muito bem e milionários. Todos diziam que iam fazer isto e aquilo, contratos de publicidade, novelas a cinema... Iam ser grandes artistas. Mas nada disso aconteceu. Foi mais trabalhar a imagem para prolongar a onda de receitas fáceis.
É diferente nas acções que toma por causa da popularidade?
Não sou diferente. Evito é ir para locais onde haja muitas pessoas. Por exemplo, a praia, porque não posso estar lá vontade.
- Como fica bronzeada?
- Não ligo muito a isso, mas tenho recorrido a solários. Só que gosto muito do mar e não posso ir lá.
- Hoje continua a haver ‘reality shows’. Como explica o facto das pessoas aderirem tanto a este tipo de programas?
- Sinceramente, lamento isso. Os portugueses são muito curiosos, gostam de tudo o que é fofoca e intrigas. Adoram olhar para a vida dos outros. Mas, sinceramente, acho que a televisão tem de parar com este tipo de programas, porque já há muita gente saturada e, a continuar-se assim, as televisões vão acabar por saturar o resto das pessoas.
- Mas a quarta edição do 'BB' estará a registar números elevados de adesão por parte de interessados em concorrer…
- É a tal coisa: vão à procura do que nós não tivemos. As pessoas acham que estamos todos milionários, que aquilo é um mar de rosas. Então, vão à procura de coisas que não existem. Não digo que a participação no 'BB' não ajude determinadas pessoas, mas não é tanto como se pensa. Vão à procura de popularidade e situações que leram e viram na TV, mas na realidade não é nada disso.
- Numa altura em que se fala tanto de privatização da RTP, entende que a televisão pública produz melhor televisão que as privadas?
- Acho que a televisão pública está uma porcaria. A continuar assim, é só novelas e concursos. Muitos concursos. Mais nada.
- Antes de entrar no 'BB', que tipo de televisão via?
- Sempre vi pouca televisão. Era como agora: telejornais e pouco mais. Muitas vezes meto as cassetes das gravações do 'BB'.
- Então, ainda gosta de recordar aqueles tempos. Tem saudades?
- Tenho. Gostei muito dos momentos de lá vivi, do pessoal que conheci. Faz-me recordar coisas boas e más.
- Costuma encontrar-se com os outros participantes?
- É muito difícil. A última vez foi há mais de dois meses e apenas estiveram alguns.
- A sua vida pessoal também sofreu muitas alterações com o ‘BB’. Continua a falar com o Paulo, mais conhecido por 'Bolinha de Pêlo', ou a zanga é irreversível?
- É, mas prefiro não falar sobre isso.
- Já tem novos planos para a vida pessoal?
- Vou casar em Setembro. Meados do mês.
- Quem é o noivo?
- É uma surpresa.
- É o Zé Maria?
- Não. Portugal parava.
- Tem tido contactos com o Zé Maria?
- Não.
- Ainda a chateia falar do Zé Maria?
- Não me chateia nada. Não ligo.
- Mas o Zé Maria ainda lhe fez uns coros engraçados.
- Pois, mas também os fazia às galinhas.
- A que deve a popularidade do Zé Maria?
- A ser magrinho, a dizer amén a toda a gente. Acaba por ser uma pessoa fora do vulgar. É raro encontrar alguém assim. Depois, os colegas caíram-lhe em cima, foi massacrado, as pessoas tiveram pena e ficaram a favor dele. Em tudo o que ele fazia, achavam-no querido. Ao fazer tudo de uma forma tão simples e à frente das câmaras, de facto acabava por ser anormal...
- Foi convidada para alguma festa no dia 1 de Setembro, data do segundo aniversário do “Big Brother” em Portugal?
- Não.
- Se fosse convidada para o 'BB Famosos', participava?
- Sim. Claro. Eles vão ter regalias que não tivemos, como ginásio e mais dinheiro. Vão ter outro tipo de vida. Depois, estar na ”casa” com pessoas VIP´s era engraçado e dava mais garra. Podiam pôr lá era o Zé Maria, porque ele é VIP.
- Você também é VIP?
- Não. Eu não.
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